Moda Vestra termina em Faro, mas com novo disco na calha

Após ter percorrido o Algarve, o espetáculo Moda Vestra, que junta Ana Perfeito, João Frade e Rafael Correia (Sickonce) a Emanuel Marçal e Paulo Machado, chega ao fim com um último espetáculo no Teatro Municipal de Faro, no sábado, dia 2 de março, às 21h30.

No entanto, segundo revelou o acordeonista João Frade ao «barlavento», não será a despedida, pois já há propostas para novas atuações no Algarve, noutras regiões do país e até no estrangeiro. Mas antes disso os artistas farão «um balanço», durante o qual gravarão um disco, cujo lançamento está pré-agendado para maio. «Será em CD e vinil», com uma caixa muito especial criada pelo Projeto TASA.

Terá também weblinks de acesso aos efeitos visuais que fazem parte desta criação, alguns semelhantes aos que foram exibidos durante os vários espetáculos, outros criados propositadamente para o disco.

Em Faro, para além de todo o elenco, vão estar em palco dois convidados muito especiais: Edgar Valente e Napoleão Mira. E haverá uma música totalmente inédita, uma estreia absoluta.

Moda Vestra surgiu de um desafio da Rede Azul – Rede de Teatros do Algarve lançado aos músicos João Frade e Rafael Correia (Sickonce), diretores artísticos do projeto. De imediato se juntou a artista visual Ana Perfeito e depois os músicos Emanuel Marçal e Paulo Machado, que têm acompanhado não só a digressão algarvia como todo o processo criativo.

Para Rafael Correia, o seu envolvimento foi um desafio pessoal permanente. «Tive mesmo de sair da minha zona de conforto e experimentar o que é trabalhar para algo que está em permanente crescimento. O projeto tem sido construído em paralelo com ensaios e espetáculos, e hoje é muito diferente do que era quando começámos. A verdade é que só nos fomos conhecendo praticamente ao vivo, durante as atuações».

A artista visual Ana Perfeito concorda. «Moda Vestra é um espetáculo criado por artistas algarvios, sobre o Algarve, aberto a várias interpretações do que se ouve e vê. Misturamos várias linguagens, a da música mais tradicional a que se juntam outros instrumentos, à da música eletrónica e ao cinema ao vivo, algo que nem é bem cinema nem VJ».

Para João Frade «Moda Vestra é uma forma que os três artistas encontraram para transmitir ao público a sua interpretação do Algarve do século XXI. Um projeto que se constrói construindo-se! As pessoas vão-se conhecendo, entram nos universos artísticos umas das outras, invadem territórios alheios, percebem o que têm lá plantado, e no final, trazem de lá algo que permita fazer pontes de ligação às nossas próprias linguagens». O resultado, segundo o acordeonista, é que «hoje já conseguimos criar um projeto de conjunto, que me soa fresco, e que embora tenha influências estéticas variadas é, na verdade, único».

Único para o público e para os artistas, como esclarece Rafael Correia. «Não reconheço em Moda Vestra nada do que eu já tivesse feito anteriormente. O João também não, a Ana também nunca tinha explorado uma linguagem como a que apresentamos neste projeto». Os três artistas concordam que «a parte visual catapultou a música para outros patamares», referiu João Frade. Como? Ana Perfeito explica: «com o Algarve como tema geral, eu tinha ideias em relação a visuais, trabalhava-as e enviava-lhes vídeos. Com base nessas imagens, os músicos tinham algumas ideias sonoras que partilhavam comigo e que me faziam pensar em mais e em novas dimensões e mundos visuais. Foi um método de criação orgânico, nada rígido. No início, não sabíamos muito bem para onde ir, fomos avançando com uma ideia de Algarve».

Os cinco artistas sublinham que cada apresentação pública foi e continuará a ser diferente das anteriores e, como tal, nunca há nada totalmente consolidado, à excepção de quatro períodos que o espetáculo percorre: a tradição, a busca desenfreada pelo desenvolvimento e pelo turismo, a perda total do controlo da situação e o estado de caos, e, por fim, e talvez a mais importante, a tentativa de encontrar um novo equilíbrio. Uma mensagem para o presente? A verdade é que os criadores estão muito satisfeitos e até orgulhosos, e admitem que as expectativas iniciais têm vindo a ser superadas, cada vez que pisam um palco.

«No fundo, está longe de estar tudo terminado. Há sempre margem para continuar a evoluir e melhorar», acrescenta João Frade. Rafael Correia destaca a surpresa do público, de idades e origens diferentes. «Há salas onde se batem palmas entre todas as músicas, há outras onde só aplaudem no fim. Mas achamos normal, porque Moda Vestra é um espetáculo muito aberto». «A proposta é mesmo essa. Há um lado avant-garde mas ainda assim, as pessoas mais idosas adoram e identificam-se com o que fazemos», conclui João Frade.

Moda Vestra conta com o apoio da Rede Azul – Rede de Teatros do Algarve, do programa de animação cultural em época baixa «365 Algarve», dos municípios de Albufeira, Castro Marim, Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, Olhão, Portimão, São Brás de Alportel, Silves e Tavira, além da Mito Algarvio – Associação de Acordeonistas do Algarve, da Proactivetur – Projeto TASA, da Direção Regional de Cultura do Algarve e do Turismo de Portugal.

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