Câmara Municipal de Lagoa tenta devolver algas ao mar para que a praia esteja limpa a tempo da festa Carvoeiro Black & White.
Com a festa do «Black & White» a aproximar-se, a Câmara Municipal de Lagoa está a tentar limpar a Praia do Carvoeiro da enorme quantidade de algas (Rugulopteryx okamurae) que chegaram ao areal no último fim de semana.
Os trabalhos de limpeza, que estão a ser feitos com recurso a uma máquina, começaram na terça-feira, dia 13, por volta das 8h30 da manhã e vão decorrer o tempo que for necessário até que a praia esteja limpa, segundo o vereador com o pelouro do Turismo, Praias e Litoral, Parque de Máquinas e Viaturas, Mário Guerreiro, ao barlavento.
«Estamos a tentar devolver as algas ao mar, aproveitando a nortada que se avizinha», esclareceu o responsável, ao acrescentar que essa «foi a base para se optar por esta solução conscientemente provisória».
Ainda que no final de época do no ano passado a autarquia lagoense tenha retirado na totalidade os limos do areal, por agora não irá repetir esse procedimento, dado que não seria concluído a tempo da realização do evento Carvoeiro Black & White que traz milhares de pessoas às ruas de estância e requer três dias para que seja montada toda a estrutura, referiu o vereador.
Neste momento, «não havia alternativa. Esta era a única solução para ter a praia pronta a tempo da festa», explicou Mário Guerreiro ao salientar que embora as algas se tenham começado a acumular no domingo, os serviços do município tiveram de aguardar que a maré estabilizasse para poderem intervir.
A verba que terá eventualmente de ser gasta caso seja necessário retirar estas algas várias vezes durante o verão está a «preocupar muito» o executivo, admitiu o presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Luís Encarnação, sublinhando que «este fenómeno pode repetir-se, no mínimo, 10 vezes este ano».
Para o autarca, «a limpeza da praia não é uma solução sustentável», declaração que faz com base em dados de entidades especialistas com as quais o município de Lagoa está a trabalhar, nomeadamente o Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve (UAlg) e a Universidade de Sevilha.
Esta «não é a solução final e temos consciência de que não é a ideal, porém não temos a melhor. É um problema novo que não sabemos como lidar», revelou Luís Encarnação destacando que «está a ser feita uma experiência para tentar perceber se ao devolver ao mar, a natureza resolve o problema, aproveitando as condições de vento e maré, porque existem mais 15 praias no concelho de Lagoa onde não vai ser possível recolher as algas, dada a impossibilidade de acesso com as viaturas».
A intervenção «urgente e provisória» tem um custo de 1.700 euros mais IVA, «bem diferente dos custos da intervenção em 2022 e do valor que importaria igual intervenção agora», notou Luís Encarnação, ao comentar que limpar a praia tem um custo de 50 mil euros, sendo necessário recorrer à contratação pública porque «o município não tem meios próprios para fazer o serviço».
«Em 2022, elaboramos um relatório que foi entregue ao ministério do Ambiente e alertou todas as entidades algarvias com responsabilidade na matéria porque isto é um problema com repercussões para o turismo e para a economia da região do Algarve, sendo uma questão nacional, tendo em conta o contributo que o turismo algarvio dá para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional», frisou o autarca.
Solução preocupa comerciantes
Ao que o barlavento apurou, a resposta da autarquia ao problema, contudo, não convence os comerciantes preocupados com o odor que já se faz sentir e preveem agravar-se no decorrer do tempo.
«Temos receio que fique mau cheiro. Isto é varrer o lixo para baixo do tapete», expressou um lojista ao frisar que «é demasiado limo para simplesmente se tentar devolver ao mar».
Muitos defendem que a ação da Câmara Municipal de Lagoa «não faz muito sentido», argumentando que a alga japonesa «irá acabar por regressar ao areal».
Outros consideram que a razão do método adotado deriva do valor monetário dispendido pela autarquia em 2022.
Remover as algas da praia tem elevados custos, tendo sido pagos 25 mil euros, no ano passado, pelas 400 toneladas removidas, com recurso a duas máquinas giratórias e 40 viagens de camião.
No último verão, a altura da acumulação desta alga invasora ultrapassou os dois metros (m), já este ano atingiu à volta de 1,20 m.
Tanto Luís Encarnação como Mário Guerreiro não descartam a possibilidade de ser necessário recorrer ao procedimento do ano passado, se a vila de Carvoeiro voltar a ser atingida por esta praga marinha.
Carvoeiro Black & White é um evento de entrada gratuita, com sete palcos e diferentes estilos musicais, desde a Bossa Nova, Chillout, Fado a ritmos Afro Roots, bem como covers dos anos 70 e 80 e ainda animação de rua.


