Albufeira tenta ser maravilha à mesa com cataplana de peixe

Humorista Manuel Marques foi a personalidade escolhida para apadrinhar a candidatura de Albufeira ao concurso Maravilhas à Mesa.

Não havia ouriços do mar, porque a apresentação foi marcada para um mês sem «R», e mandam os antigos, bem como a tradição que vem passando de geração em geração, que nesses meses a captura de certas iguarias marítimas não estejam capazes para consumir. No entanto, a cataplana de peixe e a laranja da Patã serviram para aguçar os sentidos e deixar antever que Albufeira apostou forte na candidatura ao concurso 7 Maravilhas à Mesa.

Caso assim não fosse, a Câmara Municipal de Albufeira não teria preparado três candidaturas à fase de seleção, tendo passado apenas à fase de pré-finalista a mesa de Albufeira e Olhos de Água, uma das 49 ainda a concurso. A ementa foi apresentada na sexta-feira, 13 de julho, no Balaia Golfe Village, onde participaram também o ator e humorista Manuel Marques, padrinho desta candidatura e a animada claque, que apelará ao voto para que esta seja uma das mesas a passar à semifinal, marcada para 12 de agosto, em Alijó, e transmitida em direto pela RTP. As votações abrem já no dia 20 de julho e o presidente da Câmara Municipal de Albufeira José Carlos Rolo reforçou que «é importante que as pessoas votem».

Foi, inclusive, o autarca que teve a responsabilidade de apresentar a ementa. «A mesa é composta pelos célebres ouriços do mar, como uma entrada, uma iguaria que é extraordinária, que deve ser provada, na altura própria, porque agora não é a altura própria para apanhar e confeccionar. Depois temos a cataplana de peixe e como sobremesa as laranjas da Patã de Baixo. Acompanha com os vinhos da Adega do Cantor, o Vida Nova 2017 e o Onda Nova 2014, um branco e um rosé, que apesar de não ser desta freguesia é da Guia, também no concelho de Albufeira. Além da gastronomia temos os outros aspetos que fazem parte, no conjunto da candidatura, que são os olheiros dos Olhos de Água, como património natural, e a unidade de agro-turismo Quinta do Mel», localizada a um quilómetro da praia, proporcionando experiências únicas, descreveu.

O autarca apelou ao voto, mesmo daqueles que não sendo de Albufeira, conhecem o território a cataplana de peixe. «É extraordinariamente importante que se faça passar a mensagem, porque isto identifica, caracteriza, promove o nome da nossa cidade e do nosso concelho», afirmou, confidenciando que espera que esta mesa seja uma das finalistas a apresentar-se a votos, de novo, no dia 16 de setembro, na gala final, com outras 13 candidatas.

Paulo Dias, chefe de Gabinete do presidente da Câmara, e Carla Ponte, chefe da Divisão de Turismo, enquanto responsáveis técnicos pela candidatura, explicaram como decorreu todo o processo desde o início, tendo referido que Albufeira foi convidada pela RTP para participar no evento, na sequência da participação de Paderne no concurso «7 Maravilhas Aldeias», iniciativa que aumentou a notoriedade daquela localidade.

Segundo Paulo Dias, o concelho foi procurado «pela equipa das Maravilhas para apresentar as candidaturas e também para acolher uma das galas, que vai ser a final. Em termos técnicos, estamos a trabalhar em dois cenários, num que tem a ver com a candidatura e noutro cenário que tem a ver com a organização da gala final, marcada para 16 de setembro», na Praça dos Pescadores.

Antes dessa, haverá ainda a quarta gala dos pré-finalistas em Alijó, onde Albufeira medirá forças com Setúbal, Constância, Beja, Laje das Flores, Beira Serra, além da cidade anfitriã.
Carla Ponte, chefe de Divisão de Turismo, destacou a diferença de nesta edição do concurso estarem a ser trabalhados roteiros turísticos, que juntam sete patrimónios, quando nos anteriores a base era apenas um produto ou território. Como Albufeira tem muito para ver, comer, visitar, a autarquia avançou com a Mesa do Mar (Albufeira e Olhos de Água), Mesa do Frango à Guia e a Mesa do Barrocal (Paderne). A escolha resultou da votação de um painel de especialistas com acompanhamento e supervisão de um Conselho Científico, que elegeram sete mesas por região.

Manuel Marques espera estar à altura do desafio, de defender a candidatura desta freguesia albufeirense, mas pelo menos não lhe faltam os genes da região. «O facto de ter costela algarvia da parte da mãe, de uma avó de Boliqueime e de uma avô de Paderne» pode ajudar, brincou. Mas é porque considera a cozinha algarvia riquíssima que acredita que Albufeira passará à fase seguinte. «Houve uma altura em que se pensava que o Algarve era só bifes com batatas fritas para os turistas, mas não. Pelo contrário, a cozinha algarvia é das mais ricas do país. E julgo que a cataplana será o prato mais original até pelo recipiente, as laranjas são maravilhosas, assim como o vinho que acompanha muito bem com os pratos do mar», descreveu. Foi no entanto, ao falar dos olheiros de água doce, nos areais da praia de Olhos de Água, por altura da maré baixa, que Manuel Marques remeteu para a infância. «Lembro-me muitas vezes, quando a maré vazava, irmos visitar os olheiros que é um fenómeno giríssimo», assegurou, acrescentando que viu muito da evolução de Albufeira.

Na cerimónia estiveram ainda o chefe Henrique Leandro, que ajudou a preparar o processo desde o início e confeccionou uma cataplana para as dezenas pessoas que estavam no evento degustarem, Ruben Pinto, enólogo da Adega do Cantor, e Luís Silva, agrónomo e proprietário da Quinta do Mel, a unidade de agroturismo que integra o roteiro turístico e que complementa a mesa, e Fernando Correia, padrinho de Paderne às «7 Maravilhas Aldeias», bem como Indaleta Cabrita, presidente da Junta de Freguesia de Albufeira e Olhos de Água, que apresentou a claque de apoio à candidatura.

Categorias
Regional


Relacionado com: