Nova ala reforça serviços do Hospital São Camilo em Portimão

Investimento de 300 mil euros criou novos gabinetes e serviços, mas há mais projetos. João Amado considera fulcral devolver o Hospital da Misericórdia à população.

Uma nova ala de consultas externas no Hospital de São Camilo, em Portimão, foi inaugurada no sábado, 2 de fevereiro, com novos gabinetes de consultas externas que reforçam o serviço desta unidade. São doze novos gabinetes para especialidades de oftalmologia, otorrinolaringologia,cardiologia, pediatria, ortopedia, a que se juntam ainda duas salas de espera e uma nova sala de observação para doentes urgentes. Foi, segundo João Amado, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Portimão, um investimento de cerca de 300 mil euros, partilhado entre a Misericórdia e o Hospital São Camilo (detido, na maioria, pela Santa Casa e o restante pelo grupo HPA).

«Configurámos espaços, renovámos a rede elétrica e informática, instalámos novo mobiliário, equipamento médico, climatização, numa área de mais de 400 metros quadrados. E, portanto, esta profunda obra de alteração de espaços conduz-nos à criação de conforto e segurança para os utentes, melhores condições de trabalho para os funcionários e colaboradores», enumerou João Amado.

Numa visita guiada pelo novo espaço, após a bênção pelo pároco Mário Sousa, várias pessoas recordaram as funções antigas daquele imóvel, que já foi Hospital Distrital de Portimão. Hoje, o
antigo Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do Centro de Saúde, ganhou uma roupagem moderna, mais luz, equipamentos e todas as condições para a prestação de cuidados de saúde.

Foi, aliás, com emoção que João Amado se mostrou satisfeito por todas as áreas do Hospital estarem ocupadas e ao serviço da população. «Tão pouco tempo após a Misericórdia ter recebido um hospital fantasma, vê-lo hoje cheio daquilo que é importante, que são as pessoas, tanto profissionais como doentes, conseguindo dar resposta às necessidades», é motivo de alento, explicou.

E há mais novidades num futuro próximo, como avançou ainda o provedor da Santa Casa da Misericórdia. «É também dia de lançar novas ideias e projetos, alguns dos quais já em curso. Vamos criar uma nova área dedicada à patologia da mulher, com uma zona de cirurgia geral, com rastreio, aconselhamento e tratamento do cancro da mama», adiantou. Será dada ainda atenção à vertente «das alterações da fala, da deglutição e também das vertigens. Vamos modificar toda a área do ginásio e continuar a crescer na área do atendimento permanente», disse ainda.

João Amado não tem dúvidas de que o Hospital São Camilo quer continuar a prestar cuidados privados, àqueles que têm capacidade de pagar, sendo ainda de continuar «as parcerias com seguradoras e subsistemas», mas também a prestar apoio àqueles que necessitam, «desde que encaminhados, seja para a Misericórdia, seja para o Hospital São Camilo», assegurou.

No entanto, em dia de festa da inauguração da nova ala, o provedor deixou ainda alguns recados. «Neste momento, o Hospital São Camilo tem uma dívida do Centro Hospitalar do Algarve superior a 800 mil euros de doentes operados. Os pretextos para não pagar, de há muitos anos, são vários ou nenhuns até. Para quem quer continuar a investir e garantir postos de trabalho de quem aqui trabalha é incomportável estar permanentemente a recorrer a empréstimos bancários ou a soluções de factoring que retiram uma parte do que é devido pelo trabalho que realizámos», lamentou João Amado. Ainda assim, o provedor mantém o objetivo de contribuir para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) através da cirurgia para minimizar as enormes listas de espera do público.

«Queremos que nos deem a possibilidade de continuar a fazê-las, não as pondo em risco através do não pagamento de atos realizados. Queremos alargar essa prestação às consultas de especialidade, que demoram anos no Centro Hospitalar do Algarve (CHUA) e queremos fazer exames de cardiologia. Os doentes têm que ir fazê-los a Faro, quando há capacidade instalada para fazer aqui e ninguém percebe porque é que nas outras Administrações Regionais de Saúde do país há acordos com Misericórdias e privados e no Algarve não há», denunciou o médico. O mesmo para exames gástricos ou colonoscopias.

E apesar deste ser um Hospital com uma vertente privada, «qualquer doente que se dirija a esta unidade e necessite de cuidados diferenciados ou de cuidados de urgência não tem de ir obrigatoriamente» para o Hospital Particular de Alvor, esclareceu. «A escolha será dele, consoante aquilo que entenda e consoante as suas capacidades económicas», referiu ainda João Amado.

Enorme esforço devolveu cuidados de saúde dignos

Um longo caminho marcou a Santa Casa da Misericórdia de Portimão, que conta com quase cinco séculos de história. Em 2001, o Hospital voltou àquele edifício, desocupado após a construção do CHA e Hospital São Camilo, fruto de uma parceria entre a Misericórdia e o HPA. Quase três milhões de investimento depois, feito por fases e em parceria entre o HPA, Misericórdia e Hospital de São Camilo, o antigo hospital distrital, deixado «vazio, desocupado, quase destruído, sem licenciamento, nem recursos humanos» ganhou modernidade e condições.

«Estes últimos anos têm sido de muito esforço, de uma enorme ousadia e coragem», num trabalho começado pela mesa que Francisco Serralha dirigia. A princípio ocupou-se uma ala e depois outra e criaram-se as unidades de cuidados continuados. Um ano depois, abriu-se uma nova ala já com intenção de prestar cuidados às pessoas, aos privados, com as seguradoras, com as parcerias, no primeiro andar. Depois criaram-se as consultas e o laboratório de análises e o gabinete de fisioterapia.

O investimento foi difícil para a Misericórdia, e foi nessa altura que encontra o HPA, um parceiro que lhe permite continuar a desenvolver um hospital nestas instalações, já com uma identidade, uma filosofia diferente, continuando esta estratégia de crescimento e de investimento», recordou João Amado.

Há um ano, a Misericórdia inverteu a distribuição societária do Hospital São Camilo, pois a Santa Casa quer ter uma «influência superior naquele que é o seu hospital», disse João Amado, assegurando que esta posição não significa que tenha havido qualquer desentendimento entre ambos.

O objetivo é, inclusive, continuar a acrescentar mais valia, sobretudo quando se discute a Lei de Bases da Saúde. «Aqueles que aqui exercem cargos de direção e a sua profissão têm essa profunda convicção de que este é um hospital que nada subtrai ao SNS, antes acrescenta. Todos queremos que os cuidados sejam universais, tendencialmente gratuitos e que não discriminem ninguém em função dos seus rendimentos, da sua localização geográfica, ou da sua literacia. Mas sejamos honestos na análise da realidade. A discriminação existe, é real e necessita de ser reconhecida para que seja corrigida. O acesso aos cuidados de saúde é diferente consoante vivamos no litoral ou interior, nos grandes centros urbanos ou nas periferias», criticou.

Além disso, «os cuidados de saúde são cada vez mais complexos, diferenciados, exigentes e dispendiosos e o orçamento do SNS de não consegue acompanhar estes crescentes custos». Portanto, para o responsável, defender hoje o SNS é defender que todos os recursos sejam colocados à disposição das populações, sejam eles públicos, privados ou do sector social.

Para Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, «tudo o que for feito no município para que todos os cidadãos tenham acesso à prestação de cuidados de saúde de qualidade, é bem vindo». E na verdade em Portimão ainda há carências na prestação de cuidados de saúde, confirmou a autarca, ainda que a situação esteja melhor.

«Considero determinante para se consolidar a democracia, porque só temos democracia quando houver igualdade de oportunidade para todos os cidadãos. Isto tem que ser um objetivo para todos nós, sobretudo dos profissionais de saúde e dos empresários que deitam mãos a esta grande tarefa. Não devemos ter doentes a ir ao privado porque têm necessidade de o fazer e porque não têm resposta no público, pois este tem que ter respostas. O privado tem que ter as soluções para quem quer outro tipo de atendimento, mais personalizado, mais rápido. Nós estaríamos muito pior em Portimão se não tivéssemos os profissionais de saúde com a qualidade que temos e que fazem o melhor que podem e o melhor que sabem para que de facto os cidadãos se sintam mais confortáveis e tenham mais e melhores cuidados de saúde», concluiu a autarca.

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