A maioria dos objetos expostos tem um simbolismo histórico inerente à região algarvia. Maria da Graça, 58 anos, é a mentora deste espaço que se assume como galeria de arte, loja de acessórios de decoração e artesanato. A olhanense e professora do ensino primário iniciou o projeto «Pinta Roxa» há seis meses. O nome surgiu por causa «de uma espécie de tubarão abundante na costa algarvia. É um dos três peixes que tem que figurar numa boa caldeirada», explica.
Após quase 40 anos de carreira no ensino, quis «fazer outras coisas». Decidiu criar um espaço cujo conceito é mostrar «coisas que gosto e que não quero que se percam ou se esqueçam. Tudo o que envolva o nosso mar, a Ria Formosa, a pesca e a praia. E tudo o que é relativo à história e ao património algarvio. Outro conceito desta loja é que todas as coisas tenham o seu espaço e tempo para serem apreciadas», garante.
No «Pinta Roxa» há um pouco de tudo para todos os gostos e bolsas. Desde postais coloridos a um euro e meio até miniaturas em madeira de embarcações da frota de pesca artesanal do Algarve, que podem chegar aos 300 euros.
O conceito materializa-se nos postais inéditos do fotógrafo portimonense Filipe da Palma – que ao longo dos últimos 20 anos tem vindo a colecionar pormenores da arquitetura popular do Algarve. Platibandas, chaminés, terraços, portas coloridas, janelas simples e exuberantes, artes de pesca, proas e poupas de traineiras, estrelas e outras superstições decorativas dos barcos dos pescadores algarvios. Imagens de cegonhas, paredes caiadas, amendoeiras e azulejos algarvios completam o imaginário regional. Os postais são edições muito limitadas.
Quase tudo o que está à vista é feito à mão por naturais, residentes ou apaixonados pelo Algarve. Quem aqui entra é surpreendido pelo detalhe e precisão dos pormenores das miniaturas de caiques, buques e andainas feitas à escala por Vitorino Nascimento, mestre artesão de Bias do Sul, um lugar Mágico à beira da Ria Formosa. A sua habilidade vai ao ponto reproduzir, num modelo simples de cordel e pregos em madeira, a complexidade das antigas armações do atum da Companhia de Pescarias do Algarve. A artesã Amanda McGregor, apesar de estrangeira, segue a tradição dos azulejos e cerâmicas de Santa Catarina da Fonte do Bispo. Valerá ainda a pena apreciar as ilustrações da olhanese Joana Rosa Bragança, entre outros artistas.
No futuro próximo, Maria da Graça planeia organizar encontros temáticos para promover conversas em torno dos artigos que vende na loja. Por exemplo, «sobre as lides do mar tão bem retratadas nas fotografias ou sobre as platibandas», gerando momentos de partilha de conhecimento e de histórias entre aqueles que amam o Algarve. Se for o seu caso, saiba que entre fevereiro e julho poderá visitar a loja de quarta a sexta, entre as 17h30 e as 20h00, e aos sábados das 11h00 às 20h00.