HPA tem uma nova arma contra o cancro

Unidade de Gambelas do Grupo Hospital Particular do Algarve (HPA) é a segunda no país a contar com um Centro de Hipertermia. Serviço já está disponível no Hospital de Dia de Oncologia.

A unidade de Gambelas do Grupo Hospital Particular do Algarve (HPA) inaugurou no final da tarde de sábado, 14 de outubro, o Centro de Hipertermia do Algarve, serviço que ficará disponível no Hospital de Dia de Oncologia. À partida parecem duas salas bastante simples, mas albergam no interior uma tecnologia inovadora e praticamente nova em Portugal.

Paulo Sousa, médico cirurgião, explicou que o Grupo HPA começou o projeto de oncologia há seis anos. «O número de doentes tem vindo a aumentar. Mas, felizmente, também a ciência e a tecnologia têm-nos trazido novas opções e novas armas para o tratamento de um conjunto de patologias que assolam os nossos doentes. Este conceito de hipertermia, apesar de inovador, já tem provas dadas noutros centros no estrangeiro. Trata-se de uma técnica muito desenvolvida, com vários estudos e bastantes resultados. Em Portugal, tinha chegado ao Porto há cerca de três anos. Este é o segundo centro do género no país. Devido aos bons resultados, o HPA resolveu apostar porque acreditamos que vai trazer grandes benefícios aos doentes oncológicos da região», frisou o médico.

Paulo Sousa, médico cirurgião (à esquerda) e João Bacalhau, médico e presidente do Conselho de Administração do Grupo HPA (à direita).

Estão já em funcionamento duas valências, a hipertermia loco-regional por radiofrequência e a hipertermia do corpo inteiro (Whole Body) por infravermelhos. Ambas atuam de forma isolada ou em complemento aos
tratamentos tradicionais da doença oncológica, permitindo obter resultados mais rápidos, sobretudo em casos mais avançados.

A hipertermia Whole Body está indicada em tumores do colo do útero, cabeça e pescoço, pulmão, mama, pâncreas, melanoma, bexiga, reto, próstata, esófago, sarcomas dos tecidos moles e Sistema Nervoso Central. Pode ainda ser indicada em quadros de metastização de múltiplos órgãos. «Nós funcionamos a uma temperatura entre os 36 e 37 graus centígrados.

Este equipamento pode fazer um aquecimento até aos 43 graus. Sabemos que as células cancerígenas estão mais frágeis que as saudáveis e, portanto, não resistem tanto à temperatura corporal. Quando aquecemos o corpo num todo, as células cancerígenas, sendo mais frágeis, acabam por morrer, enquanto as saudáveis, que toleram melhor a temperatura, sobrevivem. Há estudos que dizem que este equipamento Whole Body aumenta até 60 por cento a resposta à quimioterapia e à radioterapia», disse Paulo Sousa.

A sala de Hipertermia Whole Body.

Por outro lado, a hipertermia loco-regional é usada na destruição das células cancerosas, de forma seletiva e focalizada, por exemplo, «quando precisamos de reduzir o tamanho dos tumores, antes de podermos operar os doentes. Em situações que até há pouco tempo não tínhamos nenhum potencial tratamento e fazíamos apenas paliativos. Ainda há poucos dias foi definido nas linhas de orientação de alguns tratamentos, nomeadamente nos tumores da mama avançados, que este equipamento tem benefícios muito evidentes». Na prática, é aplicada de forma externa e não invasiva através de dois elétrodos ativos, que emitem uma energia eletromagnética.

Em ambos, cada tratamento dura em média, 60 minutos, em ambulatório, sem necessidade de internamento. Não provocam efeitos secundários adicionais relevantes, nem riscos para os doentes. Em termos de capacidade operacional, «estamos a falar de oito a dez doentes por dia em cada uma das máquinas. A equipa será composta por oncologistas, radioterapeutas e enfermeiros», disse.

O equipamento de a Hipertermia loco-regional.

Ainda segundo o cirurgião Paulo Sousa, «estamos neste momento a desenvolver todos os esforços para fechar os acordos» com seguradoras e afins. «Não será exclusivo para os doentes do HPA. Será algo que estará disponível para toda a população, inclusive para os utentes do Serviço Nacional de Saúde, se este assim o entender».

Este «é um investimento de grandes dimensões, resulta de uma parceria do Grupo HPA com um conjunto de investidores. O maior dinamizador deste projeto é o Dr. Guy Vieira, um radioterapeuta muito conhecido da região e um dos principais impulsionadores», concluiu.

Ouvido pelo «barlavento», João Bacalhau, médico e presidente do Conselho de Administração do Grupo HPA, frisou que «o HPA tem uma política de abertura a quem queira apresentar sistemas de tratamento inovadores. Chegámos a este investimento em parceria com um conjunto de investidores externos, que têm a ver com a parte financeira, mas que fundamentalmente com a parte de know-how. São da área da radioterapia, que é muito importante para a complementaridade em oncologia. Esta é uma resposta que vai permitir prolongar a vida dos doentes com tumores», explicou.

O centro de hipertermia «vem na sequência da filosofia da organização do HPA de angariar investimentos em áreas diferenciadas que tragam mais-valias no tratamento dos doentes. Entendemos que a oncologia é uma das áreas que se vai desenvolver e esta técnica foi-nos apresentada como valor muito significativo na ajuda à terapêutica que se tem feito até agora. Nesse sentido, achamos toda a vantagem no sentido de implementar cá esta técnica altamente específica», sublinhou.

Bacalhau sublinhou que o grupo já tem muitos acordos em vigor com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e será uma questão de tempo até esta nova valência entrar na lista. «Tudo o que é inovação é mais complicado de entrar nas vias normais de funcionamento do SNS. Mas acreditamos que com algum tempo de espera, isso acontecerá».

No mesmo dia, o Grupo HPA inaugurou as novas instalações da Clínica Particular Siipemor, em São Brás de Alportel. «Tem atendimento permanente diário, apoio de especialidades e imagiologia. Vai ter também uma área de saúde mental com internamento, em breve», revelou João Bacalhau. No próximo dia 26 de outubro, «a nova clínica do IKEA também estará em condições de abrir».

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