Nova raça canina algarvia será reconhecida em 2016

«Um dia histórico para a raça». Foi assim que Carla Molinari, presidente do Clube Português de Canicultura (CPC), descreveu o passado sábado, dia 29 de agosto.

A data marca o primeiro concurso do «Cão do Barrocal Algarvio», raça que deverá ser oficialmente reconhecida como portuguesa já em 2016, que teve lugar no Parque das Figuras, em Faro.

Até 2015 existia apenas uma raça algarvia reconhecida dentro das oito nacionais. Mas já a partir do próximo ano, o «cão do barrocal algarvio» será a segunda raça do sul a ver reconhecido o seu estalão.

Molinari, presidente do CPC, juíza mundialmente conhecida de todas as raças, e membro da direção do Clube Português de Canicultura há mais de três décadas, fez questão de marcar presença no Algarve e contou ao «barlavento» que «há cinco anos observamos estes cães.

Já fizemos o estalão da raça e terá de ser aprovado em assembleia para que seja reconhecida».

Depois, o CPC fará o pedido oficial de reconhecimento à Direção Geral de Veterinária «e aí ficará a título provisório durante dez anos».

A última raça nacional foi aprovada em 2004. «Há dez anos reconhecemos duas novas: o cão de gado transmontano e o barbado da terceira».

O «cão do barrocal algarvio» é o único em estudo neste momento. Molinari descreve-o como «engraçado, aprazível, homogéneo, simpático e não é só um cão de caça, mas também de família. Um bom cão de companhia que tem todas as condições para vir a ser apreciado por muitas pessoas».

A Associação de Criadores do Cão do Barrocal Algarvio (ACCBA), criada há dez anos, foi a responsável por resgatar este cão do anonimato. Rogério Teixeira, presidente da ACCBA, explica que «a tradição oral é a única fonte que nos diz algo sobre a sua origem» e que «o alcance temporal ultrapassa seguramente os duzentos anos». A raça chegou a estar «condenada ao desaparecimento, como muitas outras, mas, no entanto, resistiu e afirmou-se, principalmente nas áreas do barrocal algarvio».

Apesar de ser algo semelhante ao podengo, Teixeira afirma que «fizemos investigação e descobrimos que geneticamente tem zero-compatibilidade com essa raça. Este é um cão do Algarve com características muito próprias».

Descreve-os como «cães vivaços, muito enérgicos e algo territoriais. O que torna a raça única é a sua agilidade, adaptabilidade, boa forma física e a resistência. Em termos de caça, por exemplo, são cães que conseguem aguentar três dias consecutivos a trabalhar em terrenos complicados, e em termos de alimentação, comem relativamente pouco», salienta.

O ACCBA tem vindo a distribuir gratuitamente cães a nível nacional e internacional e, estima-se que atualmente existam cerca de 1500 exemplares. Contam com apenas doze associados e cerca de dez criadores, realidade que deverá alterar-se assim que a raça for oficialmente reconhecida.

«Quando formámos a associação decidimos percorrer o Algarve à procura de exemplares para não fechar a consanguinidade. Conseguimos comprar alguns e houve o trabalho de identificar as características mais comuns entre eles. Foram essas características que serviram de base para definir o estalão da raça, em consonância com o CPC».
Teixeira admite que «os algarvios ainda desconhecem a raça», mas que em breve esta realidade se vai alterar. «Na verdade, a raça já existe há mesmo muito tempo! É nossa! E penso que terão muito gosto em ter mais uma raça portuguesa que é algarvia!», conclui.

Características do Cão do Barrocal Algarvio

O seu apurado instinto de caçador confere-lhe características de rapidez, agilidade, objetividade, resistência e grande energia. Adapta-se facilmente a terrenos inóspitos. As principais características morfológicas são a cauda comprida em forma de caracol e bandeira; pelo liso e médio, muito macio; e pelo comprido nas partes posteriores das pernas e base das orelhas. É um cão de corpulência média, sendo que os machos chegam a pesar até 25 quilogramas e a medir 55 centímetros, e as fêmeas 20 quilogramas e a medir 50 centímetros.

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