«Revitalizar Monchique – o turismo como catalisador» e SustenTUR Algarve são os dois projetos de valorização turística da região a merecer um apoio de mais de 600 mil euros pelo Turismo de Portugal. A assinatura dos protocolos levou Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, a Monchique, na terça-feira, 15 de janeiro. Apoiado com mais de 430 mil euros, «Revitalizar Monchique» junta à mesma mesa a Associação Turismo do Algarve, a Almargem – Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve e a Câmara Municipal de Monchique, no esforço de dotar aquele território e também Silves com condições atrativas para o desenvolvimento da atividade turística, através da intervenção em zonas atingidas pelo incêndio do verão de 2018.
Durante a sessão de assinatura do protocolo, Anabela Santos, da Almargem, apelou ao apoio de todos os agentes locais, que encheram a sala, para conseguir levar a bom porto as ações previstas. Serão sete eixos e têm diversos objetivos, ainda que o bem comum seja revitalizar o turismo de natureza nestes concelhos.
Por esta razão, uma das prioridades será a sinalização dos percursos já existentes e afetados pelos fogos, como foi o caso da Via Algarviana. «Dois dos sectores foram fortemente afetados pelo incêndio, quer na sinalética, quer na paisagem. Vamos verificar se temos que alterá-los, se basta voltar a sinalizar, porque, neste momento, temos pessoas a fazer a Via Algarviana. Muitos estão a fazê-lo com recurso a GPS, outros saltam o sector de Silves e Monchique», explicou Anabela Santos.
No caso dos cinco percursos circulares no concelho, a sinalética não ficou afetada, pois a opção, quando foram criados, foi o uso de rocha. Ainda assim, os painéis informativos ficaram destruídos e terão que ser repostos. Outra das apostas será a criação de novos percursos, «definindo caminhos interessantes, locais onde o fogo não chegou», avançou ainda a responsável da Almargem. A previsão é a sinalização de cinco a sete novos percursos. Num mundo globalizado onde os turistas chegam de diversos pontos, o digital é um dos meios essenciais. Daí a criação de uma plataforma (Visit Monchique), desenvolvida pela autarquia de Monchique, que agreguerá toda a informação existente, como as rotas temáticas ligadas aos produtos endógenos, para alavancar produtos comercializáveis.
Uma das questões desta candidatura era a escolha de um evento âncora que já existisse, mas que fosse possível reforçar. A opção foi o Monchique Serra Natal, que será agora repensado de forma «a fazê-lo crescer e torná-lo diferenciador na região e em relação ao que já existe no resto do país», esclareceu ainda Anabela Santos. A novidade será um Festival de Caminhadas, que se juntará aos três já promovidos na região. «Se há sitio onde existe potencial para surgir um destes festivais é Monchique. Temos guias que podem fazer estas atividades, temos empresas, temos é que nos juntar todos para fazer um evento que valha a pena», incentivou a responsável da Almargem.
O financiamento chegará ainda para a organização de ações de capacitação para os agentes locais, dando-lhes a oportunidade de conhecer com outros olhos o território onde estão inseridos, quer a nível da flora, da fauna e do património cultural.
Por fim, sendo a divulgação das experiências o melhor boca a boca, o projeto terá Fam e Press Trip, para jornalistas e operadores turísticos, umas direcionadas para o mercado de Portugal e Espanha e outra mais alargada para os mercados do Reino Unido, França, Alemanha e Holanda, que procuram mais esta vertente de turismo.
As ações são muitas, mas Anabela Santos mostra-se otimista, afirmando que a estimativa é conseguir desenvolver estas iniciativas em um ano. Para isso, reforçou que conta com a ajuda de todos os agentes locais.
Outro dos projetos apresentados foi o «SustenTUR Algarve», promovido pela Entidade Regional de Turismo do Algarve e que visa a promoção da sustentabilidade do património natural e cultural da região, junto dos visitantes e residentes, em parceria com público e privado, através da realização de um conjunto de ações de capacitação, informação e sensibilização, com o objetivo de fortalecer uma cultura de turismo na região. O projeto é apoiado com 204 mil euros e a execução decorrerá até 30 de novembro de 2020.
De forma sucinta, João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve, enumerou cinco linhas a cumprir, e que se baseia na interação com empresas, turistas e residentes.
Assim, haverá um sistema de consultadoria disponível que aconselhará as pequenas empresas de alojamento que existem ao longo «das grandes vias estruturantes, como a Ecovia do Litoral, Grande Rota do Guadiana, Via Algarviana e Rota Vicentina» em caso de necessidade, afirmou. A «sensibilização da importância da preservação pelo património cultural e natural, sensibilização de visitantes, turistas e residentes, a informação sobre redes clicáveis no Algarve e o combate à turismofobia» são os objetivos deste projeto.
Para a secretária de Estado do Turismo estes projetos «demonstram a capacidade do turismo ser um instrumento de mobilização do território e permitem promover o Algarve como destino de turismo de natureza, de gastronomia, cultural, com capacidade de atrair públicos ao longo de todo o ano».
«Ampliar a rede de percursos e desenvolver mais produtos associados ao turismo de natureza, cultural, de gastronomia, para termos um conjunto de experiências que permitem promover este outro Algarve, cada vez mais apetecido» pelos turistas internacionais, é muito importante, na opinião da responsável pela Secretaria de Estado. Um projeto, conforme destacou, financiado a cem por cento pelo Turismo de Portugal, «para olhar para o dia seguinte» ao fogo e que atraia novos públicos. «Sabemos que quem nos procura, procura experiências diferentes, que não encontra em mais sitio nenhum aqui», justificou Ana Mendes Godinho.

Este sinal de revitalização, para Rui André, presidente da Câmara Municipal de Monchique, «é importante porque representa uma passagem pro-ativa daquilo que foi um período difícil. Desde a primeira hora que temos procurado, com diversos parceiros, como é o caso do governo, olhar para o futuro», afirmou. O autarca destacou ainda que Monchique tem vindo a apostar em quatro pilares para impulsionar o turismo e que se integram na «estratégia regional de complementaridade da oferta do sol e da praia», como o turismo de natureza, a gastronomia, a cultura e a saúde e bem-estar.
Durante a sessão, foi ainda assinado um acordo com a associação Safe Communities Portugal, através do presidente David Thomas. O responsável ressalvou que a segurança e a proteção são aspetos muito importantes para os residentes, mas também para os turistas, e que Portugal tem bons indicadores, como é o caso da descida da taxa de criminalidade no país.
Já na manhã de terça-feira, a governante tinha participado numa sessão de divulgação dos instrumentos de apoio ao investimento no turismo para identificar oportunidades na região.
Turismo ao longo do ano está a crescer
No dia em que havia a grande decisão sobre o acordo do Brexit, Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, em Monchique,explicou que os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que, no acumulado da atividade turística até novembro, «Portugal está com um crescimento de cerca de seis por cento em termos de número de hóspedes e de proveitos turísticos», sendo que o Algarve faz parte desta tendência».
«Temos tido, em termos de evolução da procura turística no Algarve, uma tendência para alargar cada vez mais o turismo ao longo de todo o ano. Os últimos dados, divulgados na semana passada, em relação ao Aeroporto de Faro apontam para um crescimento dos passageiros desembarcados em época baixa», justificou. Em dezembro, aliás, segundo a governante, houve um aumento de 23 por cento do número de passageiros desembarcados em Faro, muito resultante da capacidade de reposição do que havia sido perdido em virtude de falências das companhias aéreas Air Berlim ou Monarch. Ligações competitivas e ligações a mercados importantes têm sido a receita de sucesso para recuperar dessas perdas.
A governante desvalorizava um pouco o que poderia advir com o Brexit, horas antes do chumbo do acordo no parlamento inglês. «Vemos no acumulado até novembro, menos turistas britânicos a vir para Portugal, mas com aumento da receita. Ou seja, estamos a conseguir que estes visitantes estejam disponíveis e deixem mais valor no território, que é o que interessa ao posicionar Portugal como um destino de qualidade e não de massas», afirmou.
«Temos estado a identificar os vários cenários que o Brexit pode comportar. Hoje foi apresentado um plano de contingência na componente empresa. Já tinha sido apresentado um relacionado com os cidadãos. O governo criou uma linha de apoio financeiro de apoio às empresas para poderem suportar [possíveis perdas], mas o governo está também a trabalhar no sentido de minimizar ao máximo os impactes que o Brexit possa ter para Portugal. A par disso estamos a fazer uma campanha de promoção no Reino Unido para reforçar a confiança, através de operadores turísticos ingleses e com campanhas especiais nas companhias aéreas, [usando] esta ligação histórica que temos a este mercado para garantir que continuamos com estas ligações competitivas», enumerou.



