Cine-Teatro Louletano apresenta programação direcionada à comunidade educativa

As propostas têm como público-alvo alunos e docentes de diferentes níveis de ensino, ligados ou não ao ensino musical.

O Cine-Teatro Louletano reforçou a sua programação artística destinada ao universo escolar para a presente temporada, que decorre entre janeiro e julho deste ano, apresentando diversas propostas na área da música, dança, teatro e multidisciplinar que vão do pré-escolar ao 2º e 3º ciclos, todas elas em estreia no Sul do país.

O Cine-Teatro é coprodutor de uma parte considerável das mesmas, continuando assim a sua declarada política de apoio à criação e circulação nacionais. Todos os espetáculos a realizar no Cine-Teatro para a comunidade escolar serão, pela primeira vez, de entrada gratuita para alunos e docentes.

«A atenção aos conteúdos e formatos pensados para o público escolar tem sido uma tónica da estratégia de intervenção cultural do Cine-Teatro Louletano», a qual será agora incrementada ainda mais com a inauguração do Auditório do Solar da Música Nova, que teve lugar a 1 de fevereiro, sexta-feira, e cuja programação terá como enfoque central a mediação cultural e artística numa forte interação quer com as escolas do concelho quer com o Conservatório de Música de Loulé – Francisco Rosado, havendo inclusive um claro aumento do investimento na componente da formação dirigida aos profissionais da área do ensino.

Assim, e no que respeita a espetáculos, terá lugar a 5 e 6 de fevereiro, em estreia nacional no Cine-Teatro Louletano, «Elastic», uma peça de teatro sobre a amizade (numa espécie de concerto encenado com textos de poetas algarvios), do encenador João de Brito, dirigida a crianças do 3.º ciclo. Trata-se de um espetáculo integrado no programa cultural 365 Algarve.

Nas áreas da dança e música, são apresentadas a 26 e 27 de fevereiro quatro sessões da criação «Nocturno», que revisita o imaginário da noite e dos medos. Esta criação é assinada pela reconhecida pianista Joana Gama e pelo prestigiado coreógrafo e encenador Victor Hugo Pontes, e destinada a alunos do 1.º ciclo. Já «Abel e Amália», da Vaivém Insuflável (da Associação Corpodehoje, sediada em Tavira), ocorrerá a 16 e a 17 de maio, novamente com quatro apresentações destinadas a alunos do 1º ciclo. «É um espetáculo, igualmente coproduzido pelo Cine-Teatro, que aborda a importância da positividade na vida, cruzando as linguagens teatral e coreográfica», explica-nos fonte da produção.

Para tratar as pertinentes questões da identidade e da igualdade de género, Catarina Requeijo, atriz e encenadora, ruma a Loulé com a peça de teatro «É pró menino e prá menina?» (também coproduzida pelo Cine-Teatro), dirigida essencialmente às crianças do pré-escolar, havendo ainda um workshop associado, sobre os processos criativos subjacentes a esta criação, para profissionais da área do ensino que trabalham estas temáticas com aquele público-alvo.

Para além dos espetáculos dirigidos às escolas, «está prevista igualmente uma programação paralela que incide na dimensão da mediação artística, com a realização de debates, tertúlias, concertos comentados, conferências performativas e formações de cariz intensivo, numa estreita articulação em rede entre o Cine-Teatro e o novo Auditório do Solar da Música Nova, espaço predominantemente vocacionado para essa vertente de aproximação dos públicos às artes performativas».

No que concerne à formação, o objetivo central é privilegiar a arte para a infância (aposta do Cine-Teatro desde 2017) com várias propostas que visam dotar os educadores, mediadores, artistas e outros profissionais que trabalham com crianças entre os 0 e os 10/12 anos de estratégias e ferramentas que lhes permitam um desempenho qualitativamente diferenciador, atualizado e impactante.

Assim, a reconhecida Companhia de Música Teatral (Lisboa) promove, de 18 a 20 de fevereiro, a formação transitiva GermInArte, em três módulos de três horas cada, em regime pós-laboral, dirigindo-se a educadores, mediadores, músicos e outros artistas com interesse pela criação dirigida à infância. A ação terá lugar no Auditório do Solar da Música Nova, em Loulé, sendo igualmente realizada nos mesmos dias, no período da manhã, na Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve (parceira do Cine-Teatro Louletano nesta aposta na arte para a infância) com alunos da licenciatura em Educação Básica e do mestrado em Educação Pré-Escolar.

A mesma Companhia de Música Teatral volta a Loulé entre 1 e 7 de julho para uma nova formação imersiva, denominada «Jardim Interior» e destinada ao mesmo público alvo, desta vez em regime diurno, a qual se realiza pela primeira vez fora de Lisboa depois de três anos de ocorrência, com assinalável impacto e sucesso, na Fundação Calouste Gulbenkian.

O projeto «GermInarte – Transformação Artística para o Desenvolvimento Social e Humano a partir da Infância», apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian entre 2015 e 2018, «trouxe uma série de reflexões e de práticas de formação de caráter artístico e educativo visando a qualificação de profissionais em contato com a infância». Essas mesmas experiências e saberes serão partilhados por Helena Rodrigues, da já aludida Companhia de Música Teatral, na conferência «Florir a Sul: Formação em Arte para a Infância Pós – Germinarte», no dia 28 de março, pelas 21h30 no Auditório do Solar da Música Nova.

No mesmo espaço terá lugar, entre 18 a 24 de março, uma semana exclusivamente dedicada à música clássica (num ciclo programático inclusivo que incide em diferentes áreas/estilos musicais) e à ideia subjacente de a «descomplicar», para a qual foi convidado o reconhecido maestro, pedagogo e comunicador Osvaldo Ferreira, que, juntamente com vários convidados, irá dinamizar diversos formatos de aproximação informal ao universo da música erudita.

Nesse âmbito, «A música clássica em 60 minutos?» é a conversa performativa que Osvaldo Ferreira vai realizar em contexto escolar com turmas do 2º ciclo (5º e 6º anos) num total de seis sessões, entre 19 e 21 março. Além de talks, concertos comentados e uma carta-branca que contará com 11 músicos convidados a decorrer nessa semana, o prestigiado maestro ministra uma masterclass sobre novas metodologias para o «Ensino das cordas/método Suzuki: 25 anos em Portugal», a qual acontece no dia 23 de março, no Auditório do Solar da Música Nova, direcionada para alunos e docentes do ensino especializado da música.

Já entre 16 e 18 de maio será a ver de Pedro Jóia, o nome maior da guitarra clássica em Portugal, marcar presença também no Auditório do Solar da Música Nova, para explorar os mistérios e as potencialidades daquele instrumento, não apenas no concerto comentado ou na masterclass destinada a alunos e docentes de música – o músico estará também disponível para se deslocar às escolas, em quatro sessões em modo de conversa performativa com alunos do 2.º ciclo.

A articulação do Cine-Teatro Louletano com o contexto educativo resulta de uma estreita colaboração interna entre este equipamento cultural e a Divisão de Educação e Juventude do município.

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