Ferry para a Madeira poderá também vir a ligar Portimão a Marrocos

Estudo de impacto ambiental será apresentado à Agência Portuguesa do Ambiente em setembro e a intervenção é para avançar. Até porque, com o Porto Comercial de Faro com um novo projeto da autarquia e Docapesca, o espaço a Barlavento terá que se afirmar também na área das mercadoria.
Ana Paula Vitorino, ministra do Mar e Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão.

Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, esteve na chegada do ferry «Volcán de Tijarafe» ao Porto de Portimão, na terça-feira, 17 de julho, onde destacou a expetativa de que a operação corra bem, para que possa vir a ser alargada quer no período temporal, quer na frequência de viagens semanais. Isto porque, para já, apenas há ligações no verão e uma vez por semana. O ferry transporta passageiros e veículos (ro-pax), no mínimo, durante os próximos três anos, estando previsto um mínimo anual de 12 viagens de ida e volta, na época alta.

Depois de muito tempo a concertar esforços com o Governo Regional da Madeira para ter de novo esta travessia, a ministra reforçou que esta é uma questão de «continuidade territorial», dando mais condições a regiões ultra-periféricas como é o caso dos Arquipélagos. Os madeirenses têm estado em desvantagem por só poderem viajar para o Continente através da via aérea e é essa assimetria que o governo pretende reduzir.

Por outro lado, «esta parceria produz uma nova alternativa que traz mais coesão nacional, viabilizando a coesão territorial de outra forma, além das ligações aéreas, que potenciará também o turismo», sobretudo o turismo de famílias, valorizou a governante. «As famílias podem deslocar-se, levar o carro, por um preço acessível, muito mais barato do que o avião», destacou. Além do turismo esta operação será um acréscimo para a movimentação portuária.

«O que ficou combinado pelo Governo Regional e o Governo da República foi que nós começaríamos por ter um serviço no verão e que se tudo correr bem continua, se correr muito bem poderemos alargar. Na primeira viagem foram 150 passageiros, agora já vêm cerca de 300, o que significa que as pessoas estão tomar conhecimento sobre o serviço e estão a aderir. E se correr muito bem, espero autorizar a que se alargue o prazo e que não sejam sequer necessários os apoios financeiros» que ambos os governos deram.

Pedro Miguel Calado, vice-presidente do Governo Regional da Madeira, não pôde estar presente, mas enviou uma mensagem onde aproveitou a oportunidade para agradecer o apoio do Ministério do Mar e entidades públicas que «fizeram com que esta ligação marítima fosse possível», elogiando o acolhimento da Câmara Municipal de Portimão, «no dia 3 de julho, aquando da primeira viagem realizada».

Esta foi uma reivindicação também de Portimão, conforme afirmou Isilda Gomes, que sublinhou a importância desta ligação para os algarvios e madeirenses. «Quando aproximamos duas regiões, estamos a criar mais laços, a permitir que mais cidadãos possam fazer férias, quer no Algarve, quer na Madeira», disse a autarca. «Portimão é um município onde se pode chegar de três formas. Ou seja, por mar, terra e ar, pois já no meu mandato conseguimos ter a carreira aérea entre Portimão e Bragança, aproximando o interior do litoral e ao mesmo tempo o norte do sul, recordou.

Foi ainda durante esta visita ao ferry que tinha acabado de chegar da Madeira e já se preparava para zarpar noutra viagem que Ana Paula Vitorino revelou também que «existem ligações que podem vir a existir, apresentadas na Cimeira ao Reino de Marrocos», havendo também contactos com outros potenciais destinos.

José Luís Cacho, presidente da Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), vê o retomar desta ligação com «enorme satisfação». Destacou ainda que o Porto de Portimão tem vindo a assumir importância na área dos cruzeiros, sendo um segmento que tem vindo a crescer. No entanto, a APS não quer ficar apenas pela Madeira e já pensa em alargar a ambição a Espanha e Marrocos, fronteiras marítimas que são viáveis para este transporte dos ferries e que podem «contribuir para a sustentabilidade do crescimento do turismo no Algarve».

É, aliás, por esta razão que a ministra do Mar considera essencial a tão esperada dragagem e intervenção no Porto de Portimão, com um valor que ascende aos 18 milhões, até porque a governante quer que Portimão se assuma como Porto Comercial de Portimão, depois de Faro ter vindo a perder terreno nesta área.

«Queremos que o crescimento de turismo de cruzeiros se verifique em todos os locais onde é possível ser viabilizado, como é o caso de Portimão e dos Açores. Este projeto passa a ser prioritário e, por isso, tem um enquadramento institucional diferente. No entanto, o Porto de Portimão também tem que ser mais do que cruzeiros. Não podemos ter uma região no nosso país sem ter também um porto comercial. O porto de Faro, por desejo da autarquia, por evolução do próprio espaço, já não é solução viável para essa matéria», afirmou. O projeto da autarquia, que está a ser trabalhado com a Docapesca, está na fase de avaliação de impacto ambiental. A nova solução faz com que Portimão assuma mais a responsabilidade, pois vai passar a ser o único porto comercial do Algarve, como avisou Ana Paula Vitorino.

Quanto à intervenção no porto a Barlavento, a ministra avançou que o estudo de impacto ambiental deverá ser entregue à Agência Portuguesa do Ambiente em setembro para iniciar o procedimento de Declaração Ambiental. Caso a luz verde seja dada, a governante espera que a obra esteja concluída no final de 2019, início de 2020.

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