Nelson Conceição apresenta temas originais em Loulé

Estreia ao vivo do novo álbum «Descobrindo-me» já tem a lotação do Cine-Teatro Louletano praticamente cheia.

O acordeonista algarvio vai lançar o seu novo trabalho no domingo, dia 17 de março, às 17 horas, num espetáculo que promete ser intimista. Nascido em 1978 na Bordeira, Nelson Conceição apresenta-se a si mesmo como uma pessoa nascida numa família simples e que desde muito pequeno foi contagiado pela vida cultural daquela aldeia do concelho de Faro, onde sobressaem a música, o acordeão e as charolas. «É a terra de um dos primeiros grandes acordeonistas portugueses, o José Ferreiro (pai), nascido em 1895. Mas, para mim tudo começou no colo do meu pai, quando ele ia às charolas. Foi aí que eu nasci para o acordeão. Na minha alma estão sempre as melodias do Álvaro Carminho e também nunca me esqueço de ser menino e escutar aqui na Bordeira o Daniel Rato, o Hermenegildo Guerreiro e o João Barra Bexiga. E mesmo a Eugénia Lima, que chegou a dar cá aulas, era eu ainda miúdo», recorda ao «barlavento».

Deste então, e ao longo do tempo, ficou sempre ligado à música. Tornou-se intérprete de acordeão, mas também um professor, depois de se licenciar em Educação Musical e fazer uma Pós-Graduação em Ciências Musicais – Música Popular Portuguesa.

«Tenho contribuído para a formação de muito jovens, tenho coordenado grupos de música popular, tenho produzido discos e CDs e editado trabalhos de recolha, como são as várias publicações do projeto Terra de Acordeão. Até tenho um estúdio de gravação próprio, utilizado para gravar os trabalhos em que estou envolvido, ou para alguém especial. Muitos dos melhores acordeonistas já cá vieram gravar. Da atualidade, só mesmo o João Frade é que não gravou aqui, embora uma vez veio acabar um trabalho», revela.

Em síntese, «acho que tenho feito muito pelo acordeão, e tenho-me esquecido de mim como intérprete. A verdade é que é muito difícil ter uma carreira consistente no ensino e, ao mesmo tempo, dar bons concertos com regularidade. Por isso este trabalho só surge agora».

«Descobrindo-me» é o segundo disco de Nelson Conceição. O primeiro, intitulado «Mitos», surgiu em 2003 e foi dedicado a três acordeonistas algarvios: José Ferreiro (pai), António Madeirinha e João Barra Bexiga. «Fiquei sempre com vontade de fazer um disco com originais meus, mas a vida puxava-me para outros caminhos e o tempo foi passando. Mas a história até é engraçada. Tive uma reunião no verão do ano passado com a diretora municipal de Loulé Dália Paulo, e questionei a possibilidade de lançar um CD no Cine-Teatro Louletano. Concordou de imediato e apontámos o dia 17 de março como uma data possível. Entretanto, no final do ano passado ligaram-me do Cine-Teatro a pedir fotografias e um breve texto de apresentação do concerto. Ao princípio eu nem sabia do que é que estavam a falar! Depois percebi e pronto, foi tudo para a frente, e hoje o CD já está pronto», brinca.

Edição de autor limitada a 1200 exemplares, «Descobrindo-me» surge em parceria com a Câmara Municipal de Loulé, que tem também o apoio da Mito Algarvio, da Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe e da Beltuna (fabricante de acordeões) Portugal.

De momento está apenas à venda em Loulé, por 10 euros, mas Nelson Conceição tem expectativas de o colocar quer nas plataformas digitais e em algumas lojas de referência nacionais.

Questionado sobre a essência deste trabalho, Conceição diz que se trata de uma introspecção.

É «profundo e sentimental. Cheguei a chorar sozinho durante as gravações, quando procurava músicas que tinha composto há anos e já mal me lembrava. A mais antiga é de 2001. Há temas que homenageiam pessoas, como o meu primeiro professor, Joaquim Machado, que vai estar presente, e outras que já não estão entre nós, como o João Barra Bexiga. Tantas vezes que estive com ele, a ouvi-lo tocar e também a falar das suas filosofias e da sua forma de ver a vida. Esses momentos ainda hoje mexem comigo. Também dedico um tema ao professor Aníbal Freire, que foi fundamental para eu subir até ao nível em que estou hoje. Foi uma pessoa muito importante na minha vida como músico.

Depois há a Bordeira, as minhas raízes, as charolas! Aliás, o tema que abre o disco chama-se Charolesca. E há um tema dedicado à minha avó, O Último Adeus. Se a minha música tocar na alma das pessoas que a escutarem, então, sou um músico realizado e as pessoas estão Descobrindo-me!»

No dia 17, Nelson Conceição promete um espetáculo único, muito especial, «bonito e extremamente emotivo e profundo», com bastantes músicos convidados. «Quem me conhece sabe que sofro para tocar, fico com o sistema nervoso ao rubro e toda a minha saúde se ressente imenso. Isso não quer dizer que não goste, porque adoro tocar ao vivo», refere.

Em palco e a acompanhar o acordeonista estarão Ivo Martins (bateria e percussões), Cláudio Sousa (guitarra clássica), João Miguel Cunha (viola de arco), João Pedro Cunha e Olena IIyintsova (violinos), Ricardo Martins (guitarra portuguesa e cavaquinho), Luís Henrique (contrabaixo e baixo), e ainda as cantoras Cristina Paulo e Melissa Simplício.

O «barlavento» sabe que o videógrafo João Espada está a trabalhar em algumas das surpresas para o concerto. «Eu gosto que as pessoas pensem que num espetáculo do Nelson Conceição acontece sempre qualquer coisa de especial, que ninguém está à espera. Tento que sejam irrepetíveis, e este concerto, mesmo que venha a ser apresentado noutras datas e locais, vai ser único na emotividade entre mim, os músicos e, espero eu, o público. Certo, certo é que as pessoas vão descobrir um Nelson Conceição diferente daquilo a que estavam habituadas». O bilhete para o concerto custa 5 euros e a sala está quase lotada.

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