Verão já chegou, mas enfermeiros ainda não

«Summer is coming... but there is still a lack of 500 nurses in the Algarve», diz o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) este mês aos turistas.
Nuno Manjua, coordenador regional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) no Algarve.

Desde 21 de junho e durante um mês, dois autocarros urbanos, um da carreira «Próximo» em Faro, e outro da linha «Vai e Vem» em Portimão, vão mostrar por estas duas cidades algarvias, a caricatura de um doente mal tratado. A campanha, bilíngue, não é só para inglês ver, segundo explicou ao «barlavento» o coordenador regional do SEP Nuno Manjua.

«Estamos a alertar para uma situação de rutura, para a carência crónica de enfermeiros na região. Faltam cerca de 350 nas unidades hospitalares e 150 nos Centros de Saúde», sendo que no Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), «temos um mapa de pessoal de pouco mais de 1400 enfermeiros e precisaríamos de 1800. Isto é reconhecido pela administração. A verdade é que este governo tem utilizado a via burocrática para atrasar novas contratações», detalha.

Segundo Nuno Manjua, a ideia é passar esta mensagem de forma ambulante, criativa e prolongada no tempo. «Queremos alertar os turistas nacionais e estrangeiros. É também nossa intenção informar a imprensa estrangeira acerca desta campanha, ao longo deste verão, das situações de dificuldade. Aquilo que queremos é que no nosso Algarve, seja na época alta ou no resto do ano, haja respostas. Hoje, há apoios ao domicílio que são cancelados todos os dias, há horas e horas de espera nas urgências, há situações nos internamentos que só com muita dificuldade é que os colegas conseguem lidar. Estamos muito longe de ter uma dotação para dar qualidade e segurança aos doentes. E portanto, se durante o ano já temos grandes problemas, estes aumentam numa altura em que a população triplica».

Nuno Manjua esclarece também que se durante o verão, um turista sofrer um acidente, «se o socorro for feito pelo INEM, a ambulância irá sempre fazer o transporte para uma instituição pública», independentemente de ter, ou não, um seguro de saúde que lhe permita aceder à oferta do privado. «Irá sempre para um hospital público. Uma vez lá, em função da sua situação é que poderá, eventualmente, ser transferido para uma unidade privada». Mas no entender do sindicalista, «o sector privado não substitui, nem pode substituir aquilo que deve ser a resposta das instituições públicas na região ou no país. Muitos turistas, portugueses ou estrangeiros não têm seguros de saúde. E como sabemos, este não cobrem tudo e mais alguma coisa. Sabemos pela experiência que muitas pessoas vão primeiro ao privado mas, vendo que os custos são elevadíssimos, recorrem onde? Ao público». Além disso, o sector privado não dá resposta a todas as situações, sublinha Nuno Manjua.

Outro assunto que preocupa o SEP no Algarve é «a resposta do INEM na região. Já há muito tempo que temos vindo a lutar contra a perda daquilo que era a delegação regional do INEM e do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) de Faro, que o governo se comprometeu a reabrir até março de 2017. Hoje qualquer pessoa que ligue 112 será direcionada para o CODU de Lisboa. Ora, se a população triplica no verão, se temos mais situações de urgência, o tempo de atendimento das chamadas e o tempo do acionamento do meio de socorro vai aumentar. Assim como o sofrimento de quem precisa de ajuda. É tempo de vida que está a perder».

«E não deixa de ser um paradoxo estarmos a formar enfermeiros que são reconhecidos internacionalmente pela sua qualidade técnica e humana, que o nosso país deixa fugir para o estrangeiro. Não os contrata, apesar de fazerem cá falta. Como é possível o país deixar fugir bons profissionais que vão prestar cuidados aos cidadãos estrangeiros nos seus países, que quando visitam Portugal, não os têm cá». Ou seja, o SEP quer apelar à Região de Turismo do Algarve, que intervenha junto do governo, pois uma das preocupações de qualquer turista é saber quais as condições de segurança na saúde que existem no destino que escolhe.

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