Monchique é pré-finalista das «7 Maravilhas à Mesa»

A primeira gala em direto será no dia 22 de julho, na RTP1.
Fabrico tradicional de enchidos, em Monchique.

Monchique está entre as 49 pré-finalistas do concurso «7 Maravilhas à Mesa», que recebeu um total de 182 candidaturas. A mesa candidata é «fruto de saberes e de usos e costumes seculares transmitidos de geração em geração, com pratos confecionados à base de carne de porco preto resultando em muitas receitas típicas, que mantêm o genuíno gosto da tradição», segundo explica a Câmara Municipal de Monchique em nota enviada à imprensa, hoje, quarta-feira, 27 de junho.

Em Monchique, «a qualidade dos produtos, a originalidade na confeção, a forma como os pratos são apresentados e servidos e a explicação da origem, são elementos que, sem dúvida, são diferenciadores da oferta da região».

 

Falar «de enchidos, de aguardente de medronho, de milhos aferventados, de sopa de feijão ou de javali com cogumelos, é falar da essência de Monchique, que se traduz, não só nos produtos em si, mas em todos os processos que eles acarretam. Falar destes ícones gastronómicos, é falar de tradições ancestrais que se mantêm até hoje. São rituais tão únicos e particulares, que fazem com que estes produtos sejam verdadeiros anfitriões gastronómicos do concelho e que proporcionam aos visitantes saborear, não só a excelência e qualidade dos mesmos, como provar da história e beber das tradições», acrescenta a nota da autarquia.

«Este conjunto de fatores, que alia o paladar ao resto dos sentidos, faz com que as experiências sejam muito mais que gastronómicas. Embora o tempo passe, a cozinha tradicional continua a passar de geração em geração, sem perder a sua autenticidade e, é essa genuinidade que alimenta a imaginação das famílias de Monchique e de quem nos visita. Aqui, nesta pequena mas rica partilha de usos e costumes, queremos que sinta o sabor da tradição. Que se deixe envolver por esta essência tão única que é a gastronomia de Monchique. É esta essência, este saber fazer, que torna tão singular e particular os ícones gastronómicos que aqui apresentamos. São verdadeiras referências culturais», lê-se ainda.

 

«Podemos afirmar, com plena convicção, que a candidatura de Monchique é distinta das restantes. Em primeiro lugar, todo o processo é elaborado com base na personificação da figura das cozinheiras tradicionais e, ao não associar nenhum restaurante, nem evidenciar um nome estamos, por um lado, a negar qualquer tipo de publicidade ou distinção a restaurantes e, por outro, a destacar esta imagem da cozinha tradicional», afirma a autarquia.

Por outro lado, «todo o processo de confeção dos pratos, acarreta em si um ciclo de preparação bastante incomum e único. E exemplo disso são os milhos aferventados, cozidos com cinza peneirada durante duas a três horas, depois lavados em água abundante e cozidos novamente com os restantes ingredientes».

Composição da mesa monchiquense

Pão Caseiro de Monchique
Uma marca na gastronomia local, o pão caseiro é amassado à mão, com pouco fermento e cozido em forno de lenha.

Tiborna de Chouriça
Uma tradição durante as matanças do porco, a tiborna é feita com o pão caseiro acabado de sair do forno, coberto com chouriça de porco preto, e vai ao forno por alguns momentos polvilhado com orégãos.

Sopa de Feijão
A base tradicional da alimentação de Monchique é a sopa. Colocam-se na panela todos os legumes da época, algum feijão, e deixa-se ferver longamente em fogo lento.

Javali Estufado com Cogumelos Silvestres da Serra de Monchique
Este prato representa a realidade cinegética do concelho onde predomina a caça grossa (javali e veado). Os cogumelos, que também abundam na nossa serra em grande número e variedade, compõem um prato rico e genuíno, com sabores inigualáveis da Montanha Sagrada, que encerra em si muitos segredos da culinária local, associada a produtos de qualidade e próprios deste local.

Milhos Aferventados
Dada a originalidade e antiguidade na preparação dos milhos, a sua morosa e antiga forma de cozinhar, onde é misturada cinza na sua confeção, traduzem-se num processo singular, que confere um sabor único ao ingrediente base deste prato: os milhos.

Aguardente de medronho
Os medronheiros crescem principalmente nas vertentes voltadas a norte das serras, por serem as mais húmidas. O seu fruto, uma drupa de forma esférica e cor vermelha quando madura, é colhida no outono e dá origem ao famoso medronho de Monchique.

A «Estila»
Fabrico da aguardente de medronho. Fermentado por meio de enzimas naturais é, em seguida, vagarosamente destilado em alambiques de cobre, uma tarefa que muitas vezes se prolonga por dias e noites. A aguardente tem um sabor próprio, muito apreciado pelos conhecedores e, quando envelhecida em cascos de carvalho, torna-se macia ao paladar.

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