Técnicos de Diagnóstico protestaram à porta do CHUA em Portimão

A confusão na chegada à unidade de Portimão do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) foi maior do que o normal, na terça-feira, 21 de novembro. A manifestação de um grupo de profissionais, entoando protestos como «Escuta Adalberto! Os técnicos estão em luta» e exibindo cartazes reivindicativos chamava à atenção de quem tentava entrar na unidade, talvez para chegar ao balcão de atendimento e ficar a saber que o exame marcado não seria realizado. Já há mais de 20 dias que a greve a nível nacional dos Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica começou, afetando mais de 200 mil utentes, segundo as contas que as estruturas sindicais têm vindo a divulgar.

Em causa está o descontentamento por ainda não ter sido aplicada a criação da nova carreira. Ao «barlavento» Luís Silva, técnico de cardiologia, explicou durante o protesto que juntou dezenas de técnicos à porta da unidade de Portimão, que a «carreira data de 1999. O estatuto da carreira foi publicado em Diário da República a 31 de agosto deste ano e, desde essa altura, o governo não iniciou qualquer processo de negociação para transitar para a nova carreira». Esta é a causa que motivou a luta.

Luís Silva toma como exemplo o percurso que fez para explicar que não há relação entre os anos investidos na frequência de especializações e nos anos de experiência profissional para receber um salário digno. «Fiz a licenciatura no Porto em 2002, já trabalhava em Portimão, entretanto já conclui duas pós-graduações e um mestrado e não recebi qualquer incremento no ordenado», lamentou.

Este é um processo transversal a todo o país, onde esta greve está a fazer com que sejam cancelados milhares de exames e tratamentos afetos a diversas áreas da saúde. «Desde a radiologia, com Raio-X, TAC, ressonâncias magnéticas, densitometrias ósseas, uma panóplia de análises clínicas e até eletrocardiogramas na cardiologia», enumerou Luís Silva. Ao todo estão em causa 18 profissões no segmento do Diagnóstico e Terapêutica.

E esses exames «cancelados provavelmente estarão a ser realizados no privado, aumentando assim o gasto do Estado», especulou, acrescentando que há também falta de Recursos Humanos.

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