Movimentos de cidadania discutem urbanismo e mobilidade em Faro

Com vista a um maior esclarecimento dos cidadãos, vai ser realizada uma sessão pública com debate, hoje, sexta-feira, dia 5 de maio, às 21h30, no Club Farense, com a participação do arquiteto Filipe Monteiro e do artista plástico e ativista Fernando Silva Grade. Durante a sessão será discutida a petição pública on-line «Não à destruição do que resta do património arquitetónico de Faro» que à data já soma meio milhar de assinaturas.

«Apesar de muitos anos de atraso, o exercício da cidadania chegou ao nosso país para ficar, algo que, porém, nos países da Europa culta tem sido um fator primordial no funcionamento da democracia há décadas. Na verdade, na nossa terra, a impunidade com que os mais atrozes atentados ambientais e urbanísticos ocorreram nos últimos anos, contou com uma total indiferença dos cidadãos que muitas vezes, bem pelo contrário, ajudaram a desenrolar a passadeira vermelha que possibilitou o genocídio cultural do Algarve, como lhe chamou António Rosa Mendes», explica Fernando Silva Grade, coordenador da iniciativa.

«Faro, capital do Algarve, também foi sujeita a uma descaracterização brutal. Poderíamos desfiar, um rosário de edifícios de grande valor patrimonial e estético que foram varridos do mapa, como por exemplo, o Banco Nacional Ultramarino, na baixa. Faro perdeu identidade nestes anos de barbárie. Para salvar o que ainda resta, urge que a força da população consciente se assuma. Os nossos governantes têm de entender que há mais democracia além dos boletins de voto e dos gabinetes climatizados», acrescenta.

A petição surge no seguimento da demolição de um conjunto de casas, na Rua General Teófilo da Trindade (paralela ao tribunal) «que muito indignou uma faixa alargada de cidadãos». Agora, o grupo propõe-se a evitar que sejam de novo cometidos «os mesmos erros gravíssimos que ocorreram no boom da construção nos anos 1980 e 1990, de tão má memória, e que tanto mal fez» à região. Está ainda a ser distribuído um folheto informativo «sobre os perigos iminentes que ameaçam a capital algarvia que não pode suportar mais aumentos desmedidos de volumetrias sob pena de se tornar irrespirável».

«Faro à conversa» testa mobilidade a pé

O grupo informal de cidadãos «Faro à Conversa» organiza sete percursos pedestres distintos pelas ruas da capital algarvia, dando assim mote ao debate em torno da mobilidade, no domingo, 7 de maio. A partida será em frente ao Mercado Municipal de Faro, às 15 horas. «Vamos experimentar as facilidades e os obstáculos que se encontram quando se anda a pé em Faro. Não nos preocupa apenas o transeunte individual e saudável. Preocupa-nos também, uma família transportando um filho pela mão ou num carro de bebé, ou um deficiente motor, ou invisual, que necessite de se deslocar com autonomia», explica o grupo em nota enviada à imprensa.

«Partindo da frente do Mercado Municipal, vamos percorrer diferentes trajetos desta cidade, calcando os passeios e atravessando as ruas, procurando assinalar onde é mais fácil passar e onde se encontram os impedimentos que dificultam a vida de quem por cá anda. Para tal, seremos acompanhados por cidadãos com mobilidade reduzida, ou simplesmente na companhia de crianças ou idosos», sendo esta a terceira ação dedicada ao tema da mobilidade que o grupo informal de cidadãos «Faro à Conversa» a organiza.

«Já debatemos a problemática geral da mobilidade em Faro e, num segundo encontro, a questão particular da mobilidade em bicicleta. Convidamos todos os cidadãos que gostam de Faro a juntarem-se a nós neste passeio exploratório e, no final, a debater as situações que encontrarmos com especialistas em mobilidade».

«Como cidadãos temos de nos assumir como responsáveis por este nosso cantinho. Acreditamos que para responder aos desafios atuais, urge alimentar processos de mudança de forma colaborativa e participada. Juntos temos a capacidade e o poder de gerar essas mudanças. Reconhecemos que não temos todas as respostas e que temos muitas interrogações. Estamos conscientes que devemos encontrar novas formas de intervenção enquanto comunidade. Desafiamo-nos a despertar iniciativas experimentais de democracia participativa e de cooperação. Precisamos de assumir este compromisso com Faro», sublinha o grupo que pode ser contactado através do e-mail: [email protected]

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