FOR-MAR aposta no Turismo Náutico e Ambiental e estreia Cursos de STCW

Algarvios já não têm de ir a Lisboa para poderem qualificar-se para o trabalho a bordo de navios mercantes. Primeira ação decorreu em janeiro e haverá mais ao longo de 2019.

Em dezembro último a Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM) acreditou o Núcleo Regional Sul – polo de Olhão do FOR-MAR (Centro de Formação Profissional das Pescas e do Mar) para ministrar algumas formações no âmbito da Convenção STCW (Standards of Training, Certification and Watchkeeping for Seafarers).

«Esta é uma grande conquista que muito nos orgulha», explicou a coordenadora Angelina Ramos ao «barlavento». O processo de certificação foi longo pois a realização da formação indicada exige o estabelecimento de protocolos com parceiros que cumpram os requisitos necessários para o desenvolvimento de formação no âmbito do STCW.

A rede agora estabelecida inclui a Piscina Municipal de Loulé e os Bombeiros Voluntários de Vila Real de Santo António «que oferecem condições para os formandos realizarem os exercícios práticos», detalha a responsável.

O curso principal (Segurança Básica) tem, por agora, a duração de 100 horas e um custo 170 euros, embora segundo Angelina Ramos, foi já apresentada uma proposta de redução da carga horária para as 75 horas, de acordo com o que hoje se ministra noutras instituições congéneres.

Além disto, e ainda no âmbito da Convenção STCW, estão agora disponíveis em Olhão os cursos de Controlo de Multidões e Segurança para Tripulantes que prestem Assistência a Passageiros (16 horas); Sensibilização para Proteção (5 horas); Qualificação para as Funções Específicas de Proteção a Bordo (9 horas) e Curso de Atualização em Segurança Básica (24 horas).

«Tínhamos muita procura, mas só agora será possível dar resposta. Estas formações são absolutamente necessárias aos marítimos» pois abordam questões de emergência, saúde, cuidados médicos a bordo, sobrevivência no mar e combate a incêndios em embarcações.

Segundo prevê a coordenadora, no futuro será expectável que sejam exigidas formações STCW a quem trabalha no sector das pescas. «Por isso, estamos já tentar que toda a nossa oferta formativa possa vir a ter esta componente integrada, o que colocará o polo de Olhão na linha da frente».

Angelina Ramos

Pesca continua atrativa mas faltam formadores

Segundo Angelina Ramos, coordenadora regional do FOR-MAR, o plano anual de formações começa a ser discutido em junho, conforme as necessidades identificadas em reuniões e contactos com armadores, associações de pescadores e empresas do sector da chamada economia azul. Obedecem ao atual Regulamento de Inscrição Marítima (RIM) que abraça a carreira da pesca, do comércio, do tráfego local e máquinas. Há opções de formação para o início de carreira e outras mais específicas para quem quer progredir na mesma.

Com dois polos na região, um em Olhão (que abrange o litoral de Quarteira a Vila Real de Santo António) e outro em Portimão (que abrange a zona desde Albufeira até à Costa Vicentina), esta entidade responde a «necessidades diferentes. Na zona do Barlavento há uma procura maior pelo curso de marinheiro de 2ª de tráfego local, qualificação essencial para profissionais da área marítimo-turística, embora também continue a haver procura pelos cursos mais vocacionados para a pesca. No Sotavento, continua a verificar-se a procura de formação para a área da pesca, nomeadamente o curso de início de carreira de pescador», compara. Há também quem opte pela vertente do tráfego local, como alternativa de emprego, no caso da faina correr mal.

E a pesca continua atrativa? «Sim. É feita uma avaliação junto dos ex-formandos, passados seis meses do término da formação para verificarmos a taxa de sucesso e empregabilidade no sector. Não temos muitas desistências», sendo esta a formação (de 200 horas) com o recorde de inscrições.

No entanto, Angelina Ramos não esconde que está a enfrentar um problema complicado. Faltam formadores oficiais náuticos de convés com Licenciatura em Pilotagem (ou superior), Engenharia de Máquinas Marítimas e/ou em Engenharia Eletrotécnica Marítima. Uma lacuna que penaliza sobretudo as formações da fileira das máquinas, e também alguns módulos das restantes.

Aposta no turismo náutico e ambiente

Apesar dos constrangimentos, o Núcleo Regional do Algarve do FOR-MAR vai avançar com novas propostas. É o caso da abertura do curso «Turismo Náutico e Ambiente», de 575 horas, em horário laboral. Destina-se a maiores de 18 anos com o 9º ano de escolaridade completo, e dá direito a subsídio de alimentação e de transporte. No final, os formados irão obter as certificações profissionais de marinheiro de 2ª de tráfego local, o curso de Segurança Básica (convenção STCW) e ainda o certificado de operador radiotelefonista de classe A.

«É uma alternativa interessante para início de carreira, com futuro, para quem não quer um percurso académico tradicional, ou até mesmo, como complemento deste. Até para os estudantes universitários tem muito interesse. Dou um exemplo. Os observadores de pesca não podem embarcar sem uma destas formações. E ao longo da vida profissional será sempre uma mais-valia» para qualquer licenciado na área do mar. Na verdade, a coordenadora do FOR-MAR já viu muitos biólogos marinhos procurarem o curso de pescador para iniciação na marinhagem, e é apologista de uma relação mais próxima com as universidades.

Por outro lado, os jovens do ensino secundário também não foram esquecidos. «Há algum tempo que não organizávamos uma ação de dupla certificação (profissional e académica). Este ano decidimos abrir o curso de Técnico de Informação e Animação Turística. Os alunos entram com o 9º ano e saem com o 12º de escolaridade. Terão acesso a uma bolsa de profissionalização e a subsídios de alimentação e transporte. As saídas profissionais são aliciantes, pois ficarão aptos a trabalhar em qualquer empresa que promova estas atividades».

Os finalistas «serão desafiados a escolher uma outra formação do nosso catálogo. Por exemplo, a de marinheiro de 2ª de tráfego local. Podemos dar-lhes um curso STCW e assim ficam prontos para começar um carreira em qualquer parte do mundo», inclusivé como tripulantes da indústria dos cruzeiros, ou na marinha mercante.

«Este curso é uma grande prioridade, mas dependerá sempre da aceitação e inscrição por parte dos futuros candidatos. Vamos estar presentes na feira Farnáutica 2019, e estamos a divulgá-lo junto de todas as instituições ligadas à juventude», diz ainda Angelina Ramos. O FOR-MAR tem experiência em descentralizar a sua oferta um pouco pela região, e estes cursos não serão exceção.

Bivalves também se aprendem

Em novembro, o FOR-MAR avançou com um curso de Apanha e Produção de Moluscos Bivalves, que teve grande aceitação. «Não é obrigatório, mas certifica as pessoas que trabalham nos viveiros com conhecimentos de controlo sanitário. Era um grande lapso, pois não havia nenhuma formação para esta atividade. Está vocacionado para as ostras e para a amêijoa, tem uma parte prática em duas empresas do sector e toda a teoria é dada aqui no nosso laboratório» em Olhão.

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