Algarve mais seco em maio de 2017

Uma comparação entre dados obtidos a partir do satélite LANDSAT 8, relativos ao mês de maio, demonstra que a região algarvia está mais seca, em comparação com igual período no ano passado. A conclusão surge da comparação do NDVI (Normalized Difference Vegetation Index), um índice obtido a partir de imagens aéreas, sejam elas provenientes de satélites ou de outras origens como aviões ou drones, que permite estimar a presença de vegetação verde, a sua vitalidade e a atividade fotossintética com recurso a infravermelhos.

A comparação agora levada a cabo entre duas imagens aponta para que em 5 por cento do território algarvio, a 23 de maio de 2017, o índice NDVI esteja 30 a 50 por cento abaixo do valor registado em 20 de maio de 2016. Assim, estima-se que em 28 por cento do território algarvio, se registe um decréscimo entre 10 e 30 por cento, comparativamente aos valores registados em igual período no ano passado. Apenas em 8 por cento do território algarvio apresenta valores de NDVI em 23 de maio de 2017 mais de 10 por cento acima dos valores de 2016.

Nesta análise é, no entanto, necessário ter presente que os 5 por cento do território algarvio onde o decréscimo foi maior coincidem sobretudo com as áreas ardidas na Serra de Monchique e nas proximidades de São Bartolomeu de Messines, onde a vegetação foi afetada de forma muito severa. Adicionalmente, o padrão agora descrito tem um comportamento coincidente com o do PDSI (Palmer Drought Severity Index), um valor de referência calculado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para medir a seca. No final de maio do ano transato, o Algarve estava em situação «normal», enquanto que no corrente ano, atravessa um período de «seca fraca».

IPMA confirma temperaturas elevadas e fraca precipitação em todo o território
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) confirma que o mês de maio de 2017 em Portugal continental foi «extremamente quente em relação à temperatura do ar e normal em relação à precipitação». De acordo com esta instituição responsável pela monitorização e vigilância meteorológica, este foi o terceiro mês de maio mais quente desde 1931, depois de 2011 e 2015. O valor médio da temperatura do ar foi de 18.47° centígrados, isto é, mais 2.74° acima do valor normal. O valor médio da temperatura máxima do ar, 24.96° centígrados, foi o segundo mais alto desde 1931, com uma anomalia de mais 4º centígrados.

O valor médio da temperatura mínima rondou o 11.99° centígrados, mais 1.49° centígrados acima do normal. Ao longo do mês, a temperatura apresentou grande variação, sendo de realçar valores muito altos da temperatura máxima do ar, muito superiores aos valores normais para a época, nomeadamente a partir do dia 20 de maio. Os dias 23 a 25 foram os mais quentes, com valores de temperatura média superiores a 23º centígrados e valores médios de temperatura máxima superiores a 30° centígrados. Na região sul, verifica-se um agravamento com o aumento da área em seca moderada (em 70 por cento do território).

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