Presidente da Câmara Municipal de Faro garante que o grupo de nepaleses, indianos e bangladeshianos em internamento no pavilhão gimnodesportivo da Escola EB 2,3 de Santo António do Alto está a ser acompanhado de perto. Ainda assim, pede a todos os munícipes para ficarem em casa.
«Não sei o que é que o governo vai fazer, mas acho que devíamos passar para um patamar diferente porque isto vai ser exponencial. A minha mensagem é que toda a gente fique em casa», disse Rogério Bacalhau esta tarde ao barlavento, a propósito da quarentena do grupo de estrangeiros, trabalhadores das estufas do concelho, agora confinados ao Pavilhão Gimnodesportivo da Escola EB 2,3 de Santo António do Alto.
O autarca farense, apesar de recusar alarmismo, não que esconde que «social e economicamente, isto vai ser muito mau. Vai haver despedimentos, empresas que não conseguem pagar aos seus trabalhadores e portanto os efeitos vão chegar a todos. Ninguém sabe qual é a dimensão desta crise económica e financeira que aí vem. Temos que conter esta situação. É nesse sentido que o governo e o Presidente da República têm de fazer qualquer coisa. Sozinhos não fazemos nada, mas todos juntos vamos ultrapassar isto certamente», considera.
Rogério Bacalhau confirma que são agora 10 os casos de infetados com o novo Coronavírus (COVID-19).
Em relação ao grupo de trabalhadores rurais, «a informação que tenho de hoje às 9h30 do Delegado de Saúde é que há apenas um caso, o inicial, que ontem deu entrada no Hospital de Faro, vindo da comunidade que temos em quarentena. Até hoje de manhã não havia mais nada confirmado».
«Ontem foi referenciado e com base nisso fez-se a análise da situação. Foi-nos pedido para arranjar um local para colocar aquela comunidade. Foi isso que fizemos e ontem à noite efetivou-se essa diligência», recorda.
A decisão foi tomada pela Autoridade Local de Saúde «Eles estão confinados ao pavilhão. Têm lá a PSP a guardar o local para que ninguém saia ou entre. A Autoridade Local de Saúde está a fazer o acompanhamento e portanto aquilo que a entender por bem, e que nos peça, estamos à disposição para ajudar», garante.
Neste processo, «tivemos a ajuda dos Bombeiros Sapadores e dos voluntários da Cruz Lusa. O Moto Clube também ajudou. Montámos um dispositivo de forma a receber as pessoas. A Cruz Vermelha está a fornecer a alimentação e estamos a fazer o acompanhamento para que estejam o mais confortáveis possíveis», garantiu.
Em relação à gestão da crise ao nível do concelho, Bacalhau avança que «em função das necessidades, tomaremos as medidas que forem necessárias. Antes de ontem não tínhamos esta situação, ontem tivemos. Agimos e é o que estamos a fazer. Se aparecerem outras situações, em função das necessidades, agiremos».
O edil sublinha a necessidade de os munícipes se recolherem o máximo possível.
«Só se sai para trabalhar porque há serviços que têm de estar ativos como o fornecimento de água Há muita coisa que tem de ser mantida com o esforço de todos, mas tirando isso, as pessoas têm de ficar em casa obrigatoriamente porque é a única forma de combatermos a situação», aconselha.
«Sair de casa para trabalhar, só quando é essencial, ou para ir ao supermercado, sem contacto com mais ninguém, ou para ir a farmácia. Tudo o resto é ficar em casa, ficar em casa, ficar em casa», sublinha.
«Acho que só há uma solução: fechar tudo, parar, ficar obrigatoriamente em casa, esperar todas as semanas e no final tentar retomar a vida normal porque isto vai-se prolongar durante muito tempo. Temos de tomar medidas, mesmo que sejam duras, porque o que aí vem não vai ser fácil de certeza absoluta», prevê.