Números comparam a criminalidade nos últimos cinco anos e foram revelados pela PSP na presença do ministro da Administração Interna.
O auditório da Câmara Municipal de Lagos foi o local escolhido para acolher a cerimónia dos 136 anos da polícia no Algarve, na sexta-feira, 26 de agosto, momento em que Dário Prates, superintendente e comandante distrital, aproveitou para fazer uma retroespetiva da atividade policial e uma análise dos desafios atuais para o Comando Distrital de Faro da Polícia de Segurança Pública (PSP).
No uso da palavra, e na presença de Manuel Silva, diretor nacional, Dário Prates começou por revelar que, comparando os anos de 2019 e 2022, em contexto de pré e pós pandemia, «verificamos um aumento da criminalidade geral de 1,6 por cento, abaixo do valor nacional de 2,5 por cento, e uma diminuição da criminalidade violenta e grave de 7,6 por cento, estando ao nível nacional a -7,8 por cento. No distrito de Faro, o peso relativo da criminalidade registada na área da responsabilidade da PSP é de 28 por cento da criminalidade geral e de 38 por cento da criminalidade violenta e grave».
Já em relação aos primeiros sete meses do corrente ano, e ainda com dados provisórios, o comandante detalhou existir um aumento de 17,1 por cento na criminalidade geral e de 6,1 por cento na criminalidade violenta e grande. Uma possível justificação, referiu, pode estar «associada à proatividade policial de +21,7 por cento e a um aumento substancial de detidos de 27,4 por cento. Comparando com o período homólogo de 2019, verificamos que, no presente ano, existem mais crimes registados (+1,6 por cento) e menos crimes violentos e graves (-7,6 por cento)».
Os crimes de furto de oportunidade, de veículo motorizado, em edifício comercial sem arrombamento, e por carteirista, são os crimes com maior aumento em 2022, quando comparado com 2021. E, por outro lado, os crimes de furto em residência, em edifício comercial com arrombamento, desobediência e furto em veículo motorizado, foram os que maior diminuição apresentaram no mesmo período.
Sobre a atividade operacional do Comando Distrital, o ano de 2022 totalizou 791 operações de fiscalização rodoviária (cerca de duas por dia) e 1184 operações policiais (três operações por dia), correspondendo a 109 por cento dos objetivos delineados. A estes números juntam-se 3272 ações de sensibilização e prevenção criminal e a conclusão de 5469 inquéritos para investigação.
No passado ano, a PSP realizou 95 buscas no Algarve, apreendeu 47 armas e valores monetários acima dos 124 mil euros. Quanto à apreensão de droga, esta ascendeu a um valor superior a 90 mil euros, tendo resultado na detenção de 257 suspeitos, metade deles em flagrante delito por diversos crimes.

Crédito: João Lázaro.
Presente na cerimónia esteve José Luís Carneiro, ministro da Administração Interna, que também aproveitou o momento para detalhar alguns números.
«Entre janeiro e o dia de hoje, foram controlados mais de 3,5 milhões de cidadãos na fronteira o Aeroporto de Faro. Só isto mostra bem a dimensão do trabalho e da responsabilidade que estará comedida à PSP, no primeiro ano em cooperação e em afetação funcional dos funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), mas sempre transitoriamente até à assunção plena que ocorrerá em 29 de outubro próximo. É neste contexto que o diálogo estreito com os autarcas e interlocutores fundamentais para a definição e implementação das políticas públicas de segurança a nível local, é fundamental numa estratégia de segurança integral, multidimensional e multinível», revelou
Novos investimentos do MAI: bodycams, alojamentos e aumento de salários
No seu discurso, o governante fez questão de salientar quais os investimentos do governo, a breve trecho, para as forças de segurança. «Temos previsto, até 2026, um investimento superior a 607 milhões de euros destinados a modernizar as infraestruturas e materiais, dando melhores condições de dignidade fundamentais ao seu sucesso operacional. Desses, são 250 milhões de euros para requalificar as infraestruturas relacionadas com as esquadras, postos territoriais, destacamentos e comandos», começou por dizer.
«Previstos estão também 64 milhões para a modernização das infraestruturas e condições de transporte para a mobilidade da PSP. Nesse pacote, insere-se o investimento superior a 5 milhões de euros em 10 mil bodycams, câmaras para proteção da polícia em relação às agressões de que têm sido objeto, mas também de proteção aos cidadãos relativamente ao uso profissional e adequado da força utilizada pelas autoridades. Trata-se de um concurso público que já se encontra a decorrer e muito gostaríamos de contar com a sua celeridade», revelou.
O governante realçou ainda que, em 2022, «adquirimos três novos edifícios por 20 milhões de euros, com ótimas condições para alojar mais 300 polícias, encontrando-se também em curso um investimento de mais de 40 milhões de euros para a PSP e GNR para novas condições de alojamento. Estamos a falar de cerca de 8 milhões de euros que vão de Faro até Chaves. Além disso, a PSP tem cerca de 300 alojamentos com investimento de requalificação e construção de novos edifícios em terrenos que nos têm sido cedidos pelos municípios».
«Com este esforço, teremos, até 2025 e de acordo com as nossas expetativas, mais de 1500 alojamentos para a PSP e GNR, dando uma resposta mais qualificada. Além disso, há ainda acordos a serem celebrados com várias autarquias de forma a que propiciem condições de vida mais adequadas aos nossos polícias, como a não aplicação de impostos municipais», assegurou.
Por fim, Carneiro sublinhou a melhoria das condições salariais. «Temos em curso uma valorização de cerca de 20 por cento entre 2023 e 2026. O que significa que um jovem que hoje tenha o 12º ano e entre para a PSP, leva ao fim do mês 1100 euros líquidos. Ao fim do segundo ano vai para 1150 euros e no terceiro está com 1200», enumerou.
«Isto sem contabilizar o aumento previsto de 20 por cento até 2026. E acabámos de autorizar as promoções legítimas dos elementos das forças policiais, num investimento de mais de 10 milhões de euros por ano», concretizou no uso da palavra.
Falta de recursos humanos é um desafio
Todas estas medidas anunciadas pelo ministro têm também em vista a captação de novos profissionais, uma vez que a falta de recursos humanos e a média elevada de idades dos polícias em funções está a tornar-se uma preocupação no Comando Distrital de Faro, tal como Dário Prates fez questão de deixar claro.
«Um dos desafios para a PSP no Algarve é a renovação de recursos humanos. O Comando Distrital de Faro possui hoje 806 polícias. Temos uma média de idades de 47,65 anos, em que apenas 5,6 por cento do nosso efetivo é do sexo feminino».
Por exemplo, a esquadra de Lagos tem um efetivo de 62 polícias e uma média de idades de 48,76 com somente duas pessoas do sexo feminino.
«Mais, metade destes polícias têm mais de 50 anos e cerca de 1/3 (18) têm mais de 55 anos, com a possibilidade de virem a ser, a pedido, dispensados de serviço noturno, conforme prevê o estatuto de pessoal da PSP. É, pois, imperioso manter a renovação dos recursos humanos como um desafio estratégico para a PSP e para o Comando Distrital de Faro», referiu ao microfone.
Na mesma cerimónia foi assinado um protocolo entre a Câmara Municipal de Lagos, na pessoa do presidente Hugo Pereira, e Dário Prates, que prevê a instalação de um sistema de videovigilância na zona histórica da cidade, tal como o barlavento noticiou.