Refood Almancil já tem novo espaço de trabalho

A obra custou cerca de 60 mil euros e foi a proposta mais votada no Orçamento Participativo na freguesia de Almancil, em 2016, e a primeira a inaugurar. O novo espaço visa combater o desperdício alimentar e vai permitir duplicar número de voluntários e de famílias apoiadas .

«É a concretização de um objetivo muito importante», disse Alexandra Brito, coordenadora do grupo Refood Almancil, durante a inauguração das novas instalações, no sábado, 29 de julho. Agora, os voluntários dispõem de uma ampla casa modular, equipada com cozinha, WC, escritório e arrecadação. A equipa evolui de um espaço exiguo com apenas 10 metros quadrados, para uma área útil de 60 metros quadrados, com equipamentos de refrigeração. Vai permitir desenvolver o trabalho «de forma mais eficaz» e servir um maior número de pessoas que necessitem de apoio alimentar.

Alexandra Brito relembrou que «o movimento Refood iniciou-se em Lisboa em 2011» sendo que em Almancil a primeira reunião aconteceu apenas em fevereiro de 2014». «Fizemos trabalho de investigação e mapeamento das possíveis fontes e parceiros na freguesia de Almancil». O arranque do primeiro núcleo da Refood no Algarve, na prática, «só foi possível graças à Junta de Freguesia, que nos cedeu um contentor para preparámos tudo e iniciarmos os trabalhos que culminaram com a inauguração do núcleo, a 30 de abril de 2015», recordou.

Durante a inauguração, Alexandra Brito sublinhou ainda a importância do Orçamento Participativo enquanto «ferramenta de cidadania que coloca nas mãos das pessoas o poder de decidir e mudar a sua realidade. A nossa proposta foi mais votada, e por isso, agradeço a todos os que confiaram em nós». Hunter Halder, fundador do movimento Refood também esteve presente na cerimónia de inauguração em declarações ao «barlavento» evidenciou que «é a primeira vez que um centro de operações da Refood consegue o seu espaço de trabalho via Orçamento Participativo», algo que o deixa «extremamente orgulhoso» porque esta conquista é representativa «da vontade dos cidadãos». «Isto vai capacitar o núcleo de Almancil a fazer mais e melhor serviço para a comunidade. Mais capacidade para os alimentos reaproveitados e mais espaço para voluntários».

Joaquim Pinto, presidente da Junta de Freguesia de Almancil, relembrou que «até aqui as condições de armazenamento de frio eram insuficientes», e que o novo espaço «vai permitir apoiar ainda melhor dezenas de famílias. Estou muito satisfeito pois é o primeiro projeto do Orçamento Participativo de 2016 que está concluído».

Já Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, relembrou que desde há «três anos que o Orçamento Participativo tem vindo a servir as pessoas numa óptica diferente: numa espécie quase de democracia direta. O município louletano disponibiliza anualmente, em números redondos, uma fatia de meio milhão de euros do seu orçamento anual. Essa fatia é repartida por várias freguesias de acordo com critérios equitativos e fica à disposição para ser gasta no projeto mais votado em cada uma». «Num mundo perfeito não seriam necessárias organizações e iniciativas destas, mas quando fazem falta, é bom que estejam disponíveis para ajudar os que mais precisam. O Orçamento Participativo começou em Loulé com este executivo municipal, vai continuar e vai ajudar as pessoas a compreender e valorizar melhor a democracia. Talvez assim percebam que é bom não entregar a política só aos políticos. É bom que se envolvam, discutam, questionam, reclamem e reivindiquem».

Atualmente a Refood Almancil possui 25 voluntários ativos e distribui aproximadamente 30 refeições diárias. Alexandra Brito confidencia que após a inauguração do novo espaço com condições de trabalho melhoradas espera que «mais voluntários se inscrevam». «A partir de setembro iremos também alargar o nosso horário de voluntariado. Iniciamos as operações a partir das 15 horas permitindo assim que mais voluntários – especialmente reformados – se inscrevam e possam contribuir fora do horário pós-laboral. Outro objetivo a médio prazo é conseguir uma carrinha refrigerada que por um lado ajude nas recolhas de alimentos e que permita ajudar beneficiários que se encontrem em zonas geográficas mais longínquas da freguesia.

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