Lagoa pode abrir portas a mais cidades inteligentes

Há Câmaras Municipais algarvias que já visitaram o Centro de Operações lagoense para ver in loco o que está em jogo.

Os cidadãos de Lagoa já podem, desde quinta-feira, 25 de janeiro, reportar ocorrências ou problemas que encontrem no concelho através do site da Câmara Municipal. A intenção é facilitar a sua resolução através das novas tecnologias, agilizando informação entre serviços.

Na prática, qualquer munícipe pode aceder ao serviço, através de computador, tablet ou smartphone. Após o registo no site da autarquia, é possível enviar uma fotografia e uma breve descrição do problema, que serão encaminhados para o serviço municipal correto. Quem reporta a ocorrência, como explicou Rui Mesquita, técnico da autarquia, será informado à medida que o processo vai tendo resposta. E para atestar a veracidade da plataforma e mostrar como funciona, foi simulado o reporte de um contentor cheio, perto do novo Centro de Operações, que está instalado no Parque Municipal de Feiras. Minutos depois surgia no sistema um camião do lixo, tendo sido possível seguir a rota do veículo.

Há assim uma face visível para o cidadão e um backoffice para os técnicos. Fugas de água, buracos no passeio, problemas na rede viária ou nos percursos pedestres, são apenas algumas das situações que os cidadãos são encorajados a apontar. Francisco Martins sublinhou que a partir de agora há três opções. «Uma é ver o que está mal e deixar estar. A segunda é usar a aplicação, reportar e acompanhar a ocorrência. A última é ir para o facebook dizer que aquilo está mal. Cada um escolhe a que quiser, mas obviamente que acolho de braços abertos aqueles que querem ajudar», afirmou.

O centro agora inaugurado, segundo assegurou o autarca, já tem muitas valências, mas não ficará estático. «Já estamos a tentar explorar outras ferramentas. O que vamos mostrar hoje é aquilo que queremos que seja a semente para o que vem daqui por diante». O objetivo desta smart city será colocar a população a sentir a gestão autárquica, levando-a a que esta queira fazer parte ativa.

«Falamos muitas vezes, por um lado, da transparência, por outro lado, do envolvimento e da cidadania. Agora as pessoas vão ter esta ferramenta nas mãos e serão livres de participar», constatou.

O novo sistema, que integra o primeiro Centro de Operações smart city do Algarve, sendo o segundo do país a seguir a Oeiras, pode e deve ser tido como exemplo para outros concelhos que queiram replicar a ideia. Por isso, a Câmara Municipal de Lagoa está de portas abertas para mostrar como tudo funciona e a NOS também abraça a possibilidade de alargamento.

«Hoje já três municípios vieram cá para ver. Este foi também um compromisso desde o início. Da mesma forma que Oeiras nos recebeu para aprofundar conhecimentos também o faremos. E tenho a certeza que daqui por uma meia dúzia de anos teremos uma região inteligente», disse o presidente da Câmara Municipal de Lagoa.

A cerimónia de inauguração do Centro de Operações, que até já tinha sido apresentada ao público durante a FATACIL, em agosto do ano passado, como o «barlavento» noticiou na altura, é o seguimento de um protocolo assinado entre a empresa NOS e o município. Antes de firmar esse protocolo, Lagoa visitou o primeiro centro que a operadora de telecomunicações criou em Oeiras e como materializava o que o executivo tinha planeado para o concelho algarvio, o protocolo seguiu em frente.

«A NOS acredita na massificação de soluções de smart cities. Acreditamos que criamos aqui uma solução em conjunto com os municípios, ainda que de dimensões diferentes. Consegue ser flexível o suficiente para responder às dificuldades de concelhos diferenciados. Nesse sentido, estamos a falar com Câmaras de várias regiões e várias do Algarve», disse Tiago Ribeiro, diretor de desenvolvimento de negócio corporate da NOS.

Conforme avançou o responsável quando questionado pelo «barlavento», está em fase de discussão a possibilidade de alargar o projeto. «Acreditamos que, em algumas regiões, faz sentido uma aproximação entre os municípios para que pudessem utilizar plataformas já montadas».

Ou seja, a NOS considera que a estratégia poderá passar por rentabilizar soluções já implementadas, como é o caso de Lagoa, para utilização nos concelhos limítrofes, desde que estejam interessados em partilhar plataformas, pois há desafios que são similares em várias zonas do país, adiantou ainda.

Apesar de já existirem outras soluções que podem ser enquadradas na temática das smart cities, como a partilha de bicicletas ou gestão de rega, a NOS não entende esses projetos como um verdadeiro plano estruturante. «Têm o seu mérito, mas não deixam de ser pilotos. Na nossa visão, dentro de uma verdadeira tipologia de projeto de smart city conhecemos dois (Oeiras e Lagoa) e a nossa estratégia passa por implementar este tipo de solução, que cria alicerces muito sólidos para depois permitir o crescimento para soluções mais verticais», diferenciou Tiago Ribeiro.

«Acreditamos que estamos claramente à frente na inovação, na criação de soluções, mas também somos os primeiros a dizer que a tecnologia não resolve os problemas do mundo. Quem conhece realmente os principais desafios que as autarquias têm são o presidente da Câmara e o executivo», justificou. Para já, e visto que a plataforma estará sempre em constante evolução, ambos os parceiros estão a identificá-los em conjunto. «O nosso trabalho agora que os dados estão lançados é identificar as áreas de ataque primário. O que estamos a ver hoje não se esgota aqui», argumentou ainda o diretor de desenvolvimento de negócio.

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