SOS RIA Formosa recusa responsabilidades sobre maquinaria pesada no Farol e Hangares

O Movimento «SOS Ria Formosa» enviou um comunicado, na terça-feira, 7 de março, a sublinhar que «não assumirá qualquer responsabilidade, caso a Sociedade POLIS Litoral Ria Formosa decida avançar com maquinaria pesada para a destruição de habitações nos núcleos do Farol e Hangares», na Ilha da Culatra».

«O movimento SOS Ria Formosa sempre defendeu o direito dos ilhéus a permanecerem onde sempre estiveram, apresentou propostas nesse sentido. Apresentou um projeto sério que contemplava uma solução digna para todas as partes. Defendemos uma requalificação dos núcleos, defendemos que há demolições a fazer, nomeadamente barracas sem uso habitacional e casas abandonadas ou em degradação, mas também sempre defendemos que nenhuma casa habitada poderia ser demolida, sem que essa habitação fosse reposta noutro local dentro de cada núcleo. Esta sempre foi a posição do Movimento SOS Ria Formosa. Requalificação SIM, demolições sem precaver os direitos dos ilhéus, NÃO. Até este momento, estas propostas não estão a ser tidas em conta. Avança-se com demolições ao abrigo de um suposto risco, que para além de não existir, vem provocar situações inaceitáveis e injustas. Irão haver casas que serão deixadas em situação de risco, segundo os critérios da Sociedade POLIS, e outras nas mesmas condições que serão demolidas», lês-se no documento

«Isto diz bem do que devemos pensar deste tal critério de risco. Não contentes com esta operação de curto prazo, continuamos a assistir a um discurso confuso, dúbio e muitas vezes contraditório dos vários intervenientes políticos relacionados com este assunto. Por um lado temos a Assembleia da República a aprovar uma moção que recomenda ao governo o reconhecimento dos núcleos históricos das ilhas barreira e a pedir para que seja revisto o POOC para contemplar esse reconhecimento, mas por outro temos um ministro e uma Sociedade POLIS a reconhecer que o POOC não está sequer pensado para revisão e que não foi iniciado nenhum processo nesse sentido. Ao contrário da recomendação, temos mais uma vez um Ministro a garantir que não está preocupado com a proteção das ilhas-barreira e que em vez disso irá aguardar mais uns três anos para que possam avançar mais demolições, pois sem um plano de proteção com certeza que mais habitações irão ficar em risco no futuro», defende o SOS Ria Formosa.

«É esta a realidade que temos, se é certo que a quantidade de casas a demolir, diminuiu drasticamente entre o que estava planeado pelo anterior governo e este, não é menos verdade que o futuro é mais uma vez incerto e as perspectivas não são nada boas. A estratégia parece ter mudado, não para o fim definitivo das demolições, mas para algo mais lento para não criar tanta contestação, algo que possa enfraquecer os ilhéus, demolindo a prestações. Se acrescentarmos a isto a não renovação de licenças na parte Poente do Farol, a parte dita legalizada, em que a entidade concessionária, o Porto de Sines, se recusa a fazer passar as licenças aos descendentes diretos dos concessionados, facilmente percebemos o fim que todos os ilhéus vão ter», denuncia o movimento.

«Podemos ainda informar, em primeira-mão, que o SOS Ria Formosa, está também já na posse da primeira carta para demolição de uma habitação na Ilha da Armona, enviada pela APA Algarve, através do seu presidente Sebastião Braz Teixeira. Não sobrará pedra sobre pedra».

«E é por isto que não podemos aceitar uma morte lenta, uma morte anunciada, a politica do agora uns e a seguir outros, até não sobrar nenhum. O estado não desiste de tomar estas paragens. Estamos já um pouco cansados de afirmar e reafirmar que não somos ilegais e que tudo foi feito com o consentimento das entidades que na altura geriam estas paragens. Muito antes da constituição de qualquer parque natural ou de qualquer POOC que nos querem aplicar, mesmo que com retroatividade, algo que nem sequer é permitido pela constituição. Em parte a nossa luta serena, mas em constante protesto pacífico, parece não nos ter conduzido onde gostaríamos».

«Queríamos estar com serenidade a pensar no futuro das ilhas, no que podemos melhorar aqui e ali, pensar em cuidar das nossas habitações e fazer os investimentos necessários para a sua conservação sem que tenhamos a constante ameaça de futuras demolições. Infelizmente pelo que já aqui descrevemos, não o podemos fazer, não nos querem dar descanso. Neste momento iremos estar entre as máquinas e as habitações, é o único e último sítio em que nos resta lutar. Se vai ser bonito? Não, não vai, vai ser muito feio, vai ser um enorme sofrimento, mas não podemos deixar de convocar todos para esta última batalha»

Se vão haver consequências? «Provavelmente, mas não fomos nós que escolhemos este caminho. Colocar pessoas de bem entre máquinas e as suas casas é condenar um povo à extinção. Que imagem vai transparecer daqui? Uma péssima imagem, será mau para o estado, para os empreiteiros, para os coitados daqueles policias marítimos que nos conhecem pela vivência que temos nas ilhas há largas décadas e que terão de cumprir o seu serviço contrariados, Irá ser péssimo para a imagem do país no seu todo, mas vai ser especialmente mau para nós ilhéus, somos nós o ultimo reduto e em situações de desespero de quem perde tudo o que construiu numa vida de trabalho árduo, não nos peçam para acalmar ninguém, peçam-nos propostas, peçam-nos soluções, mas não nos peçam para impedirmos a luta por aquilo que é nosso», promete o SOS Ria Formosa.

Categorias
Regional


Relacionado com: