RIAS esclarece «caso das raposas» da praia de Cabanas de Tavira

O RIAS – Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens, com sede em Olhão (Marim), emitiu na segunda-feira, 9 de outubro, um comunicado para esclarecer o «caso das raposas» encontradas na praia de Cabanas de Tavira, que ao longo dos últimos dias tem inflamado as redes sociais.

De acordo com o responsável Diogo Amaro, «o RIAS teve conhecimento desta situação desde o início. Foram contactadas, por nós, as autoridades competentes desde o primeiro momento e todo o processo foi tratado pelos trâmites normais. Temos conhecimento de que estão a ser feitos esforços para capturar os animais, em segurança, de modo a fazê-los chegar às nossas instalações para se iniciar o processo de recuperação, o mais rapidamente possível».

O comunicado faz uma chamada de atenção para o facto de os animais não deverem ser alimentados. «O contacto e a interação com humanos deve ser evitado ao máximo. A sobrevivência de um animal selvagem numa situação como esta pode ficar gravemente comprometida, pois a habituação ao Homem pode ser irreversível. No caso destas raposas, a alimentação errada, disponibilizada pelas pessoas, é uma das causas para o seu estado de saúde. Está também a atrasar e prejudicar o processo de captura pelas autoridades competentes. Este caso tem sido, infelizmente, um exemplo do que não deve ser feito na presença de um animal selvagem».

É que, «apesar da toda a boa vontade, estas situações devem ser tratadas pelas autoridades e pelos seus técnicos especializados. Como é nosso hábito, estamos disponíveis para receber todos os animais selvagens com necessidade de cuidados médicos a qualquer hora do dia ou da noite. A nossa equipa trabalha todos os dias do ano, sem exceção, para que todos os animais sejam tratados com todo o cuidado e dignidade que lhes é devida».

Diogo Amaro esclarece ainda que o RIAS tem como principal função receber e tratar todo e qualquer animal selvagem que lhe seja entregue, com o objetivo final de o devolver à Natureza totalmente recuperado. «Infelizmente, o RIAS não dispõe de meios materiais e humanos para realizar a recolha dos animais no terreno, estando essa função a cargo das entidades competentes».

«Processo muito frustrante» lamenta PAN

O caso acabou por ter mediatismo nacional, graças às denuncias de Ana Fernandes, jornalista da Antena 1, sendo tema de reportagem no alinhamento do telejornal, no passado fim de semana. Mas antes, a publicação que fez no perfil pessoal no facebook, a 6 de outubro, tornou-se viral. «Para mim há três vertentes fundamentais neste caso: o sofrimento do animal; o risco para a saúde pública, já que a raposa (eu só vi uma, mas há relatos de duas) se encontra num local balnear, circulando no meio das pessoas em busca de comida e água. E a falta de capacidade de resposta e inoperacionalidade demonstrada pelo organismos responsáveis pela atuação nestas circunstâncias», referiu Ana Fernandes ao «barlavento».

Na segunda-feira, Susana Santos, comissária do PAN/Algarve esteve no local durante todo o dia. Logo pela manhã «já lá se encontravam dois elementos do ICNF que andavam a palmilhar e praia tentando acompanhar os percursos das raposas. Tinham consigo uma armadilha com isco e umas varas compridas a que chamam laços. Foram incansáveis. Quem está no terreno começa a perceber a dificuldade em capturar estes animais que, por estarem a ser alimentados por cidadãos, não se deixaram minimamente cativar pelo isco na armadilha. Ela aproxima-se muito, é certo, mas não se deixa tocar. Foi muito frustrante todo o processo», relatou ao «barlavento». «Só no final da tarde é que chegou a veterinária municipal de Tavira, o Sepna, GNR e a Polícia Marítima. Mas todas as entidades estão com vontade de resolver a situação», sublinhou.

«A equipa do ICNF pensa que será uma família, porque chegaram a avistar uma raposa adulta no local há poucos dias e há relatos de terem sido avistadas duas crias. Já está a tentar há alguns dias a captura, mas pelos vistos, há muitas pessoas que são contra a recolha do animal, e fecham as armadilhas, condenando os esforços ao fracasso. Apesar do estado magro e sarnento da raposa pensei encontrar um animal prostrado e desorientado. Não foi o caso, até porque, pelo que pude compreender estes animais são muito resistentes». Até ao fecho de edição, na terça-feira, 10 de outubro, a raposa ainda não tinha sido encontrada.

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