Trabalhadores da grande distribuição protestaram contra a desigualdade laboral em Portimão

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) marcou uma jornada de luta relativa às condições de laboração dos funcionários afetos à grande distribuição. No Algarve, um dos primeiros protestos decorreu na segunda-feira, 5 de fevereiro, à porta do hipermercado «Continente», no Cabeço do Mocho, em Portimão.

Cerca de duas dezenas de colaboradores de unidades locais juntaram-se à manifestação para reivindicar melhores condições. Ao «barlavento», Maria José Madeira, da delegação regional do CESP, que tem uma filial em Portimão, explicou que «o contrato da grande distribuição está bloqueado» e o que está em causa é o desbloqueio da contratação coletiva, «até porque é a única forma que os trabalhadores têm de conseguir ter salários equiparados, de acordo com a função que desempenham, de norte a sul do país».

Segundo esta responsável, outro dos motivos que estão na base do protesto é a existência de duas tabelas (A e B), sendo que a tabela A apenas é aplicada em três distritos (Porto, Lisboa e Setúbal), enquanto que no resto do país está em vigor a tabela B. Por isso, a sindicalista considera necessário que a tabela B seja extinta. Na prática, esta diferenciação afeta o montante pago aos trabalhadores a nível da remuneração mensal. «É injusto trabalhadores da mesma empresa, do mesmo grupo, com a mesma categoria profissional terem salários diferentes», denunciou Maria José Madeira.

Por outro lado, o aumento de vencimentos passou a ser efetuado de acordo com avaliações. O problema é que os critérios «têm a ver com [os colaboradores] não terem faltas, não terem sido alvo de processos» disciplinares, o que representa uma medida «discriminatória», em relação aos diferentes funcionários.

Segundo a mesma responsável sindical estão agendados diversos protestos em relação a este sector, integrados numa quinzena de luta. A loja da insígnia Sonae em Portimão foi a primeira a receber esta manifestação, pois este Sindicato alerta que é uma das unidades onde existe «um grande número de situações, que têm vindo a ser denunciadas à empresa, mas em que nada tem sido feito», justificou ainda. Haverá, porém, outras ações do CESP no Algarve, bem como em Lisboa e Porto. Na terça-feira, 6 de fevereiro esta estrutura esteve à porta do Ministério do Trabalho, onde decorreu a primeira negociação com o sector, através desta tutela.

Apesar de não conseguir precisar um número concreto de trabalhadores afetados na região, a responsável apontou para «várias centenas», tendo em conta que «este contrato se aplica a todas as empresas da grande distribuição, onde se enquadram os grupos Sonae, Jerónimo Martins, Auchan, Lidl e Aldi». Ou seja, «todos os trabalhadores que estejam abrangidos pelo contrato da APED, estão todos dentro deste leque. Estamos a falar de uma larga centena de funcionários a nível da região».

Os manifestantes exigem ainda o cumprimento do contrato coletivo de trabalho no que diz respeito às alterações aos horários, a extinção dos horários de bolso e dos ritmos a que são submetidos, bem como a contratação de recursos humanos suficientes para cada loja e a livre marcação de férias, sem que esta seja imposta pelas chefias.

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