Tuber Bock, a nova cerveja de batata-doce estreia-se em Aljezur

Secretário de Estado Miguel Freitas inaugura o Festival da Batata-doce, iniciativa que valoriza o ex-líbris do concelho.

Já há variadas formas de degustar a batata-doce, mas faltava uma cerveja artesanal. Por isso, o desafio foi lançado pela Câmara Municipal de Aljezur a dois empresários de concelhos vizinhos, com vista à criação de um novo produto a estrear durante o festival que todos os anos valoriza o produto certificado daquele concelho.

As marcas Ale n’Tejo (de Sabóia) de Sérgio Rodrigues e a Marafada (Silves), de André Gonçalves não deixaram a tarefa por mãos alheias e juntaram-se para produzir uma nova variedade desta bebida alcoólica que será dada a conhecer entre 24 e 26 de novembro, no Espaço Multiusos, durante o Festival da Batata-doce de Aljezur.

Sérgio Rodrigues e André Gonçalves, cervejeiros criadores da Tuber Bock.

A Tuber Bock é, assim, uma cerveja de especialidade baseada no estilo Dunkles Bock, que usa maltes de primeira qualidade, lúpulos clássicos e levedura típica deste estilo, com adição de batata-doce Lira, o tubérculo ex-líbris daquela zona do Algarve.

Com 6,5 por cento de álcool e 21 International Bitterness Unit (IBUs – medida que mede o grau de amargura da cerveja), a Tuber Bock é menos amarga que outros estilos de Bocks, como a Helles Bock. A batata-doce «contribui para criar um sabor mais maltado, devido aos açúcares não fermentáveis», explicaram os produtores. Será indicada, segundo os criadores deste produto, para acompanhar grelhados, estufados, enchidos e queijos, produtos que também estarão à mesa do Festival em Aljezur.

A novidade desta feira, dedicada à variante Lira do tubérculo com Indicação Geográfica Protegida, estará disponível em garrafa de 33 centilitros por três euros ou à pressão por dois euros, segundo avançaram os produtores ao «barlavento». A inovação contou ainda com a colaboração institucional da Associação de Produtores de Batata-doce de Aljezur.

Haverá, contudo, mais para ver e saborear. O festival será complementado por muitas mostras gastronómicas e animação tentando a organização corresponder às expetativas dos visitantes.

«A fasquia é muito alta, tendo em conta que o festival já se realiza há vários anos. No entanto, esperamos que haja entre os 30 e os 35 mil visitantes habituais, nos três dias», estimou em declarações ao «barlavento» José Gonçalves, vice-presidente da Câmara Municipal de Aljezur.

A cerveja Tuber Bock está a ser produzida na Quinta dos Avós, no Algoz. Foram precisos 60 quilos da melhor batata-doce Lira, de Aljezur.

São cerca de 100 expositores, com produtos focados na identidade do concelho, estando a batata-doce em primeiro plano. «Tudo leva a crer que não vai ter menos sucesso do que tem tido nos últimos anos, porque a organização está a decorrer dentro da normalidade e o tempo seguramente vai ajudar», justificou. Aliás, este festival já é uma referência «incontornável» da Costa Vicentina em época baixa, sendo o momento alto de Aljezur, mas também da região, pois faz deslocar ao Algarve visitantes «de todo o país e do estrangeiro também», reforçou ainda o vice-presidente.

Além da novidade da Tuber Bock haverá espaço para apresentações no âmbito da gastronomia, com alguns chefs que já são presença assídua neste Festival, animação constante no recinto, com pequenas atuações e a apresentação de um livro ligado à batata-doce, da autoria do historiador José António Martins.

A estimativa é que seja ultrapassada a venda das 30 toneladas de batata ensacada da última edição, não sendo contabilizado nestes números o produto confecionado e comercializado durante a feira nas tasquinhas e restaurantes.

Há 500 litros para a estreia no Festival da Batata-Doce de Aljezur. Mas a produção, em Algoz, é para continuar.

A certeza é a de que a falta de chuva não afetou a qualidade deste tubérculo. «A indicação que temos da Associação de Produtores é que a batata–doce está com uma boa qualidade este ano, mesmo com esta falta de chuva», assegurou José Gonçalves, acrescentando que esta é uma organização que tem mantido e incentivado a continuidade da produção, ainda que haja «algumas pessoas de mais idade que estão a deixar de produzir». A entidade tem continuado o trabalho de promoção, colaborando «em alguns estudos com a Universidade do Algarve e com a Direção Regional de Agricultura», destacou.

O Festival da Batata-doce de Aljezur será inaugurado esta sexta-feira, às 18 horas, por Miguel Freitas, secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural. O recinto com entrada livre abrirá às 12 horas e encerrará às 24 nos três dias. Na zona do estacionamento circulará um comboio turístico, que fará a ligação entre o parqueamento e a entrada da feira, tal como na edição do ano passado.

«Lavrar o Mar» faz a ponte com o Festival da Batata-doce

O jantar-concerto com legumes musicais «Conciorto» que terá lugar no restaurante Várzea, até 25 de novembro, produzido no âmbito do projeto «Lavrar o Mar» cruza-se com o Festival da Batata-doce de Aljezur. «É importante esta ligação. Já no ano passado, houve um momento de contacto, com o espetáculo de teatro culinário «Peep & Eat» (Espreitar & Comer) pela companhia belga Laika. Este ano começamos no Rogil, com o Pasta e Basta. É uma forma de descentralizar os eventos para as outras freguesias. Encontrámos na sede do Rancho Folclórico um bom espaço e bons parceiros para a iniciativa», resumiu o vice–presidente da Câmara Municipal de Aljezur, antes da inauguração do espetáculo Pasta e Basta que marcou o início da segunda edição deste projeto.
«É época baixa, mas sentimos que há cada vez mais pessoas nesta altura no concelho. Além do festival que traz uma multidão, é o todo que faz com que os restaurantes e o alojamento encham nesses dias. Este programa específico do «Lavrar o Mar», aproveitando as artes performativas, engrandece tudo o resto», considerou o autarca.
Madalena Victorino, mentora do projeto em conjunto com Giacomo Scalisi, abriu a segunda edição, na quinta-feira, 16 de novembro, sublinhando que este projeto só existe porque há um apoio do 365 Algarve, do programa Portugal 2020, através do Cresc Algarve e dos municípios de Monchique e Aljezur. Para o vice-presidente a experiência «fantástica» da primeira edição será repetida este ano, sendo esta uma ótima oportunidade para «criar novos públicos».

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