Encontro internacional mostrou importância da Águas do Algarve

Inscrições esgotadas, oradores de referência, temas do quotidiano e mostras interativas deram a conhecer a diferentes públicos o dia a dia da empresa, uma das mais importantes da região.

As questões climáticas e a falta de água são assuntos em cima da mesa, o que aliado à vontade de mostrar a empresa Águas do Algarve à população, motivaram a organização do encontro «Desafios da Água», realizado dias 1 e 2 de março, no Palácio de Congressos da Herdade dos Salgados, em Albufeira.

«Este é um assunto da ordem do dia e, por esse motivo, começámos a pensar que temos uma responsabilidade grande na área. A Águas do Algarve é a empresa que tem a concessão e exclusividade do fornecimento de águas em alta. Se não fosse por outro motivo, este já era muito importante. No entanto, também temos consciência de que a maior parte das pessoas não sabem o que a empresa faz e como influencia a região», explicou ao «barlavento» Isabel Soares, presidente da Comissão Organizadora do encontro e vogal da empresa.

Dar a conhecer a dimensão da empresa à população, porque esta é uma das maiores na região, foi um dos pontos chave. Uma das principais premissas foi a melhoria da qualidade da água que chega à casa da população, sendo este investimento algo que se reflete nas outras áreas da economia regional, sobretudo no turismo.

«A água melhorou completamente. Deixou de haver aquela água calcária, salobra. Por exemplo, as máquinas de lavar estavam sempre a avariar, porque ganhavam calcário. Todos os equipamentos domésticos e industriais tinham problemas por falta da qualidade da água, até porque os municípios forneciam quase diretamente a água que extraiam dos furos, colocando cloragem», recordou Isabel Soares.

Hoje, a empresa orgulha-se de, após todo o pesado investimento realizado, ter uma das melhores águas para consumo. «Não são as águas engarrafadas que são melhores do que estas», assegurou.

E quem refere o abastecimento, refere as Bandeiras Azuis. O Algarve tem sido a região com mais galardões, durante a época balnear, que atestam a qualidade da água e impulsionam também o turismo. «É, sobretudo, porque o tratamento das águas residuais passou a ter qualidade, deixou de entrar nas linhas de água, e deixou de ser deitado ao mar», explicou Isabel Soares.

O certo é que este esforço muitas vezes não chega ao conhecimento à população. «Não só não nos conhecem bem, como não nos conhecem enquanto empresa com esta dimensão», acrescentou.

O encontro «Desafios da Água», foi uma oportunidade para a empresa sair fora de portas e criar uma maior interligação com a população e, por outro, colocar os algarvios a refletir sobre os problemas associados à água e, claro, à falta dela.

Duas questões de especial importância, assinaladas por Isabel Soares são a reutilização e as energias alternativas.

«Estamos a atravessar anos de seca, de seca severa. Temos reduções grandes nas nas nossas barragens, ainda que ainda haja água para 18 meses, pelo menos. Mas é necessário que chova e é preciso que as pessoas comecem a ter consciência. Como dizia um dos intervenientes, que vai ser orador nestes Desafios da Água, é muito mau gastar água própria para consumo para as sanitas, lavagem de carros e jardins. Implicou consumo de energia, reagentes, recursos humanos para tratá-la», disse a presidente da Comissão Organizadora.

Todas estas situações têm de ser pensadas e tem de haver uma alteração nas mentalidades da população a nível da racionalização deste recurso que não é, de todo, inesgotável.

«Temos dois grandes parques fotovoltaicos na ETA de Alcantarilha e na ETA de Tavira e, cada vez mais, caminhamos para uma redução do CO2. Por isso, a empresa também investiu em 16 viaturas completamente elétricas. Por outro lado, vamos ter noutras instalações, novos parques de energias alternativas fotovoltaicas. É que uma das nossas preocupações tem sido o uso inteligente dos recursos e da água», enumerou.

No evento estiveram presente os técnicos da empresa. Um dos principais públicos foi, a comunidade escolar, que segundo Isabel Soares, deve ser terreno fértil para a sensibilização. «Queremos que as crianças colaborem, não só pela utilização e pelo consumo de água da torneira, que é de todo segura e tem certificação, mas sobretudo para o consumo inteligente. A ideia é evitar desperdícios. Podemos apontar como exemplo, neste momento, das consequência da falta deste recurso, a Cidade do Cabo», reforçou.O encontro esgotou as inscrições muito antes da data prevista, ultrapassando as sete centenas de participantes.

«O primeiro piso foi dedicado aos jovens. Tivemos um concurso, desde o primeiro ciclo até ao 11º ano, que integrou as artes plásticas, expressão escrita e audiovisual. As escolas vão ser premiadas. Um relógio de sol para ser construído na escola, no caso do primeiro ciclo, estações meteorológicas para os estabelecimentos de ensino do segundo e terceiro ciclo, e uma câmara de vídeo e um projetor para o ensino secundário», referiu.

Outra grande aposta, no âmbito da Comunicação e Educação Ambiental da Águas do Algarve, foi uma série de 18 stands ondes os técnicos da empresa demonstraram, com recurso a maquetas, o ciclo da água, desde a captação, transferência, adução, transporte, tratamento na ETA, telegestão, e processo como se enchem os depósitos municipais, como se esvaziam, que contaram com a participação de mais de 1500 alunos.

Os jovens puderam «medir o PH da água» experimentar a simulação de uma rotura no abastecimento em baixa, ou seja, numa casa de banho ou cozinha. «O ciclo urbano da água foi todo demonstrado com práticas, com os laboratórios a fazer análises, onde os jovens puderam manusear todos os objetos. Foi interativo a ideia era que pudessem mexer em tudo, de batas, luvas, óculos», descreveu.

Num quarto piso, destinado mais a profissionais do sector, estiveram presentes, em meia centena de stands, entidades privadas e públicas, desde as universidades, passando pelos fornecedores da Águas do Algarve, aos prestadores de serviços e negócios ligados ao sector, desde as engenharias civil às do ambiente.

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