Rotários de Faro e editora «Sul, Sol e Sal» organizam ciclo de debates

O modelo é uma conversa entre dois ou mais intervenientes que promovam o confronto de visões e perspetivas que «o Outro» tem da região com as ideias que os algarvios fazem de si.

O Rotary Club de Faro e a editora «Sul, Sol e Sal» vão promover um ciclo de conversas intitulado «O Algarve, Portugal e o Futuro». Adriano Moreira, Guilherme de Oliveira Martins, João Guerreiro, Idálio Revez e Paulo Teixeira Pinto serão os convidados para a primeira sessão no dia 29 de novembro, às 21 horas no anfiteatro da Escola Secundária João de Deus, em Faro.

«Território e identidade: Desafios para o séc. XXI» é o mote para um debate e reflexão sobre o país numa perspetiva de futuro, ensaiar novas visões e ousar perspetivas e ideias positivas. A segunda sessão, a realizar dia 26 de janeiro de 2018, abordará a economia com António Rebelo de Sousa, André Jordan e Vítor Neto. Servirá para apresentar o livro «O Algarve em Números», um estudo económico realizado por António Rebelo de Sousa para a «Sul, Sol e Sal». A entrada é livre.

Pressupostos

A necessidade de refletir sobre o Algarve e criar pensamento crítico que possa ser usado para a construção de uma ideia, ou desígnio para a região, é um dos aspetos que defendemos como prioritário para a região. Ao iniciarmos este ciclo de conferências não partimos de pressupostos adquiridos nem de pensamentos programáticos definidos à priori.

Interessa-nos o confronto de visões e o apuramento de estratégias que possam contribuir para desenvolvimento do Algarve. Se essa exposição de ideias significar a rotura com consensos estabelecidos aceitaremos o encargo da sua promoção, sem restrições e na medida das nossas possibilidades. O Algarve possui uma realidade histórica, geográfica e social que lhe permite invocar uma singularidade no contexto nacional no entanto, essa identidade própria, nunca revelou a generalização de um sentido de autonomia ou de cisão.

O facto de não existir uma autonomia administrativa regional não significa, contudo, que o Algarve e as instituições locais não possam definir e implementar estratégias de desenvolvimento, dentro do quadro de valores e princípios nacionais, que melhor se adequam e servem a realidade algarvia.

Tanto mais que a região apresenta uma problemática bem definida e que é o tema assumido em todo o território – o mar, o clima as praias, o turismo, a procura de atividades alternativas. Nesse sentido, e privilegiando a construção de uma narrativa coletiva, o mesmo tempo literária e filosófica mas também pragmática e com capacidade de mobilização em torno de um destino coletivo, pretendemos que a reflexão se centre em temas cruciais para a região como a Economia e empresas; Educação, ciência e tecnologia; Saúde e rede de assistência social; Ambiente, mar e indústrias verdes; Cidades, transportes e urbanismo; Cultura e comunicação social. As pessoas convidadas a confrontar «visões e ideias» sobre o Algarve pertencem a diferentes áreas profissionais e políticas.

Garantem exigência crítica e estão animadas pela vontade de contribuir através da eficiência local e regional para a coesão e desenvolvimento nacional. Para além dos conhecimentos específicos decorrentes da sua formação e atividade profissional apelamos também à perspectiva de conjunto que cada um terá sobre o Algarve.

Posição da editora «Sul, Sol e Sal»

Para fazer face à posição periférica do Algarve em relação aos grandes centros de criação e difusão culturais a «Sul, Sol e Sal» tem procura editar obras que pela sua originalidade e espírito crítico valorizam e divulgam aspetos da cultura algarvia.

É entendimento da editora que sem o entendimento do que somos e do caminho que queremos prosseguir dificilmente se conseguiremos estabelecer uma linha mestra que norteei opções e dê coerência e sentido às decisões estratégicas locais. A «Algarviana, Biblioteca Breve» é disso exemplo. Para além de ter o mérito de reunir um conjunto de obras de referência esgotadas ou de difícil acesso coloca o leitor perante uma seleção de textos que o colocam em contacto com os elementos de ordem histórica, política e social, essenciais para o conhecimento da região.

A editora privilegia com esta coleção «o olhar histórico» no sentido em que todo o futuro se constrói sobre uma base solida de memória. Se atribuímos importância ao passado é o futuro que mais nos interessa. Conscientes da nossa realidade (com tudo aquilo que é do acervo comum da cultura portuguesa e com todas as particularidades só de si) e conscientes sobretudo da nossa posição no mundo e, em particular da herança mediterrânica, estamos já a elaborar uma segunda coleção que tem como propósito a edição de um conjunto de livros, sobre os mais diversos temas da nossa realidade, e onde pretendemos que cada autor proponha um «Algarve Futuro». Como antecâmara dessas publicações pretendemos promover um conjunto de conversas/debates onde se comece a instigar esse debate crítico necessário ao Algarve e a Portugal.

Perspetiva do Rotary Club de Faro

A ética e a cultura rotária colocam o movimento em constante confronto com os novos desafios da sociedade. Rotary não é uma identidade estática e os Clubes adaptam-se às mudanças que permeiam as sociedades e faz com que estas se tornem parte dessa mudança. Neste sentido, toma-se um desafio adaptar os procedimentos e as normas à realidade dos nossos dias, mantendo o que se afigura consequente com a identidade do movimento rotário e adaptando o que for necessário aos novos ideais da cultura social moderna.

A ampla reflexão sobre os caminhos que percorremos e se abrem à sociedade no nosso tempo, desde as realidades locais a uma dimensão mas universal da existência, é nesse perspetiva, uma preocupação do Rotary Club de Faro. Entendendo que não se atingem os fins de promoção humana e desenvolvimento nacional se não dedicarmos especial atenção aos problemas regionais o ciclo de conversas/conferências «O Algarve, Portugal e o Futuro», são um pretexto para a reflexão e pera o debate de ideias.

Pretende, desta forma, o Clube contribui para os objetivos do Rotary de melhorar a qualidade de vida, manter a dignidade humana e promover a compreensão e a paz mundial.

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