Loulé em contagem decrescente para a «geringonça» carnavalesca

Um «Presidente da República que vende beijinhos à pataca», muitos apitos dourados entre caricaturas do mundo futebol e da atualidade internacional em 15 novos carros, estão quase prontos para atrair 100 mil visitantes ao Carnaval de Loulé 2017.

Um Cristiano Ronaldo cabeçudo ganhava os últimos retoques, tal como Barack Obama via nascer, aos poucos, o sorriso perfeito às mãos de um dos vários técnicos da equipa que, na tarde de sexta-feira, dia 17, ultimavam os preparativos para o corso. Está tudo em contagem decrescente para o desfile na Avenida José da Costa Mealha, marcado para as 15 horas dos dias 25, 26 e 28 de fevereiro.

«Este ano, o tema, como sempre, procura em primeiro lugar satirizar o que vai acontecendo no país e no mundo. Daí o facto de termos agarrado a grande novidade do ano político que passou, que foi uma solução política improvável, batizada com um nome, com o qual não temos nada a ver, mas que achámos que era muito feliz para o cortejo carnavalesco – a grande geringonça», explicou o autarca Vítor Aleixo aos jornalistas, convocados para verem no local o progresso dos trabalhos.

«Das coisas sérias fazemos coisas engraçadas para divertir as pessoas que nos visitam. Com grande sentido de humor, temos os Descobrimentos, várias situações retratadas no plano do improvável, tal como a geringonça política do país. E tudo foi planeado com o know-how e a mestria dos nossos técnicos municipais», sublinhou o presidente da Câmara Municipal de Loulé.

Serão 15 carros e mais de 700 participantes, entre as coletividades do concelho, animadores, cabeçudos e grupos profissionais já veteranos do corso louletano. Uma «máquina bem oleada» com a qual Vítor Aleixo espera atrair 100 mil visitantes durante os três dias de festa.

Acerca do orçamento, «as contas não estão fechadas, mas não ultrapassaremos a verba que foi destinada ao Carnaval de Loulé nos últimos anos. Será muito próxima dos 200 mil euros», estimou.
Também digno de nota é «a oportunidade de homenagear aquele que foi sempre um grande nome dos cortejos e dos carnavais, em termos conceptuais, de criatividade na ornamentação da Avenida José da Costa Mealha, nos desenhos dos temas de alguns carros alegóricos, ao longo de muitos anos», o pintor e artista louletano Luís Furtado. «Queremos dar-lhe um grande abraço de reconhecimento e de amizade», disse Vítor Aleixo.

A bilheteira terá um preço simbólico de dois euros. Questionado porque não um dia aberto e grátis, Hugo Nunes, vice-presidente da autarquia e responsável pela organização do corso, explicou que tal «não foi equacionado», porque metade do valor das entradas são distribuídas por instituições do concelho, segundo o espírito original, e também pelos diversos grupos e coletivos amadores participantes.

Em relação ao retorno que o evento traz à cidade, os autarcas admitiram que «nunca foi feito um estudo nesse sentido», embora a atenção mediática que Loulé recebe «acabe por ser uma valorização. Mas é muito difícil perceber o que acontece do ponto de vista da atividade comercial micro. É um trabalho muito complexo chegar a um valor que possa ter credibilidade e sustentação», admitiu o vice-presidente. Também não haverá padrinho, nem madrinha. «Temos que fugir desse conceito», sublinhou.

A maioria dos carros são desenhados pelo mestre «Palhó» e executados pela equipa, à exceção de um conjunto de trabalhos em esferovite de grande pormenor, que, em função do volume de trabalho, requer também os serviços de uma empresa especializada.

Mas a azáfama não se esgota aqui. Entre os bastidores e a linha da frente, o Carnaval mais antigo do país mobiliza mais de 150 pessoas – artistas plásticos, carpinteiros, eletricistas, operacionais de limpeza, tratoristas e seguranças, coordenada pelo gabinete de eventos da autarquia. «Do ponto de vista logístico, não temos nenhuma geringonça», brincou Vítor Aleixo.
A segurança está assegurada num plano que envolveu a participação dos serviços municipais de proteção civil, autoridades, serviços de saúde e bombeiros. Hoje, sexta-feira, 24 de fevereiro, começa a animação com o desfile de Carnaval Infantil às 10 horas.

Um «tesouro escondido»

Ao longo dos anos, a Câmara Municipal de Loulé acumulou um espólio único. «Temos um serviço de costura que, cada vez que um carnaval acaba, limpa, repara e guarda os fatos para o ano seguinte. Há cerca de 3 mil fatos de carnaval, todos eles carregam memória e história. Este ano começamos a destapar esse tesouro. Está em curso a catalogação e inventariação das peças, para que possamos fazer a sua gestão», explicou o vice-presidente da Câmara Municipal de Loulé Hugo Nunes. A primeira amostra deste «tesouro escondido» está patente nas lojas da Praça da República, uma exposição com curadoria de Sónia Mendes, a principal dinamizadora da valorização deste legado.

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