Portimão devolve Largo da Igreja Matriz aos peões

Centro da cidade entrará em obras para melhorar acessos, tornar o espaço atrativo e reunirá condições de smart city com pontos de carregamento para viaturas elétricas.

O Largo da Igreja Matriz de Portimão, em pleno centro histórico da cidade, sofrerá uma intervenção que pretende eliminar as barreiras físicas à acessibilidade pedonal e reforçar a identidade daquele espaço. Ao «barlavento» Joaquim Castelão Rodrigues, vice-presidente da Câmara Municipal de Portimão, explicou que, a par da requalificação do Jardim 1º de Dezembro, em frente ao Teatro Municipal (TEMPO), esta será «uma das intervenções mais importantes para a cidade» prevista para os próximos tempos.

«Além de criar acessibilidade pedonal para munícipes e turistas, reforça a identidade do centro histórico, tornando-o, ao mesmo tempo, mais atrativo, podendo motivar privados a apostar na reabilitação de imóveis naquela zona também», acrescentou o vice-presidente.

Uma das novidades, conforme avançou Castelão Rodrigues ao «barlavento», será a criação de condições de smart city, sendo exemplo a implementação dos carregadores elétricos para viaturas.
O projeto foi apresentado durante a IV Semana da Reabilitação Urbana, que decorreu entre 11 e 13 de abril, naquela cidade. A área de intervenção situa-se no coração da ARU – Centro Histórico de Portimão e abrange a zona de proteção dos dois imóveis classificados Igreja Matriz e muralha.

De acordo com o vice-presidente, a execução da empreitada rondará os 750 mil euros, estando, neste momento, a autarquia a aguardar a aprovação, por parte do Programa Operacional CRESC Algarve 2020, que financiará 65 por cento deste valor.

A obra será ainda realizada em parceria com as diferentes entidades que exploram as infraestruturas na área e deverá demorar oito meses até estar concluída.

Em termos concretos, o estacionamento automóvel será reorganizado, passando para outros espaços periféricos. Ou seja, acabam os lugares para os veículos em redor à Igreja, para permitir que o monumento possa ser apreciado em pleno. Também a Rua Bispo Dom António Castelo Branco, artéria ao lado da Igreja e que passa em frente à sede do Clube Boa Esperança, será destinada quase em exclusivo aos peões, ficando o acesso automóvel condicionado a cargas e descargas, veículos de emergência e entidades competentes.

A intenção é promover um espaço contínuo, fluído, unificador e minimalista, que valorize o património existente, tanto a nível material como cromático. Assim, foi escolhido um pavimento único em pedra calcária, que terá apenas uma marcação com recurso a um pavimento diferente do traçado que a autarquia julga ser a muralha tardio-medieval de Vila Nova de Portimão.

Os pavimentos dos corredores de circulação pedonal e de toda a envolvente da Igreja Matriz serão substituídos por outros novos, em paralelepípedos de calcário, criando uma superfície mais regular e confortável.
O projeto prevê ainda acabar com os passeios, passando o perfil dos arruamentos a constituir dois planos únicos. A drenagem pluvial será realizada no centro da via, enquanto a circulação automóvel e pedonal passa a funcionar sob o principio da coexistência que atribui prioridade ao peão.

Aproveitando a oportunidade de mexer nestas ruas, a Câmara Municipal de Portimão arranjará as diversas infraestruturas, a rede de abastecimento de águas, os esgotos domésticos, a rede de águas pluviais, a iluminação pública, o abastecimento elétrico e telecomunicações, que estão obsoletas.

A autarquia irá ainda acautelar a obra com o acompanhamento arqueológico, visto que este espaço é caracterizado pela elevada sensibilidade nesta área. Serão realizadas, por isso, escavações arqueológicas prévias (manuais ou mecânicas) nas zonas mais suscetíveis, ainda que todas as frentes de obra tenham um arqueólogo em permanência.

Categorias
Regional


Relacionado com: