Governo promete apoiar agricultores algarvios atingidos pelo tornado

Mau tempo no domingo, 4 de março, provocou a destruição e danos graves em várias explorações agrícolas no Sotavento algarvio.
Luís Medeiros Vieira, secretário de Estado da Agricultura e Alimentação e Fernando Severino, diretor regional de Agricultura do Algarve.

Junto aos destroços de um complexo de estufas no Rio Seco, em Faro, Luís Medeiros Vieira, secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, manifestou-se «sensibilizado» com a destruição que encontrou. «Trata-se de uma situação extremamente difícil para os agricultores que foram afetados nas suas produções pela passagem de um tornado» no domingo.

«vDesde logo, o Ministério da Agricultura veio ao terreno fazer um levantamento dos prejuízos. Até agora já foram sinalizadas 15 explorações com danos significativos. Até ao final desta semana teremos o balanço destas situações e iremos, com certeza, conceder os apoios necessários aos agricultores que queiram repor o potencial produtivo e continuar a sua atividade», disse ao «barlavento» no final da tarde de segunda-feira, 5 de março, durante uma visita às zonas afetadas pelo mau tempo, entre Faro e Olhão.

O governante prometeu desencadear os mecanismos de ajuda aplicáveis a este tipo de situações, com apoios cumulativos a fundo perdido «a 100 por cento para as explorações que tenham danos até 5 mil euros, e a 85 por cento para danos até 50 mil euros. No caso de prejuízos até 800 mil euros, o apoio será na ordem dos 50 por cento a fundo perdido». Fernando Severino, diretor regional de Agricultura do Algarve ficou «impressionado pela força da natureza, a forma como danifica e destrói. Foi uma sorte ter acontecido a um domingo, numa altura em que os trabalhadores das estufas estavam de folga. Se tivesse acontecido durante um dia útil, as consequências teriam sido dantescas», sublinhou.

Severino recordou ainda o facto que «em 2009 aconteceu um fenómeno idêntico nesta zona». Agora, «temos de ir para a frente, criar ânimo para fazer frente a estes prejuízos». Algumas produções afetadas eram investimentos recentes, e outros projetos empresariais já estabelecidos, de frutos vermelhos e horto-frutícolas. «Não podemos esquecer o temporal também provocou danos indiretos na citricultura», acrescentou, e há ainda estragos por contabilizar nos concelhos de Tavira, Castro Marim e Vila Real de Santo António. Eduardo Ângelo, presidente da União dos Produtores Horto-Frutícolas do Algarve (Uniprofrutal) enviou um comunicado à imprensa, na terça-feira, a apelar aos agricultores afetados que reportem à Direção Regional de Agricultura do Algarve, no Patacão ou em Tavira, os prejuízos resultantes da intempérie.

Dois tornados na mesma semana

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) confirmou que a região de Faro foi atingida por um tornado, no domingo 4 de março, o segundo na mesma semana. «Tendo em consideração os relatos, incluindo imagens disponíveis, uma análise preliminar sugere ter-se tratado de um tornado, à semelhança do que aconteceu no passado dia 28 de fevereiro de 2018 [quarta-feira], também na região de Faro», refere o IPMA. Tratou-se de um tornado de classe F1, cuja velocidade do vento varia entre os 117 e os 180 quilómetros por hora. É considerado o segundo menos grave de um total de seis. Ainda assim, bastaram apenas alguns minutos depois das 16 horas para o fenómeno extremo, vindo da freguesia de Montenegro, lançar caos. Cerca de 130 pessoas da comunidade cigana do Cerro do Bruxo ficaram desalojadas. Pelo caminho, até ao concelho vizinho de Olhão, o fenómeno meteorológico provocou a queda de árvores, sinalética, painéis publicitários e iluminação pública. No centro comercial Fórum Algarve houve estragos na zona da restauração, com vidros partidos e cadeiras arrastadas. Em Pechão e Moncarapacho o vento forte derrubou o muro do Estádio António João Eusébio, enquanto decorria um jogo de futebol, danificando várias viaturas, sem contudo, causar vítimas.

«NoSoloÁgua» destruído pela maré

A estrutura onde funcionava o «NoSoloÁgua», no areal da Marina de Portimão, na Praia da Rocha, foi destruído na quinta-feira, 1 de março, devido ao avanço do mar. A construção em madeira ficou inutilizada, tendo aquele grupo somado diversos prejuízos. A força com que o mar entrou pela barra, sobretudo naquele areal da Praia da Marina, criado de forma artificial, após a requalificação daquela zona e da Marina de Portimão, chegou a arrastar palmeiras. O avanço da água e a intensidade da agitação marítima retirou, na zona nascente da Praia da Rocha, a areia que sustentava a infraestrutura, que servia de palco a diversos eventos na época alta, como as festas sunset ou de animação noturna. Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, efetuou no próprio dia um périplo para verificar in loco os estragos efetuados pela forte ondulação. «O único motivo para preocupação foi a área da Marina. Ainda assim, as construções são mais leves e, por isso, será mais fácil repô-las. Claro que nos preocupa ver um espaço tão bonito e interessante inundado e destruído», lamentou a autarca, que promete, porém, encetar esforços para colocar a zona como estava. Aliás, como avançou a edil em declarações ao «barlavento» os proprietários do espaço mais afetado, o «NoSoloÁgua», estão disponíveis para voltar a investir. Naquele dia e nos seguintes, as barras algarvias estiveram fechadas ou condicionadas à navegação de embarcações com mais de 35 metros, como foi o caso de Portimão. Houve ainda inundações na zona baixa de Ferragudo, durante a preia-mar.

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