Centro de Portimão já tem animação de verão

Iniciativas pretendem levar população ao núcleo histórico da cidade, mas Isilda Gomes alerta que o comércio deverá abrir portas fora de horas.
Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão.

A novidade deste verão na Praça da Alameda da República, no centro histórico de Portimão, é a criação de um programa de eventos para animar aquela zona e devolver a centralidade daquele núcleo, entretanto perdido. São diversas e para todos os gostos as iniciativas agendadas, começando logo esta sexta-feira, 8 de junho, às 21 horas, com um novo enquadramento do desfile das Marchas Populares, que não se limitarão à zona ribeirinha da cidade como tem vindo a ser apanágio nos últimos anos.

Como explicou Nuno Velasquez, do Sporting Glória ou Morte Portimonense, na semana passada, durante a apresentação deste novo programa de animação, este ano, as quatro marchas do concelho (Glória ou Morte, Alvor, Mexilhoeira Grande e Figueira) juntam-se na Alameda para iniciar o desfile e só depois seguem pelas Ruas 5 de Outubro e Santa Isabel em direção à antiga lota. A ideia é levar as pessoas a deslocarem-se até à Alameda para ver o início do desfile. Aliás, o responsável pela marcha daquele clube portimonense ainda avançou que terá como padrinhos da marcha Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, e Álvaro Bila, presidente da Junta de Freguesia de Portimão.

Como já é tradição, haverá ainda Marchas Populares, na Mexilhoeira Grande, no dia 15, na zona ribeirinha de Alvor, dia 22, estando o grande final reservado para a Praia da Rocha, entre o Miradouro e a Fortaleza de Santa Catarina, a 29 de junho.

E como junho e julho serão também os meses do Campeonato do Mundo da FIFA 2018, a partir já de dia 13, aquela praça central da cidade ficará «totalmente transformada», conforme prometeu Vera Silva, da organização. O espaço será quase um relvado gigante, sendo apetrechado com um ecrã, de 12 por sete metros, com transmissão em direto de todos os jogos. «Vamos ter muita comida e bebida para festejar e a Alameda vai ser mesmo um campo de futebol. Será algo muito diferente», resumiu Vera Silva. Estão previstas a colocação de espaços de restauração, de animação e com sombras.

Quando estiver para acabar o Mundial, a 13 de julho chegará àquela praça o Festival Choque Frontal, que não é mais do que um upgrade do programa que Júlio Ferreira e Ricardo Coelho, da Alvor FM, fazem todos os meses. Pelo segundo ano consecutivo, vamos organizar este Festival com o apoio do município e da Junta de Freguesia de Portimão. Teremos um cartaz muito melhor do que o de 2017, com convidados que até já passaram pelo Choque Frontal ao vivo», disse Júlio Ferreira. Como avançou Ricardo Coelho, os três nomes convidados para esta edição do festival são os que, na opinião da organização, melhor se enquadram no formato a apresentar na Alameda. São as «Gaijas», uma banda feminina de cariz algarvio, seguidas do «South Kick Band», formação cujos elementos são das zonas de Portimão e Lagoa. «São novos e, além de originais trazem também versões. Decidimos este ano ter mais música que as pessoas conhecem», além das novidades de cada banda, justificou Ricardo Coelho.

O grande destaque será Vítor Bacalhau, que este ano ganhou um prémio internacional de blues, na Noruega. «Ele também é algarvio e já se apresentou sozinho no Choque Frontal, mas desta vez atuará com a sua banda», disse ainda Ricardo Coelho.

A grande novidade do verão 2018 na Alameda será mesmo um Festival dedicado às Francesinhas, entre 17 e 29 de julho, que de resto não terá muito mais do que dar a provar o prato típico do norte de Portugal. «Teremos alguns representantes de restaurantes do norte do país que vêm passar estes dias a Portimão para dar a provar as Francesinhas», afirmou Vera Silva. Pelo meio, surgirá o Festival Internacional Infantil e Juvenil Chaminé de Ouro, a 21 de julho, este ano a céu aberto, numa organização da Junta de Freguesia de Portimão.

«Este é um concurso já com muitos anos. Queremos trazer esta iniciativa para a Alameda, porque é a zona nobre da nossa cidade. Saímos do Auditório Municipal, e fomos para o Teatro Municipal de Portimão que, entretanto, já se tornou um espaço pequeno para esta atividade», argumentou ainda o presidente da Junta Álvaro Bila.

E o mês de julho ficará por estas iniciativas, para depois regressar em agosto, após o Festival da Sardinha, no início do mês, na zona ribeirinha, com outros dois chamariz. Será então, as «Tasquinhas na Alameda», entre 9 e 19 de agosto, com a exposição e comércio de produtos regionais de norte a sul do país. «Vão estar aqui representantes de várias marcas e produtores individuais também, para fazer a demonstração desses produtos», confirmou Vera Silva.

Quase no final destas tasquinhas, no dia 18 de agosto, volta a ganhar destaque um evento que nasceu da Alameda e que por lá continuará. O «Festival de Acordeão João César» que tem destacado os melhores a tocar este instrumento numa homenagem ao acordeonista portimonense.

«É para mim um motivo de orgulho, ver esta Alameda voltar a ter vida. Tem sido sempre um esforço da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia. Vamos precisar de motivar os comerciantes para que seja uma realidade» e uma forte mais valia para a cidade, concluiu Álvaro Bila, que avançou que podem aparecer mais eventos, como um festival dedicado ao folclore.

Estacionamento à superfície está a ser negociado

Quando a questão é o centro da cidade e o comércio local na zona histórica, o estacionamento aparece sempre como um problema. Por esta razão, Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, sublinhou que a autarquia está, «neste momento, a negociar o resgate das concessões à superfície. Da nossa parte há, desde já, uma disponibilidade para resgatar estas concessões. Vamos então ver quanto tempo vamos levar», afirmou. Apesar de haver já um plano, tudo dependerá da autarquia conseguir ou não o resgate desses estacionamentos.

Turismo de cruzeiro move dezenas de milhar

A par de tudo isto, há 30 escalas de navios de cruzeiros agendadas, até setembro, que transportarão à cidade milhares de turistas. Os comerciantes daquele núcleo urbano até foram convidados para a apresentação do programa de verão, no Alma Town, a 30 de maio, mas não compareceram ao chamamento. Nem por isso, Isilda Gomes deixa de contar com os empresários locais para dinamizar o espaço. «Há parceiros que não estão aqui, mas que são fundamentais. E não queria deixar de lançar um apelo ao comércio tradicional de Portimão, para que sejamos capazes de mobilizar os cidadãos para esta área do nosso território», afirmou a autarca. Isilda não poupou, porém, os comerciantes ao dizer que «não vale a pena passar a vida a lamentarem-se ou a queixarem-se de que as pessoas não vão ao centro da cidade, quando são chamados a alterar os horários de funcionamento, a abrir as portas durante a noite, a abrir quando há cruzeiros na cidade» e não o fazem. A autarca assinala, ainda assim, que já há empresários a mudar um pouco esta forma de estar. «Quanto mais lojas estiverem abertas, mais pessoas se deslocam à zona do comércio tradicional. Estamos a fazer esse trabalho, mas precisamos também da colaboração das outras entidades, uma das quais é o comércio local», assegurou. Por querer criar uma nova centralidade é que a autarquia está a apostar nesta animação, mas também no sombreamento das artérias. «Este ano vamos ainda sombrear a Rua do Comércio, a parte que falta, até à Chapelaria Ideal, bem como a Rua Diogo Tomé e a Rua Damião Luís Faria de Castro (rua do restaurante Mané), numa intervenção de 46 mil euros», anunciou Isilda Gomes. Ou seja, será necessário investir nesta adaptação do comércio local, até porque está prevista a dragagem do canal de navegação e da bacia de manobra no Rio Arade, que trará navios de maior calado, e por conseguinte, mais turistas.

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