Dermatoscopia: a prevenção secundária de eleição do cancro cutâneo

Os cuidados com a exposição solar não deveriam estar circunscritos à época de verão, se bem que, nesta altura, os cuidados devam ser efetivamente redobrados. Como o risco de cancro de pele associado à exposição solar é cumulativo, os esforços de prevenção primária deverão ser continuados. O risco não resulta apenas do «escaldão do ano passado».

Quando falamos de cancro de pele devemos considerar o melanoma e o cancro cutâneo não-melanoma, cujos exemplos mais importantes são o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. A radiação ultravioleta é o principal fator de risco.

Individuos com fotótipos mais baixos (pele clara), cabelos ruivos e sardas, com história pessoal ou familiar de melanoma, mais de 50 nevos («sinais») ou imunodeprimidos têm adicionalmente um risco superior e deverão ser vigiados em programas adequados de prevenção secundária, orientados por um médico especialista em Dermatologia.

Felizmente temos vindo a assistir a um número cada vez mais frequente de praticantes diários de atividades desportivas ao ar livre e, por isso, é importante o alerta para os riscos e para o reforço de medidas preventivas: uso de vestuário apropriado, chapéus, óculos de sol e a aplicação frequente de protetores solares. Devem possuir elevados índices e espetros alargados de proteção, incluindo filtros físicos. Além disso, a sua utilização não descura a evição total da exposição nas horas proibitivas (entre as 11 e as 17 horas), nem a exposição prolongada.

Está provado que o autoexame mensal pode contribuir para o diagnóstico precoce de melanoma. Algumas regras que deverão ser do conhecimento de todos são: o sinal «do patinho feio», ou seja, qualquer lesão da pele que à vista desarmada se destaque das demais. Para o melanoma, deve seguir-se a mnemónica ABCDE: A de assimetria, B de bordos irregulares, C de cores múltiplas (mais de duas), D de diâmetro superior a 6 milimetros e E de evolução rápida.

É igualmente de primordial importância, sobretudo com a inclusão de exames complementares rápidos e não-invasivos, considerando-se a dermatoscopia uma técnica ideal.

A dermatoscopia, ou microscopia cutânea de epiluminescência, constitui um método de diagnóstico não-invasivo que permite ao dermatologista a observação de estruturas da pele não visíveis macroscopicamente, isto é, a «olho nu».

Esta técnica permite aumentar a acuidade no diagnóstico de lesões melanocíticas, como o melanoma maligno e, assim, diminuir o número de excisões ou procedimentos invasivos desnecessários, as cirurgias e as cicatrizes daí resultantes.

A observação completa da pele na consulta deverá idealmente ser complementada pelo uso de um dermatoscópio manual, também de enorme utilidade no diagnóstico precoce das formas de cancro cutâneo não-melanoma.

A dermatoscopia digital computorizada é um procedimento de diagnóstico não-invasivo que consiste na observação indireta de lesões cutâneas com uma câmara de vídeo de alta resolução ligada a um sistema informático. Permite o mapeamento e o registo digital de lesões melanocíticas («sinais») de forma a construir mapas corporais totais para comparação ao longo do tempo, nas diferentes consultas. Deste modo, fica favorecido o diagnóstico atempado de qualquer nova lesão ou modificação de qualquer «sinal» já existente.

Espaço Saúde do Grupo Hospital Particular do Algarve (HPA).

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