«Terras de Olhão» é o mais recente azeite algarvio

Foi o «encantamento» que sente pela oliveira (Olea europaea), enquanto árvore, que levou o empresário Luís Custódio, 48 anos, natural de Olhão, a adquirir diversas propriedades para se poder lançar na concretização de um sonho: a produção de um «azeite suave e de alta qualidade», ao qual chamou «Terras de Olhão». Com negócios na área da restauração, justifica a escolha dizendo ainda que «muitas vezes vamos a um restaurante, pedimos um bom peixe, mas infelizmente, não temos um bom azeite à mesa para o temperar», justifica. «Portanto, quis produzir e servir o meu próprio azeite», explica.

A primeira produção decorreu no ano passado, e resultou em 1200 garrafas, com o colheita de 9000 oliveiras distribuídas por 20 hectares de olival. «Criei e registei a marca, desenvolvi o rótulo, criei uma imagem apelativa e comecei por vender o azeite no meu próprio restaurante», o «Primo dos Caracóis», na EN125, em Olhão.

«A ideia era que o meus clientes provassem o azeite na refeição e, se gostassem, pudessem adquiri-lo» para degustar em casa. Questionado sobre o que distingue este novo azeite de tantos e tantos outros produzidos em Portugal, Custódio explica que «é feito a partir de uma azeitona que, praticamente, só existe na região: a maçanilha algarvia», colhida na zona da Foupana, próximo de Moncarapacho, onde está estabelecido um outro lagar que tem surpreendido o mundo pela qualidade do azeite que produz.

Para 2019, o empresário prevê conseguir duplicar a produção, disponibilizando desta forma, mais de 3000 unidades de garrafas. «Conforme as árvores vão crescendo, vou aumentando, em proporção, a quantidade de azeite embalado. Depois, a estratégia será divulgá-lo junto de chefs que pretendam experimentar o seu potencial na alta cozinha. E claro, pretendo alargar os pontos de venda, com especial presença nas lojas gourmet, um pouco por diversos pontos do país», prevê.

A apanha decorre em outubro, à mão, com recurso a uma varinha elétrica e que faz cair as azeitonas sobre uma cama de rede, a partir da qual são recolhidas por um trator. «As pessoas adoram este tipo de azeitona. É verdade que existem outras variedades muito mais produtivas, pois esta não rende em quantidade, e creio que, por isso, os produtores não apostam na maçanilha algarvia. Mas apesar disso, na minha opinião, tem um sabor melhor», defende.

As plantações de Custódio dividem-se em 5 mil oliveiras de maçanilha algarvia, 3 mil de cobrançosa, 1000 galegas e 500 cornicabra. No futuro, dependendo da produção, «pretendo lançar azeites de cada uma destas variedades, e um blend». Para já, o «Terras de Olhão» está à venda no restaurante «Primo dos Caracóis», na loja «Alquimia da Terra» e ainda no Mercado Municipal de Olhão.

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