Armadores e Junta de Freguesia denunciam mau estado do Porto da Baleeira à ministra do Mar

A propósito da cerimónia de abertura do XXXI Campeonato do Mundo de Caça Submarina, que contou com a presença da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, na sexta-feira, 7 de setembro, a Junta de Freguesia de Sagres e a Associação de Armadores de Pesca de Sagres, entregaram uma carta aberta, dando conta do mau estado em que se encontra o Porto da Baleeira.

Assim, Luís Miguel Gonçalves da Paixão, presidente da Junta de Freguesia de Sagres e Mário Joaquim Dias Galhardo, presidente da Associação de Armadores de Pesca de Sagres, endereçaram a seguinte missiva, que o «barlavento» passa a citar na integra:

«O Porto de Pesca da Baleeira, em Sagres, encontra-se muito degradado, colocando em causa a segurança dos seus utilizadores, nomeadamente os dois passadiços, chamados de estacionamento. O betão está a desfazer-se colocando o ferro à vista, as escadas metálicas encontram-se num elevado estado de degradação, tendo já causado alguns acidentes, que um dia podem vir a ter graves consequências, as defensas estão a desfazer-se, colocando em risco as embarcações e o processo de atracagem.

Aa autoridades marítimas fazem frequentemente, e muito bem, ações de fiscalização para verificar as condições de segurança das embarcações e dos pescadores, o que dizer da segurança dos pescadores quando chegam ao Porto da Baleeira e tentam subir pela escada na foto ao lado? Convém realçar que as escadas, que existem, estão todas como a da foto.

Quem vai assumir a responsabilidade quando acontecer uma desgraça?

O ordenamento do Porto de Pesca é caótico, tanto em terra como no mar, tornando muito difícil a atracagem ao cais de descarga da lota, ao cais flutuante mais antigo e o acesso às instalações do salva-vidas.

A Junta de Freguesia de Sagres e a Associação de Armadores de Pesca de Sagres, convidam V. Exª a visitar o Porto de Pesca da Baleeira para ouvir aqueles que lá trabalham diariamente, aqueles que conhecem as correntes marítimas, aqueles que conhecem a predominância dos ventos, para que em conjunto sejam encontradas soluções que vão ao encontro de todas as partes.

Mudando um pouco de assunto, o turismo é o principal sector da economia do algarve e do país, tem um peso importantíssimo nas exportações, na criação de investimento e de emprego. É nosso entendimento que todas as instituições públicas devem ter em consideração que as suas infraestruturas, além de estarem preparadas para desempenhar as suas funções principais, devem sempre que possível, estar preparadas para receberem turistas.

O Porto da Baleeira é uma infraestrutura, que se for pensada de modo a ter condições para receber turistas, sem interferir com os profissionais pode ser uma mais-valia para a economia de Sagres e da região.

Sagres recebe anualmente mais de um milhão de visitantes, que visitam o cabo de São Vicente e a Fortaleza, só cerca de 3 por cento entram em Sagres, o Porto da Baleeira, devido à sua localização, é uma infraestrutura fundamental para alterar esta realidade.

Devido à sua localização geográfica, Sagres é um ponto estratégico para a navegação marítima. Anualmente passam ao largo de Sagres, milhares de embarcações de recreio que navegam ao longo da costa portuguesa, predominantemente, entre o norte da europa e o mediterrâneo e vice-versa, sem poderem dispor de um local de refúgio e de apoio às suas embarcações.

 

A Lota de Sagres caracteriza-se pela quantidade e qualidade do seu peixe, principalmente o peixe graúdo reconhecido pelos melhores chefs de cozinha, como o melhor peixe do mundo.

As nossas propostas são as seguintes:

• O edifício da lota deveria de estar preparado para receber visitantes, de modo a que não interviessem no trabalho dos profissionais e pudessem ver a transação do melhor peixe do mundo.

• A médio prazo propomos a criação de um Porto de Recreio, com todas as suas valências. Este porto abria portas para novas perspetivas à exploração turísticas de Sagres e do algarve. Estamos certos que os navegadores preferiam Sagres como ponto de paragem, quer pela sua localização geográfica, quer pelo simbolismo de visitar a “Vila do Infante”. Esta infraestrutura iria proporcionar emprego direto e indireto através da criação de inúmeros serviços.

• A curto prazo propomos a criação de um local de abrigo temporário onde as embarcações de recreio se possam abrigar, descansar e abastecer, com sanitários, balneários, fornecimento de água e combustível.

Para que se potencialize esta infraestrutura é necessário que seja elaborado um projeto com visão de futuro e não intervenções pontuais avulso, com tem acontecido e se prevê que venham a acontecer. O porto da baleeira tem que ser pensado como um todo, onde a pesca e o turismo coabitam o mesmo espaço sem interferências.

A realidade atual do Porto da Baleeira é de um equipamento totalmente degradado e desordenado que além de pôr em causa a segurança das pessoas, transmite aos visitantes uma imagem degradante de um país da união europeia que tem como principal sector da economia o turismo.

Em anexo pode ver fotos, tiradas em maio de 2017 e entregues à administração da DOCAPESCA, nada foi feito, o que significa que hoje encontra-se tudo mais degradado».

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