Jornadas do Contrabando em Alcoutim dão o pontapé de saída para o Festival do Contrabando

As jornadas vão decorrer no salão nobre da Câmara Municipal, recebendo investigadores e antigos protagonistas da atividade.

O salão nobre da Câmara Municipal de Alcoutim recebe as terceiras Jornadas do Contrabando em Alcoutim, numa iniciativa levada a cabo pelos municípios de Alcoutim e de Sanlúcar de Guadiana no dia 28 de março, às 9h30. As jornadas terão a participação de investigadores, bem como de antigos protagonistas e dão o pontapé de saída do Festival do Contrabando, que decorre entre 29 e 31 de março.

A iniciativa pretende transmitir uma visão clara das atividades do contrabando, efetuando o reconhecimento e a valorização de uma identidade local, das memórias e do património do contrabando. Estas Jornadas têm como objetivo promover o debate de ideias como: O reconhecimento e a valorização de uma identidade local própria; Entender as necessidades locais e o contributo do contrabando para a sobrevivência das populações; A importância de uma rede de contatos e relações familiares na ligação entre margens; Abertura de fronteira versus despovoamento crescente, e a valorização das memórias e do património do contrabando na perspetiva da promoção turística do território.

No decorrer do evento, será possível assistir à curta-metragem «Eu aprendi essas manhosices…», 2º episódio da série «Histórias do Contrabando», por Paulo Vinhas Moreira. As Jornadas do Contrabando terminam com uma mesa redonda que coloca em confronto direto os atores de um lado e de outro desta atividade raiana.

Alcoutim é uma vila raiana localizada na serra algarvia, em frente ao município andaluz de Sanlúcar de Guadiana (Espanha). Esta fronteira luso-espanhola é uma das mais antigas da Europa e conta com séculos de história que marcam a identidade das populações locais. O contrabando foi a «arte» de comercializar às escondidas da lei, e entendido pelas populações como um mundo de oportunidades, que dava resposta às necessidades e dificuldades das gentes da raia.

Com a abertura da fronteira, este contrabando «tradicional» deixou de fazer sentido, fechando-se um ciclo. «Nos nossos dias urge registar, conhecer e estudar um vasto espólio imaterial ligado a este fenómeno», afirma o município alcoutenejo, indicando ainda que «as gerações que viveram o contrabando tradicional estão a desaparecer. Assim, perdemos um manancial de conhecimentos, passados entre várias gerações, que fazem parte da cultura local».

O Festival do Contrabando é a junção e fusão da homenagem a uma atividade que ao longo da história foi importante para as gentes da fronteira, com as artes e a cultura. Nos dias 29, 30 e 31 de março, apresenta a todos os visitantes um mercado de época, gastronomia local, desfiles etnográficos, teatro de rua, bandas de música de rua, oficinas de artesanato e muita mais animação, tendo como grande atrativo a Ponte Pedonal Transfronteiriça Alcoutim Sanlúcar de Guadiana, que permite a experiência «pioneira» de caminhar sobre o Rio Guadiana e transpor a fronteira «de forma original e única», um sonho antigo das duas vilas.

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