Start Work tem «tudo para se tornar feira regional»

Tanto o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, como a autarca Isilda Gomes, concordam que a mostra de emprego realizada em Portimão é um caso de sucesso. Apenas com duas edições, supera as expetativas.

O número, dimensão e nível das empresas que aceitaram o desafio de recrutar na «Start Work II – Mostra de Empreendedorismo, Emprego e Formação Profissional», que teve lugar no Portimão Arena, entre 9 e 11 de março, surpreenderam Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, e Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação.

Tanto que uma das ideias lançadas durante a inauguração, na quinta-feira, dia 9, foi a de tornar a mostra um evento à escala da região, alargando ainda mais o âmbito das participações.
«Era bom que houvesse uma representação regional. Não sei se teríamos a capacidade de dar a visibilidade às nossas escolas e agrupamentos» da mesma forma que agora, mas ainda assim, «a verdade é que temos todas as condições» para fazê-lo. «Até pelo nível das empresas que estiveram aqui, pela presença da universidade e de institutos superiores, públicos ou privados, pelas escolas de formação. Deste ponto de vista, diria que esta feira tem tudo para se transformar numa feira regional», considerou a edil. Haveria apenas que «racionalizar o espaço» disponível.

Apesar de ser apenas a segunda edição, esta mostra teve uma lista de espera de empresas que queriam participar, mas que tiveram de ficar de fora do certame, pois já não havia forma de encaixá-las no Portimão Arena. «Isso mostra que esta feira é fundamental e deve ser feita uma aposta para a repetir» , sublinhou.

O ministro da Educação partilhar a opinião da autarca. «É um certame onde se pode mostrar o que de melhor se faz na educação, mas também na formação profissional, empreendedorismo e emprego. É o lugar perfeito para que, durante três dias, muitos dos estudantes que estão a terminar o ensino secundário possam mostrar aquilo que fazem bem nas escolas, mas, por outro lado, também encontrar aqui as pontes para as instituições de ensino superior ou para os potenciais empregadores», sublinhou Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, após a visita.

Aliás, o governante ficou satisfeito, tendo, durante o périplo pelo espaço, conversado com alunos, professores, responsáveis educativos e formadores. Até trocou ideias com os alunos que frequentam a área de formação que lhe é mais cara: as ciências naturais e a química.

Depois de aprofundar a dinâmica da feira, Tiago Brandão Rodrigues, considerou que, apesar de contar apenas com duas edições, a Start Work tem já «uma maturidade alicerçada», podendo «ser o verdadeiro local de cultivo para o futuro profissional, mas também educacional dos jovens e jovens adultos do concelho».

O ministro considerou ainda que Portimão, com este evento, pode ser um exemplo de uma boa prática, a adotar noutros locais, ainda «que provavelmente muitos concelhos desta região» tenham oportunidade de encontrar «nesta Start Work o sítio ideal para mostrarem o que de melhor se faz na região e no sul do país. Já é um certame que não é só do concelho, mas da região», afirmou ainda, mostrando-se confiante quanto ao impulso que esta mostra terá nos próximos anos.

Já a presidente da Câmara Municipal de Portimão aponta a «diversidade extraordinária da oferta formativa», que auxilia os jovens a frequentar o 9º ano, 10º ou 11º a escolher o futuro que querem, numa altura decisiva das vidas de cada um. No total, a mostra teve seis mil visitantes, contabilizando ainda 300 candidaturas a empregos e estágios profissionais.

Continua a escassez de recursos humanos no Algarve

A «Start Work II – Mostra de Empreendedorismo, Emprego e Formação Profissional», que teve lugar no Portimão Arena, entre 9 e 11 de março, não se resume a mostrar o que os jovens já fazem nas escolas, mas também permite um contacto direto entre os jovens e o ensino universitário ou profissional, tanto público como privado. A Câmara Municipal de Portimão ao associar-se ao Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), numa parceria que conta ainda com a Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEST), torna possível congregar num só espaço as necessidades da região a nível da empregabilidade e as empresas que necessitam de novos colaboradores. IKEA, grupo Jerónimo Martins, Leroy e Merlin ou grupo Pestana são apenas algumas das grandes insígnias que resolveram participar nesta mostra e recrutar in loco.
«Vejamos o número e dimensão das empresas que estão presentes e que podem dar uma ideia muito clara de quais são as necessidades em termos de ativos, porque, ao contrário do que muitos de nós pensamos, há muita escassez de recursos humanos no Algarve», justificou Isilda Gomes.

Ainda assim, a autarca considera que os jovens hoje têm muito mais competências do que os jovens tinham há alguns anos. «Quero saudar todas as escolas, todas as equipas, porque estão a fazer um trabalho fantástico, de forma empenhada, diversificada e isto prova bem que Portimão tem neste momento grande capacidade de crescimento, de evolução e que é um município com muito potencial», acrescentou ainda a edil.

No entanto, ainda há necessidade de apostar e incentivar a formação específica, pois há um desajustamento entre oferta e procura. «Temos que criar condições e sei que o IEFP o faz de forma excelente, porque tem todos esses dados, tem esse levantamento e procura que haja uma compatibilização entre o que os empresários precisam e o que as escolas, os centros de emprego e escolas profissionais fazem no dia a dia», afirmou ainda. Falta apenas chegar à situação «desejável» para corrigir esses desajustamentos.

«Fiquei satisfeita, porque ouvi empresários dizer que hoje tiveram mais de 40 inscrições. Isto revela que um espaço destes é fundamental, é importante, faz falta e pode ser determinante para que as pessoas encontrem o seu futuro profissional».

A autarca alerta, contudo, que a formação nunca é demais e deve ser sempre um investimento contínuo. «Se calhar para empregados de mesa nós não precisamos de uma pessoa licenciada em matemática ou ciências, mas a verdade é que quanto mais formação a pessoa tiver, maior capacidade tem de se adaptar ao posto de trabalho, mas também de mudar de posto de trabalho».

Ainda há preconceito e distinção entre trabalhos menores e maiores
Na visão de Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, a crise veio acabar com a ideia do emprego para a vida. Por isso, há que estar preparado, criar competências para que, «se numa fase da vida, um licenciado tiver que ir servir à mesa, esteja preparado para procurar logo de seguida um emprego, um trabalho compatível com a sua formação».
No entanto, há outra ideia que permanece na mente da maioria da população e que ajuda a engrossar as listas dos Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). «Temos que perder a ideia de que há trabalhos menores e trabalhos menores. Não há trabalhos menores. Sem o varredor das ruas, certamente não tínhamos a saúde que temos hoje. Obviamente, não poderíamos andar nas ruas. Sem o padeiro, não teríamos pão para comer», argumentou.
É um preconceito que a autarca afirma ainda existir e que acredita que deve ser combatido. «Qualquer profissão tem que ser valorizada, independentemente da área, desde que seja exercida com carácter, com gosto, com rigor, com profissionalismo», defende. O problema é que há profissões destas que são mal remuneradas, o que faz avivar este preconceito. «Também tem que haver um esforço continuado para que as remunerações sejam, cada vez mais, adequadas e sirvam aquilo que nós queremos para uma sociedade democrática», concluiu.

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