Reversão do Centro Hospitalar do Algarve está a ser estudada

A possibilidade de reverter a fusão do Centro Hospitalar do Algarve está em cima da mesa, embora, para já, é apenas apenas uma proposta da Administração Regional de Saúde do Algarve. Ao «barlavento» João Moura Reis adiantou, à margem do seminário «Comunicação em Saúde – Direitos e Deveres, em Faro, na sexta-feira, dia 9, que está a ser feito «um estudo para ver se, porventura, há benefício na separação das duas unidades».

Segundo o responsável, o documento não está concluído, mas há indícios de que haverá vantagens na separação. Isto é, voltar a funcionar um Centro Hospitalar autónomo que integre Portimão e Lagos, e a criação de um Hospital Universitário na Unidade de Faro. «Achamos que poderá vir a beneficiar a saúde algarvia. Muitas vezes, não é só a questão que se põe do ponto de vista económico. Há também que gerir tipos de população com características diferentes, com necessidades diferentes. A população do Barlavento, do Algarve central e do Sotavento, tem características muito próprias», justificou João Moura Reis.

A proposta da ARS tem abertura por parte do ministro, na medida em que Faro se transformará num Hospital Universitário, o que na prática já acontece hoje, porque «há estudantes de medicina que lá fazem o seu internato».

Na visão de João Moura Reis, o que torna esta opção interessante é «a oportunidade de existirem duas carreiras, a de docente e a médica, a funcionar no mesmo sítio. Isto pode fixar médicos e criar maior atração daqueles que se formam aqui no Algarve».

«Enquanto isto não tiver feito, mantêm-se as duas estruturas da forma em que têm estado a funcionar. Não é por eu ter feito a proposta que vai haver grande alteração ao funcionamento do CHA», esclareceu Moura Reis. O responsável admitiu, porém, cautela.

«A separação» não pode causar «os mesmos erros anteriores. Tem de haver a criação de objetivos e um certo tempo de preparação. Tem de haver espírito crítico», algo que terá falhado na criação do CHA pelo governo anterior.

Durante a visita do secretário de Estado da Saúde Manuel Delgado, a questão da reversão acabou por dominar as atenções da imprensa. O governante pouco adiantou, mas referiu que, durante o último ano, a tutela esteve a «observar, analisar, averiguar, as vantagens e inconvenientes deste modelo e também auscultar a opinião dos profissionais, dos autarcas, das entidades da saúde. A conclusão a que estamos a chegar, de acordo com o presidente da ARS é que este modelo estará esgotado», confirmou.

Ou seja, na prática, a fusão não deu os contributos esperados de dinamização da atividade hospitalar, de maior eficiência, nem de melhor resposta aos cidadãos. Manuel Delgado referiu ainda que são várias as críticas a este modelo, por isso o «governo está a estudar a melhor solução, até porque estas decisões implicam decisões de natureza estrutural, administrativa, jurídica nos modelos de organização hospitalar», admitiu.

A opção de separar as duas unidades será, por isso, muito estudada, com calma e ponderação, aliás, em sintonia com a visão de João Moura Reis. Questionado pelo «barlavento» a nível de prazos, o responsável afirmou que não há qualquer calendário definido. «Esta separação, se for essa a opção que nós escolhermos, vai sempre implicar a definição clara das competências de cada unidade hospitalar.

Não no sentido de cada uma lutar por si, num processo competitivo puro e duro, mas num processo de complementaridade e de cooperação entre unidades», garantiu. Segundo Manuel Delgado, o objetivo, no final, é que a população do Algarve, quer a residente, quer a temporária ou flutuante, tenha resposta para 90 ou 95 por cento das necessidades hospitalares, a médio prazo, disse reconhecendo a importância turística da região e as suas especificidades.

«Há especialidades altamente diferenciadas que não podemos ter dispersas pelo país. O objetivo é que caminhemos para um modelo de resposta em que, no Algarve, se tratem todo o tipo de situações, evitando o mais possível a deslocação de utentes», concluiu.

Algarve volta a ter direção regional do INEM

Um dos objetivos da deslocação de Manuel Delgado, secretário de Estado da Saúde, ao Algarve, na segunda-feira, dia 12, foi a preocupação com os serviços do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). «Estamos hoje aqui para reabrir, depois do governo anterior ter encerrado, a direção regional do INEM no Algarve e vamos ter um plano de reestruturação» deste serviço no sul do país, «através de investimentos previstos para 2017, quer em viaturas, quer em recursos humanos, quer em tecnologia», adiantou o governante. A estrutura, que tinha sido deslocada para o Alentejo, está agora localizada no Mercado Abastecedor de Faro. O Partido Socialista do Algarve já congratulou a tutela pela decisão.
Com uma agenda ocupada, o secretário de Estado da Saúde, inaugurou a USF Atlântico Sul, em Portimão, reuniu com os responsáveis do CHA, inaugurou a Unidade de Farmacovigilância do Algarve e Alentejo na UAlg, assistiu à apresentação do balanço de 2016 e plano estratégico para 2017 da ARS e visitou a unidade a unidade de radioterapia do Algarve.

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