«Olhão assume-se cada vez mais como capital da Ria Formosa» diz António Miguel Pina

O governo esteve em Olhão e Faro não gostou. Ministra do Mar desdramatizou, pois esta é «uma época especial».

As rampas de carga dos núcleos habitacionais das ilhas-barreira precisam de obras e a Autoridade Marítima Nacional precisa de espaço para instalar um posto marítimo no Farol. A solução veio pela mão de Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, e Azeredo Lopes, ministro da Defesa Nacional, que assinaram protocolos com a Administração dos Portos de Sines (APS) e do Algarve e a Docapesca, à mesa do presidente da Câmara Municipal de Olhão, no final da manhã de quarta-feira, 26 de julho.

António Miguel Pina frisou que a «obra não é de grandes milhões» e, na verdade, custará cerca de 130 mil euros aos cofres da autarquia olhanense. Mas «tem sido esquecido que nas ilhas-barreira há uma aldeia de pescadores onde vivem 500 famílias, que na ilha da Armona temos 900 casas e no verão estão lá 5000 pessoas. Que nos Hangares e no Farol podem estar mais 3000. Nesta altura temos ali mais de 10 mil pessoas. E qual é o acesso? Se virem aquelas rampas jogam as mãos à cabeça. Este pequeno investimento tem uma importância extraordinária no dia a dia desta população».
Pina aproveitou ainda para responder ao seu homólogo farense, Rogério Bacalhau, que pouco antes da visita dos governantes, considerou «ultrajante» ver assuntos com «respeito ao território e à vida da população de Faro» tratados no concelho vizinho.

António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão.

«Olhão assume-se cada vez mais como a capital da Ria Formosa. Andamos à frente. Somos nós que puxamos e procuramos soluções, porque não vale a pena só dizer que faz falta» como «noutros municípios» e «não procurar ajudar, colaborar», frisou António Miguel Pina. «E depois aparece a Câmara de Olhão, cada vez mais na dianteira da defesa da Ria Formosa. É porque de facto percebemos as necessidades das pessoas. E procuramos soluções com os nossos governantes».

Após a cerimónia e em declarações aos jornalistas, a ministra Ana Paula Vitorino desdramatizou a polémica. «Estamos numa época especial das nossas vidas, e devo dizer que hoje, em Portimão, foram assinadas matérias que dizem respeito a Lagos e Sagres e estiveram presentes vários presidentes de Câmara. Aqui tivemos uma matéria respeitante a Olhão e outra questão respeitante a Faro. Inicialmente até tínhamos pensado fazer a cerimónia no Farol, mas a logística de transporte seria complicada e por isso fizemos aqui. Convidámos o senhor presidente da Câmara Municipal de Faro para fazer uma intervenção. Infelizmente, ele já tinha outros compromissos e não pôde estar presente. Mas não deixaram de se tratar nesta sessão assuntos que dizem respeito às populações dos dois concelhos».

Questionada sobre o projeto «Farformosa», um plano de renovação urbana para o cais comercial de Faro apresentado no início de junho, a ministra anunciou que «não vai haver decisão antes de outubro. Isto é uma matéria que terá de ser analisada e já está combinado com a AMAL. Termos de encarar toda esta área no âmbito de um projeto-piloto que é a Portos do Algarve. E portanto, não será com certeza a dois meses das eleições que iremos decidir». A ministra desvalorizou também as críticas de quem a acusa de apenas visitar municípios socialistas. «Pode haver aqui alguma coincidência. Se calhar há autarquias que foram mais dinâmicas, que tiveram mais ideias, e mais capacidade de concretização. Se são socialistas, é uma apreciação que não sou eu que vou fazer».

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