CHUA implementa Equipa de Apoio Psicossocial nos Cuidados Paliativos

É esperado que a atividade desenvolvida por estas equipas contribua para aumentar o acesso a cuidados diferenciados e para diminuir o estigma relacionado com a morte e o luto.

O Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) vai implementar, a partir deste ano, uma Equipa de Apoio Psicossocial (EAPS) na área dos Cuidados Paliativos, projeto criado e financiado pela Fundação «La Caixa» no âmbito do Programa de Apoio Integral a Pessoas com Doenças Avançadas, designado por Programa Humaniza, em Portugal.

Numa primeira fase, a Equipa de Apoio Psicossocial irá concentrar a sua atividade em quatro equipas recetoras: nas Unidades Hospitalares de Faro e de Portimão, ambas pertencentes ao CHUA, e nas Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos (ECSCP) do Agrupamento de Centros de Saúde do Algarve (ACES) I Central e do ACES Algarve II Barlavento, estruturas integradas na Administração Regional de Saúde do Algarve (ARS Algarve).

Dada a especificidade da sua intervenção, a equipa, que será constituída por novos profissionais, será apoiada em rede por profissionais com larga experiência na área e já integrados nas Equipas de Cuidados Paliativos. Falando sobre a importância regional deste projeto, o médico Giovanni Cerullo, diretor do projeto no CHUA, destaca o facto deste ser «um trabalho de equipa, que funciona em rede com outras estruturas», nomeadamente com os cuidados de saúde primários através dos ACES, e com o suporte da Coordenação Regional de Cuidados Paliativos.

De acordo com o médico «é esperado o reforço da atividade das equipas de cuidados paliativos do Algarve no que respeita à acessibilidade aos cuidados psicossociais e espirituais das pessoas e das suas famílias, que enfrentam uma doença grave ou incurável e com necessidade de cuidados paliativos. Assente numa perspetiva de humanização e dignidade no sofrimento, acompanhando a atividade já desenvolvida pelas Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos, este projeto visa promover a continuidade do apoio no domicílio, mantendo assim um suporte direto da rede de apoio».

Giovanni Cerullo considera que «um projeto desta natureza vem fortalecer a rede existente na região, possibilitando a sua própria extensão através da promoção da continuidade de cuidados, reforçando e credibilizando as boas práticas institucionais e permitindo aos profissionais irem ao encontro da comunidade, numa relação de proximidade. O Centro Hospitalar Universitário do Algarve, sem sair da sua esfera de ação, vem inovar e reforçar a sua atuação, alargando-a de forma humanista e diferenciada».

Iciar Ancizu García, responsável da delegação portuguesa da Fundação Bancária «La Caixa» – Dpt. Lucha contra la Pobreza y Humanización de la Salud, afirma que «a Fundação La Caixa, criada há mais de 100 anos, é uma das mais relevantes a nível internacional e tem como missão construir uma sociedade melhor e mais justa, que dê oportunidades às pessoas que mais delas necessitam. Tem como valores fundamentais o seu compromisso social, responsabilidade e a confiança».

Fátima Teixeira, médica e Coordenadora Regional de Cuidados Paliativos, revela que «a Coordenação Regional de Cuidados Paliativos viu com enorme agrado a candidatura do CHUA ao Programa Humaniza, pois irá permitir reforçar a capacidade de intervenção das equipas da região ou seja, as equipas comunitárias, no âmbito dos cuidados de saúde primários e também as equipas Intra-hospitalares integradas nos cuidados de saúde secundários». A médica afiança ainda que «a cooperação das equipas dos dois níveis de cuidados paliativos garantem maior capacidade de resposta na região, melhoram a gestão da prestação de cuidados pela hierarquização da complexidade das situações clínicas e otimizam a utilização dos recursos, traduzindo-se numa maior qualidade dos serviços prestados aos doentes com doença crónica avançada progressiva».

Em termos de impacto na comunidade é esperado que a atividade desenvolvida por estas equipas contribua ainda para melhorar a literacia em saúde e o acesso a cuidados diferenciados, para diminuir o estigma relacionado com a morte e o luto bem como promover o apoio informal em rede, de forma mais abrangente, permitindo otimizar recursos e alargar a rede de parcerias, tornando este projeto inclusivo e integrador.

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