Inquérito sobre Psoríase incentiva Algarve a participar

Jaime Melancia, presidente da Associação Portuguesa de Psoríase explica ao «barlavento» o inquérito nacional que pretende conhecer o impacto real desta doença crónica na vida dos doentes.

«A psoríase é uma doença inflamatória sistémica crónica, não contagiosa, que se manifesta na pele. O seu aspeto, extensão, evolução e gravidade são variáveis, caracterizando-se pelo aparecimento de lesões vermelhas, espessas e descamativas. As zonas do corpo mais afetadas são os joelhos, cotovelos, unhas, costas e couro cabeludo. Existem diversos tipos, desde a psoríase em placas à artrite psoriática que é extremamente incapacitante por afetar as articulações, deformando-as e provocando dor. A doença pode surgir em qualquer idade, embora pareçam existir dois picos de incidência: em adultos jovens e depois dos 40 anos. Afeta ambos os sexos. Desconhece-se a causa exata da psoríase, embora se saiba que existe uma ligação entre alterações imunitárias, hereditariedade e fatores ambientais. O stresse, alguns tipos de fármacos e fatores que afetem o sistema imunitário podem desencadeá-la», explica Jaime Melancia, presidente da PSOPortugal – Associação Portuguesa da Psoríase. Estima-se que atinge 200 mil pessoas em Portugal. Sabe-se que «tem um impacto negativo na qualidade de vida e é um problema de saúde que afeta pacientes em todos os aspetos, desde o estado físico, psicológico e emocional, bem como no âmbito social e laboral». No entanto, esta realidade ainda não é bem conhecida. É por isso que esta associação está a promover, em todo o país, o Estudo PeSsOa. Jaime Melancia incentiva os algarvios a participar.

«Apesar do trabalho desenvolvido pela PSOPortugal com o apoio da classe médica, nomeadamente dos dermatologistas, e da indústria farmacêutica, ainda existe a necessidade de obter dados concretos sobre os doentes de psoríase em Portugal. O estudo PeSsOa tem por objetivo caracterizar o acesso dos doentes a cuidados de saúde, bem como a utilização de recursos de saúde e o tratamento, e quantificar a o impacto social e económico associado a esta doença na perspetiva do doente», esclarece.

Não é em vão que o inquérito surge em plena época balnear. «Sem dúvida que é uma doença estigmatizante e, no verão, os doentes sentem-
-se muito constrangidos para usufruírem da praia e da exposição solar, que induz melhorias na psoríase, para não sofrerem com o preconceito de mostrar a sua doença às outras pessoas, que a confundem erradamente, com uma doença contagiosa. O sol é bom, porque a sua radiação ultravioleta ajuda a pele a cicatrizar e a reduzir a inflamação».

A doença não tem cura, mas tem tratamento. O problema é que, «a maioria das vezes, os doentes recorrem aos serviços médicos privados pelo atraso que existe na marcação de uma consulta de dermatologia nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde». «Também existe uma grande necessidade de consciencialização e conhecimento sobre a psoríase entre os médicos de clínica geral para aumentar o diagnóstico precoce e prevenir a incapacidade», lamenta o dirigente.

O inquérito tem como meta obter as respostas de 400 pessoas até ao final de julho. Podem participar no Estudo PeSsOa maiores de 18 anos, com diagnóstico confirmado de psoríase, que estejam a ser seguidos numa consulta de especialidade.

«Este estudo inclui o questionário que só está acessível na internet. Os dados recolhidos são anónimos, mas permitirão conhecer melhor as implicações da psoríase no dia a dia dos doentes e, como tal, poderão ajudar a sensibilizar a comunidade, profissionais de saúde e os decisores no sentido de obter melhores e mais adequados apoios».

Responda ao inquérito aqui.

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