Incidente no «Ocean Revival» leva HPA a ativar Câmara Hiperbárica

Acabou de forma abrupta o mergulho de dois mergulhadores britânicos, de 22 e 26 anos, no final da manhã de ontem, 14 de setembro, no parque subaquático «Ocean Revival» ao largo de Alvor, Portimão. Um incidente que marca a estreia da câmara hiperbárica do Algarve.

A dupla integrava um grupo de mergulho. Ao verificarem que os colegas se estavam a afastar muito e a desrespeitar as regras de segurança, decidiram ir buscá-los para os trazer à superfície. Foi neste momento que um deles ficou sem ar na garrafa. «Arriscaram-se para tentar salvar os outros», explicou a médica Lígia Pires em declarações exclusivas ao «barlavento».

«Um dos mergulhadores apresentava dores de cabeça e o segundo, quando chegou à superfície, tinha dificuldade em respirar e dores no cotovelo e joelho. É um dos sintomas de embolia gasosa. Subiu mais rápido do que devia, pelo que ficou afetado pela doença de descompressão. Felizmente, não foi muito grave». Ainda assim, o tratamento obedeceu a séries de oxigenoterapia, e obrigou os mergulhadores a «estrearem» a novíssima câmara hiperbárica, instalada no Hospital Particular do Algarve, em Alvor.

«É como se voltássemos a mergulhá-los. Isto é, são colocados na câmara hiperbárica e aumentamos a pressão como se estivessem ainda debaixo de água, simulando a sua subida gradual. É o tratamento normal para os acidentes de mergulho», refere Lígia Pires. Entretanto, ambos já terminaram os tratamentos e tiveram alta do hospital.

Contudo, a médica sublinha que «caso não existisse esta câmara hiperbárica em Alvor, a mais próxima estaria em Lisboa. Mas, nestes casos, o tempo é fundamental. Quanto mais depressa o tratamento for aplicado, menor é o risco de haver consequências no futuro. Ao mesmo tempo, enviar um doente de helicóptero também pode não ajudar por causa da pressão», da altitude do voo.
«Se houver outro acidente no futuro, as pessoas devem estar informadas e saber que podem recorrer a este serviço em Alvor», conclui.

Primeiro centro privado de medicina hiperbárica em Portugal

O Hospital Particular do Algarve (HPA), em Alvor, tornou-se oficialmente no dia 12 de junho, no primeiro centro privado de medicina hiperbárica em Portugal, e um dos poucos a nível europeu. Depois de Lisboa e Porto, Portimão é a terceira cidade no território continental a possuir uma câmara hiperbárica de múltiplos lugares, possibilitando ao Algarve destacar-se em termos nacionais relativamente a esta especialidade.

A câmara hiperbárica é um dos maiores investimentos do recém-inaugurado edifício do Alvor. Um equipamento de 24 toneladas que se encontra instalado no piso – 1 e que representou cerca de um milhão de euros de investimento. O equipamento permite agora o tratamento de mergulhadores acidentados, doentes que sofram de infeções crónicas graves, diabéticos, entre outros casos. A câmara hiperbárica tem capacidade para receber até 12 pacientes em simultâneo.

Algarve debateu medicina hiperbárica

A primeira conferência sobre medicina hiperbárica decorreu a 12 de setembro, no Hospital Particular do Alvor. «As jornadas ajudaram a divulgar este tipo de tratamentos como no caso dor mergulhadores. Convidámos bombeiros, médicos de várias áreas e mergulhadores da zona», explica a médica Lígia Pires.

Mais de cem pessoas participaram na conferência, a qual contou com grandes referências nacionais na área. «A aplicabilidade da oxigenoretapia hiperbárica é muito vasta e com resultados muito positivos ao nível da regeneração celular – feridas e processos infeciosos – mas igualmente com destaque na intoxicação por monóxido de carbono ou na doença de descompressão do mergulhadores», segundo nota da organização.

Este evento foi organizado pela profissional que assistiu os dois mergulhadores, por Paulo Sousa, diretor da unidade das Gambelas, e Óscar Camacho, diretor do departamento de medicina hiperbárica de Matosinhos.

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