Enfermeiros afirmam que Passos Coelho encontrou o CHA como o deixou

A Direção Regional de Faro do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) afirmou, hoje, 31 de maio, que Pedro Passos Coelho encontrou o Centro Hospitalar do Algarve (CHA) como o deixou.

Em nota de imprensa, após uma reunião e uma visita que teve lugar ontem, terça-feira, na unidade de Faro do CHA, no âmbito das Jornadas Parlamentares do PSD, os enfermeiros dizem que «é preciso ter lata» para afirmar que há «falta de investimento» e que há falhas, «uma vez que todas as falhas por ele agora identificadas já existiam na altura em que governava».

O ex-primeiro ministro e líder do PSD reuniu-se com o Conselho de Administração do CHA, visitou os serviços e depois reuniu-se com sindicatos e ordens profissionais, de entre as quais o SEP.

Pedro Passos Coelho confessou ter «uma certa aversão a demagogia barata», mas afirmou «ter a noção que muitos dos problemas apontados pelos profissionais têm vindo a agravar-se ao longo dos anos», lê-se na nota da direção regional do SEP.

«Refere que reduziu a dívida acumulada na saúde de 3,2 mil milhões de euros para 2 mil milhões, acusa o atual governo de falta de investimento, de falta de recursos nos serviços e ainda do aumento dos tempos de espera e dificuldades de resposta às solicitações na área da cirurgia e outras especialidades, o que leva a que as pessoas se desloquem ao privado ou sejam transferidas para outras unidades públicas», relataram os enfermeiros.

Na mesma reunião, ainda de acordo com o SEP, Pedro Passos Coelho terá acusado o ministro das Finanças de «cortar no investimento público, também na área da saúde, para cumprir o défice», tendo ainda sublinhado que «existem menos enfermeiros no Algarve, em média, do que no resto do país».

Ao mesmo tempo, «exige um hospital novo para o Algarve e afirma não perceber, porque deixou de ser uma prioridade no plano nacional, porque sem infraestruturas não é possível fixar profissionais. Por fim, Passos Coelho diz existir uma retórica que não casa com a realidade.», adiantou a direção regional da estrutura sindical, liderada por Nuno Manjua.

Por estas razões, o sindicato pergunta se Pedro Passos Coelho estará a referir-se ao atual governo ou a si próprio, pois as falhas apontadas existiram durante o período em que o PSD/CDS-PP foi governo, tendo, aliás, nessa altura sido agravadas.

Como argumento, Nuno Manjua recordou que «se houve poupança na saúde foi à custa dos cortes nos salários e direitos dos profissionais», bem como da «saúde dos utentes que viram a resposta às suas necessidades muito limitada».

«As organizações de profissionais da saúde foram unânimes em apontar que as dificuldades que o SNS no Algarve atravessa não são de agora. São o resultado de longos anos de desinvestimento e esquecimento por sucessivos governos, incluindo o de Passos Coelho», referiu o SEP após esta reunião no âmbito das Jornadas Parlamentares do PSD.

Em jeito de balanço, o Sindicato relembrou que há uma «grave carência de recursos humanos e recursos materiais», como «viaturas nos cuidados hospitalares, nos cuidados de saúde primários, cuidados continuados e paliativos da região».

Por sua vez, apontou que o «Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Algarve ainda não está em funcionamento», ainda que o secretário de Estado da Saúde Manuel Delgado tivesse garantido que tal aconteceria em março, tendo ainda dado exemplos de serviços em que a resposta aos cuidados é insuficiente.

«O SEP enviou aos diversos grupos parlamentares o levantamento de problemas de alguns serviços, como é exemplo a urgência de Portimão, não tendo ainda o PSD se pronunciado», denuncia.

Nestas jornadas foi destaque ainda a importância da abertura de cursos de especialidade no Algarve, para dar oportunidade aos enfermeiros de se desenvolverem a nível profissional, mas também na perspetiva de contribuírem para a componente de investigação num Centro Hospitalar que pretende vir a ser Universitário para fixar profissionais na região.

O SEP referenciou os «milhares de horas e dias de trabalho em dívida aos enfermeiros», que se têm vindo a acumular nos últimos anos, e destacou também o absurdo de existirem profissionais a 35 horas e outros a 40 horas com o mesmo vencimento base.

Ou seja, matérias sobre as quais a Direção regional tem vindo a lutar e a alertar o governo, partidos e entidades locais e nacionais. Até por isso, argumentam que a «justiça das reivindicações dos enfermeiros não encontra eco nos políticos, independentemente do partido a que pertencem. As afirmações da imprescindibilidade dos enfermeiros são palavras que proferem, quando não estão no governo, mas que rapidamente esquecem quando são governo».

O SEP alertou, várias vezes, o governo do PSD/CDS para a gravidade dos cortes cegos no setor da saúde, face a um aumento das necessidades em cuidados de saúde decorrente da crise económica e financeira.

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