Para André Gomes a taxa turística, já cobrada por alguns municípios, vai funcionar como «um estímulo à economia local».
O novo presidente do Turismo do Algarve, André Gomes, tomou posse na terça-feira, dia 1 de agosto, numa cerimónia realizada no Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão.
No uso da palavra, Gomes acredita que a taxa turística, poderá permitir o investimento «em estratégias que atraiam a atenção de empresas e investidores», bem como a promoção da região algarvia «como um destino turístico atraente e de excelência para sediar infraestruturas e eventos internacionais».
A taxa turística cobrada por alguns municípios do Algarve deverá ser, para o novo presidente, uma «fonte de financiamento adicional para a promoção turística e desenvolvimento de infraestruturas capazes de dar resposta às necessidades e vivências», tanto dos residentes como turistas e, como tal, justifica-se que se expanda a outros concelhos.
Deste modo, será possível «investir em estratégias que atraiam a atenção de empresas e investidores e promover o Algarve como um destino turístico atraente e de excelência para sediar infraestruturas e eventos internacionais», reforçou.

E deverá ser «um estímulo à economia local», dado que a região tem beneficiado de um aumento do número de turistas como consequência da realização de diversos eventos internacionais de grande dimensão que beneficiam «hotéis, restaurantes, comércio e outros setores, criando empregos temporários e permanentes na região, fortalecendo a imagem do nosso destino e gerando impactos positivos a longo prazo».
Por sua vez, Nuno Fazenda, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, aproveitou o momento para anunciar «um reforço extraordinário de mais três milhões de euros para a promoção turística e de eventos» na região, montante que será usado ainda este ano e no próximo.
O governante revelou que este reforço será destinado, em parte, ao «maior encontro de agentes de viagens e turismo da Alemanha», devido ao esforço conjunto do governo português e da Entidade Regional de Turismo do Algarve, bem como à «Gala Michelin Star Revelation» que terá lugar pela primeira vez em Portugal.
Apesar de esta novidade ter sido bem recebida pelos presentes, André Gomes não se mostrou convencido com o orçamento das regiões de turismo que, na sua opinião, deveria ser à volta de 5,5 milhões de euros, «um valor bem mais realista do que os exíguos 4,1 milhões de euros destinados pelo Estado à região de turismo mais importante do país, aos quais acrescem ainda as cativações que estrangulam o nosso orçamento e, por conseguinte, a promoção de um território que contribui como nenhum outro para aquele que é por todos assumido como um dos motores da economia portuguesa».

O novo presidente destacou ainda a necessidade da aposta numa «estratégia articulada de gestão dos postos de turismo da região, que possa ser compatibilizada com a criação de uma rede nacional, numa articulação estreita com os municípios e assente em princípios de viabilidade económica e financeira».
E recordou que «os postos de turismo da região do Algarve desempenham um papel crucial na prestação de informação, tendo em conta que realizam cerca de meio milhão de atendimentos presenciais por ano», apesar de não existir um «modelo específico e uniforme de gestão» para estes equipamentos.
Também foi considerado um apoio monetário para as micro, pequenas e médias empresas que contarão com 257 milhões de euros para «a inovação e competitividade, no que se refere à criação e desenvolvimento de novos produtos, serviços ou processos, melhoria organizacional e sua introdução na atividade económica», valor definido no próximo Programa Regional Algarve 2030, referiu André Gomes ao argumentar que «o Algarve tem demonstrado uma grande eficácia na boa execução dos fundos» europeus.
Na tomada de posse dos órgãos sociais da Região de Turismo do Algarve 2023-2028 estiveram presentes mais de 300 convidados, entre os quais o ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, a secretária de Estado das Pescas, Teresa Coelho, e o secretário de Estado do Ambiente, Hugo Pires.

Por fim, André Gomes predispôs-se a «assegurar que o Algarve tem uma voz audível e é ator principal no seu próprio destino», ao longo do seu mandato de cinco anos.
«Um novo ciclo»
A Região de Turismo do Algarve (RTA), responsável pela promoção em Portugal e Espanha do principal destino de férias do país, tem uma nova comissão executiva. André Gomes lidera a equipa nos próximos cinco anos, para um «novo ciclo» que exigirá mais atenção por parte tutela e mais verbas para esta entidade. Tal como já tinha afirmado em entrevista ao barlavento, comprometeu-se a ser «firme e determinado perante os poderes públicos nacionais, na defesa dos interesses da região».
O novo presidente mostrou-se ainda empenhado na luta pela sustentabilidade do território e na procura de soluções para a falta de água no sul do país.
«Existem muito bons projetos estruturais já em curso, como o aproveitamento de águas residuais tratadas, o reforço do sistema multimunicipal e a aposta em novas origens de água. Também o sector privado está a fazer a sua parte. Mas é preciso atrair mais investimento do sector das águas para mitigar o grave problema da escassez e permitir maior poupança deste recurso fundamental à vida e ao turismo», afirmou.
Novos órgãos sociais da RTA
André Gomes, de 43 anos, lidera a comissão executiva da RTA, contando na direção com Fátima Catarina (vice-presidente), Alberto Mota Borges (membro da comissão executiva), Vítor Guerreiro (membro cooptado em representação dos municípios) e José Matias (membro cooptado em representação das entidades privadas com interesse no desenvolvimento da atividade turística).
Na ocasião, tomaram ainda posse os membros da Mesa da Assembleia Geral da RTA. Hélder Martins, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), ocupará o lugar de presidente da mesa, enquanto Isolete Correia, presidente da Associação Portuguesa de Portos de Recreio, assumirá a função de secretária da mesa.

«Tendo em consideração a conjuntura nacional e internacional, entramos hoje num ciclo onde a atuação da RTA é ainda mais importante. Questões da economia internacional, com diferentes problemas, reforçam ainda mais a necessidade de uma presença forte da maior região turística nacional junto dos parceiros e clientes finais», afirmou Hélder Martins na cerimónia de tomada de posse dos órgãos que terão na sua alçada a promoção da região com maior procura turística de Portugal.