Lagos e Loulé celebram o centenário da poetisa que mais amou o Algarve

São mais de 40 iniciativas dedicadas à vida e obra da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, que em 2019 celebraria 100 anos. «Este é um programa para uma região, intermunicipal, organizado por dois municípios, para quem quiser saber mais sobre Sophia», adianta ao «barlavento» a diretora municipal de Loulé, Dália Paulo. Congressos, exposições, concursos, ações de formação, recitais, concertos, jardins literários e até o lançamento de um livro infantil, são algumas das iniciativas previstas.

O público poderá «conhecer várias vertentes da Sophia, não só enquanto escritora, mas como pessoa. E hoje, mais que nunca, é importante conhecer e inspirarmo-nos no seu exemplo. Esta é a melhor homenagem que lhe podemos fazer», defende Dália Paulo.

A ideia surgiu durante a entrega dos prémios do concurso literário em honra da poetisa, em abril de 2018, organizado há mais de 10 anos por ambos os municípios, e direcionado para a comunidade escolar. Este ano, realizar-se-á a 27 de abril, na Escola Secundária Júlio Dantas, em Lagos. «Quando pensaram que em 2019 a poetisa faria 100 anos, os presidentes Vítor Aleixo e Joaquina Matos, tiveram a ideia de desenvolver uma programação conjunta. Sophia amava o Algarve profundamente, e esse amor, merece uma homenagem», acrescenta.

O programa de iniciativas culturais a que o «barlavento» teve acesso, em primeira-mão, arranca a 21 de março, no Dia Mundial da Poesia. A primeira iniciativa está agendada para ter lugar num dos locais preferidos da autora: os Mercados Municipais, em Lagos e Loulé. «Queremos que tenha boa divulgação e que desperte a atenção das pessoas». O plano é «levar a poesia para fora das bibliotecas e para diversos públicos», refere a diretora municipal de Loulé.

No Mercado Municipal de Loulé serão distribuídos textos de Sophia e a realizadas leituras encenadas no espaço. Já em Lagos, desde a Praça do Infante até ao Mercado da Avenida, serão recriadas partes da vida quotidiana de Sophia de Mello Breyner Andresen, hábitos e costumes, através da personificação das três idades distintas da autora. Ao mesmo tempo, no centro histórico, serão recitados e distribuídos poemas.

A programação envolve parcerias com diversas associações culturais, que foram «desafiadas a trabalhar Sophia», desde «atores, escritores, companhias, especialistas em literatura bem como toda a comunidade», segundo explica ao «barlavento» Sara Coelho, vereadora com o pelouro da cultura da Câmara Municipal de Lagos.

«Para o desenvolvimento da programação desafiámos escolas, clubes, associações e outros coletivos no sentido de criar uma proposta diversificada, com espetáculos pensados de propósito e a propósito da Sophia», até porque a ideia é «que todos sejam envolvidos nestas comemorações».

Sara Coelho realça sobretudo a importância de três eventos de grande relevância ao longo do ano: o colóquio subordinado ao tema «O Mediterrâneo e o Atlântico em Sophia», realizado a 23 de março, no Centro Cultural de Lagos (Auditório Duval Pestana), uma exposição com objetos da poetisa pertencentes a um espólio pessoal, que estará patente de setembro a dezembro, no naquele equipamento, e por fim, a apresentação do conto musical «A Menina do Mar», uma coprodução LU.CA/Movimento Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, nos dias 14 e 16 de novembro.

O município de Lagos dará também espaço e forma ao musical «A Fada Oriana», uma iniciativa levada a cabo pela companhia II ACTO, a realização de uma performance e espetáculo interdisciplinar chamada «O sul de Sophia», na qual subsiste «num diálogo permanente entre a palavra dita, a música, a imagem e a obra poética da poetisa que descreve a presença do sul e da influência que este espaço teve na sua vida e obra», explica Sara Coelho.

Em Loulé a programação inclui também uma parceria com a Fundação Manuel Viegas Guerreiro, no âmbito do Festival Internacional Literário de Querença, de 3 e 5 de maio, com uma instalação com os poemas de Sophia através da decoração de um jardim literário.

Também a 6 de novembro, dia de aniversário da poetisa, a Biblioteca Municipal de Loulé receberá um recital por Pedro Lamares, e a 11 e 12 de novembro, pelas 21 horas, o Cineteatro Louletano receberá «o neto da Sophia, Martim Sousa Tavares, com encenação de Ricardo Neves-Neves, do conto musical A Menina do Mar, que será apresentado pela primeira vez, no dia de aniversário de Sophia, e depois, de seguida para o Centro Cultural de Lagos», adianta Dália Paulo.

A programação termina em Loulé, a 1 de dezembro de 2019, com um concerto evocativo da poetisa pela Orquestra de Jazz do Algarve: «um concerto criado de raiz pelo Hugo Alves e que vai ter à volta de 12 a 15 poemas musicados, pela primeira vez tocados, no Cineteatro Louletano, e no dia anterior, no Centro Cultural de Lagos», explica.

Dália Paulo e Sara Coelho revelam ainda outra grande novidade preparada em especial por ambos os municípios: o lançamento, em breve, de um «livro infantil», sobre a obra e vida da autora no Algarve, a ser distribuído pelos alunos dos concelhos algarvios, chamada «Aventura de Sophia no Algarve».

A vereadora Sara Coelho ressalva ainda a forte ligação da poetisa a Lagos, onde «passava habitualmente as suas férias e onde possuía residência». «Sophia ia com frequência às grutas da Ponta da Piedade, local referido nas suas obras. Amava o mar, a luz e os espaços desta cidade. Encontrou aqui a inspiração para várias das suas obras tendo deixado o seu legado inscrito na história desta cidade, onde deu asas a vários poemas», evidencia. Por isso, na opinião do executivo, «Lagos tem o dever e a honra de reconhecer a marca que Sophia deixou na história da cidade». «Prova deste reconhecimento é o facto de, em 2004, a Câmara Municipal de Lagos ter homenageado Sophia de Mello Breyner Andresen, com a entrega, a título póstumo, da Medalha de Honra do Município».

Portugal também homenageia a poetisa

Em paralelo, decorre em Portugal um programa nacional, com iniciativas em diversos distritos do país, em honra do centenário do aniversário da poetisa, organizado pela Comissão das Comemorações do Centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen, sediada no Centro Nacional de Cultura, com o mesmo objetivo do programa intermunicipal algarvio. O programa tem um objetivo comum: servir de «tributo e evocação, comunicação e divulgação, revelação e conhecimento de uma personalidade única, de uma vida intensa e de uma obra excecional». A nível nacional as «comemorações realizam-se a partir de uma ideia e por iniciativa da filha Maria Andresen Sousa Tavares, poeta e artista plástica, que, por mandato da mãe, tem cuidado da sua obra».

Um selo para Sophia

Os CTT – Correios de Portugal lançam esta semana, a emissão filatélica «Vultos da História e da Cultura», na qual homenageiam sete personalidades marcantes da história e cultura portuguesas. Um dos novos selos é dedicado a Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), nome incontornável na poesia e literatura portuguesa, tendo recebido o Prémio Camões e o Prémio Rainha Sophia de Poesia Ibero-Americana, entre outros. Natural de Lisboa, onde sempre viveu, foi também autora de contos infantis, dos quais «A Menina do Mar» e a «Fada Oriana» serão os expoentes máximos. Destacou-se ainda como tradutora de Shakespeare e Dante.

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