Lagoa organiza primeira Feira dedicada ao Emprego e Formação

Mais de 40 entidades estão já confirmadas para participar na primeira edição do evento que pretende esbater a sazonalidade e mostrar aos jovens do concelho as mais variadas opções de futuro.

Lagoa promove a primeira edição da Feira do Emprego, Empreendedorismo, Educação e Formação, nos dias 12 e 13 de outubro, no Parque Municipal de Feiras e Exposições do concelho. Será uma forma de colocar os jovens a par das oportunidades de futuro, que podem ser opções diferentes daquelas que idealizaram, de saberem um pouco mais sobre os diferentes trabalhos que existem neste território ou de ajudar quem vive da sazonalidade a encontrar algo mais permanente.

Ao «barlavento» Anabela Simões, vereadora da Câmara Municipal de Lagoa, explica que esta era uma ambição antiga, que «já vinha do anterior mandato». Não foi lançada antes, porque as datas que a autarquia pretendia coincidiam com outros eventos do género na região.

Este ano, para a ideia avançar, a Câmara Municipal de Lagoa decidiu concretizá-la em outubro, em vez de março ou abril, altura em que Albufeira e Portimão organizam feiras congéneres, em parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). A iniciativa de Lagoa não pretende fazer o recrutamento que acontece nesses meses antes do início da época alta, mas, pelo contrario, tentará mostrar que até há trabalho no inverno, sendo esta também uma tentativa de combater a sazonalidade associada à industria hoteleira e turística.

Por outro lado, a autarquia «quer mostrar aos jovens e restante população os empreendedores e trabalhadores» do concelho, avança Anabela Simões.

O IEFP, organizador conjunto da iniciativa, divulgará os apoios existentes ao empreendedorismo, além da formação e restantes vertentes da educação. «As pessoas dizem que há desemprego, mas a verdade é que há também outras formas de financiamento para desenvolver uma profissão», atesta a vereadora.

«Queremos mostrar a diversidade que existe no concelho de Lagoa, sendo que os jovens, na sexta-feira, dia 12 de outubro, vão poder visitar a feira. No sábado, estão agendados workshops, palestras, showcookings e outras atividades» que podem alargar o horizonte dos jovens no que toca à escolha de uma carreira profissional. Aliás, segundo os dados do IEFP, entre janeiro e março deste ano, Lagoa é um dos concelhos que ficam com mais vagas de emprego por preencher, a par de Aljezur e Alcoutim.

Há, em simultâneo a este problema, a sazonalidade, pois uma fatia da população, tanto de Lagoa, como de concelhos limítrofes, está agora a terminar os contratos de trabalho e ficará sem emprego até à nova época alta de 2019.

«Todos podem visitar a feira, quer sejam de Lagoa, de Albufeira ou de Portimão. É um evento realizado numa altura que coincide com o final de muitos contratos, sendo esta uma forma de mostrar a essas pessoas que pode haver uma continuidade e uma forma de ultrapassar as dificuldades no inverno. Temos a ação social e prestamos apoio a nível do fundo de emergência, por isso sabemos as contrariedades que existem, como é exemplo a compra de manuais escolares. Como estas pessoas trabalham apenas parte do ano, e conseguem descontar para a Segurança Social durante alguns meses, não têm direito a Escalão A», mas o facto é que não têm um rendimento igual a quem trabalha o ano todo, compara a responsável.

A verdade é que há mesmo falta de recursos humanos no inverno, assegura ainda a vereadora, que não quer fazer um evento igual aos outros já feitos na região. «Não queremos imitar outras iniciativas, porque não queremos fazer concorrência a ninguém. Este é um incentivo, uma mostra e é educativa, por isso inclui também a área da educação. Queremos atrair essas pessoas [com profissões mais sazonais] e dar-lhes oportunidades» de procurar trabalho permanente, «porque há efetivamente muita falta de pessoal», justifica.

Não se resumirá também a uma feira de emprego e recrutamento, pois terá palestras, showcookings e mostras de trabalhos ao vivo, onde cabem também as profissões que hoje estão a cair em desuso, porque ninguém quer apostar nelas ou aprendê-las. Haverá, assim, segundo a vereadora da autarquia de Lagoa, áreas diferentes desde a fotografia à doçaria, passando pela estética, agricultura até à concepção de tapetes ou da arte da empreita.

«O objetivo é mostrar que todos têm lugar na sociedade, dizendo também aos mais novos que o futuro deles não está comprometido e que há profissões sem ser as ligadas ao turismo. Têm é que saber explorar, ver as ofertas todas que existem, falar com os profissionais», afirma. A autarquia convidou vários profissionais, alguns «reconhecidos a nível nacional» para que os jovens possam ver o sucesso que têm.

No recinto estarão também unidades hoteleiras que avançam com recrutamento no inverno. No total, são, para já, mais de 40 as entidades confirmadas, contabiliza a vereadora. O evento quer ser um ponto de encontro e partilha, oferecendo a alunos, professores, cidadãos, empresas e entidades a hipótese de trocar experiências, conhecimentos, projetos e contactos.

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