A intenção da Câmara Municipal de Portimão é utilizar parte do espaço disponível entre a Praia do Vau e as Quatro Estradas, área denominada por UOPG 1 para criar um Corredor Verde que pode chegar aos 80 hectares. A proposta, que já tinha sido tornada pública no programa eleitoral do Partido Socialista (PS) de Portimão, às eleições autárquicas de 2017, e prevista no âmbito da revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), que ainda terá de ser alvo de consulta pública, será de novo referida na próxima Assembleia Municipal, marcada para esta sexta-feira, 27 de julho, no âmbito da discussão de uma petição popular para a criação de um Parque Verde naquela área da cidade.
Ao que o «barlavento» apurou, no total, esta área abrange 180 hectares, onde se incluem terrenos de privados, mas também 40 hectares que são propriedade da autarquia e que, no passado, tinham sido cedidas ao Grupo Lena para construção do Complexo Desportivo, no Barranco do Rodrigo. A verdade é que este grupo acabou por interpor um processo contra a autarquia e o projeto caiu.
Agora, a Câmara Municipal de Portimão resolveu dar novo destino ao espaço, sendo que uma das apostas é criar um corredor verde que pode chegar aos 80 hectares, com espaços para a prática de desporto ao ar livre, modos de circulação suave, como bicicleta, podendo, no futuro, vir a integrar um equipamento desportivo, segundo avançou fonte da autarquia. Esta é uma proposta que, vai também ao encontro daquela que é uma ambição da população de ter espaços verdes e dar outra utilidade ao local que outrora era conhecido como «Palácio» e que era uma das zonas mais intensas de tráfico de droga no Barlavento algarvio. Daí a importância deste projeto para a autarquia, conforme explicou a mesma fonte, pois o objetivo é criar diversos espaços, diluídos por aquela área, quer para a preservação da natureza, quer para dar condições para valorizar o bem-estar da população.
Ainda assim, terão que ser definidos os exatos espaços que serão verdes, uma vez que nos 180 hectares há diversos terrenos privados, sendo que a autarquia terá que ouvir os proprietários, durante a discussão pública da revisão do PDM para poder chegar a acordo. Até porque a Câmara tem também os 40 hectares na zona do Barranco do Rodrigo, que podem servir também para algum tipo de concessão.
Esta aposta nos espaços verdes não fica, porém, por aqui, pois a Câmara Municipal de Portimão tem, além de outras soluções, três que considera importantes. Uma é a já anunciada revitalização de 20 hectares na zona da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Companheira, que liga à zona ribeirinha, mediante a secagem das lagoas de lamas provenientes da antiga infraestrutura, agora desativada, desde que a nova entrou em funcionamento, no início de abril.
Em parceria com a empresa Águas do Algarve, este espaço será reconvertido em parque ambiental, com um percurso pedestre de ligação à zona ribeirinha. A segunda solução consiste no propósito, que se mantém, de requalificar o espaço junto ao Mercado Municipal, ocupado na atualidade por famílias de etnia cigana, edificando-se um Parque Verde Urbano numa zona mais central da cidade e que ocupará uma área ainda considerável.
Por fim, e como terceira e última medida, considerada de especial importância, até porque será realizada em parceria com o Zoomarine, este ano, serão plantadas cinco mil árvores no concelho, duas mil das quais na zona de apoio naval, sendo que ainda se estuda a localização das restantes três mil árvores. O projeto prevê que até ao fim do mandato sejam plantadas cerca de 20 mil árvores na área do município de Portimão.