Verbos do Cais quer investir na Fuzeta

Assim que for lançado o concurso para a gestão da zona ribeirinha da Fuzeta, Luís Salero, presidente da assembleia geral da Verbos do Cais SA, promete concorrer. E tem um argumento de peso há muito solicitado, quer pelos pescadores e homens do mar, quer pelos operadores das marítimo-turísticas que ali operam.

«Um dos projetos que estamos a analisar é a construção e gestão de um porto de recreio na Fuzeta, até porque há uma declaração de impacte ambiental favorável. Temos a intenção de propor, que no caderno de encargos, fique contemplada a presença permanente de uma pequena dragueta que mantenha o canal e a barra desassoreados, assegurando que toda a zona esteja sempre navegável em segurança, às expensas do concessionário», diz ao «barlavento». Confrontado com o facto de haver ali uma lota da pesca do polvo e também carreiras regulares para as ilhas, considera que «nada disso está em conflito com a náutica de recreio. São atividades que se complementam-se todos os dias, interagem, não há canais para uns e para outros», sublinha.

«A Docapesca é o parceiro principal, porque com a entrada em vigor do decreto-lei 16 de 2014, que estabelece as áreas de jurisdição, há um interesse genuíno em ceder as frentes ribeirinhas aos municípios e, por outro lado, colocar a concurso tudo o que não são são portos de pesca e lotas,a privados para que façam a gestão», acrescenta.

Luís Salero.

A 16 de julho, a Verbos do Cais assinou o contrato de concessão da requalificação, modernização e exploração do porto de recreio de Olhão, por um período de 35 anos, um investimento de 3,35 milhões de euros. O projeto prevê a construção de infraestruturas de apoio, área de serviços, oficinas, restauração e comércio, ocupando uma área seca de 25474 metros quadrados e uma área molhada de 50800 metros quadrados.
A empresa já funciona há oito anos em instalações provisórias e tem a seu cargo cerca de 400 embarcações de todas as tipologias. Segundo Luís Salero, há uma lista de espera de 586 pessoas de todo o Algarve. «É uma infraestrutura que excede a oferta em 130 por cento. Haverá gradualmente um conjunto de situações que temos de resolver, porque com a ampliação da marina, uma parte dessa lista será acolhida. E, portanto, estamos também a analisar a contribuição e a proposta da marina de Faro».

Em relação às marinas de Vilamoura, Albufeira e Lagos, «não concorrem connosco. A marina de Olhão é a única onde se pode navegar 365 dias por ano, sem sair da barra. Tem a grande mais-valia da Ria Formosa. Aqui consegue-se navegar com qualquer condição, porque não se sai para o mar», compara.

Para Luís Salero, no prazo de dois anos, as intervenções na frente ribeirinha vão mudar Olhão para melhor. «Se conseguirmos visualizar, de nascente para poente, a requalificação do espaço em frente ao quartel da GNR, a requalificação da doca do Naval de Olhão, o projeto que a Câmara Municipal tem para renovar todos os jardins, se olharmos à intervenção que será feita desde a marina até à zona onde estão os estaleiros municipais, à requalificação da lagoa ETAR com um posto para observação de aves e ecovia, e também para as praias urbanas, não há dúvida que Olhão será uma cidade muito atrativa do que é hoje. A náutica de recreio tem de acompanhar todos estes investimentos, até porque é uma âncora de desenvolvimento», conclui. Em termos de postos de trabalho diretos, a nova marina de Olhão irá criar mais 15 a 20 oportunidades de emprego, até porque a concessão tem uma duração de 35 anos e «é nossa intenção crescer», conclui.

Fundeadouros são oportunidade para regular a Ria Formosa

Luís Salero, no entanto, não esconde que «a Ria tem um problema. Está desregulada. O atual comandante do porto de Olhão», Rui Ferreira, «começou um trabalho de regulação e esperamos que consiga atingir os seus objetivos. Começou com a limpeza do recovo da Culatra, a retirada das boias ilegais e toda aquela situação que ali estava». No entanto, «hoje, chego a contabilizar 120 a 130 barcos fundeados ao largo da Ponta da areia, da ilha Deserta para nascente. São barcos grandes fundeados ao ferro. Deveriam estar todos alinhados nos fundeadouros previstos pelo Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) Vilamoura – Vila Real de Santo António», considera. «Todos estes barcos têm pessoas a viver e têm de fazer as suas descargas dentro da Ria. Nós não temos interesse nenhum que as pessoas andem a navegar no meio de detritos. O objetivo é que no futuro, esses fundeadouros, possam ser geridos com uma política ambiental para que a Ria fique mais sustentável e mais regulada para todos», diz, admitindo que a Verbos do Cais estaria interessada em gerir estas infraestruturas, em conjunto com as associações de moradores. «Isto implica ter um barqueiro à disposição, e também todos os outros serviços, desde a limpeza, velaria, e abastecimento».

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