Vítor Guerreiro desmente acusações de favores políticos

O PSD de São Brás de Alportel alega que atribuição de pelouros a quatro vereadores poderá ser pagamento de favores políticos do PS. Vítor Guerreiro desmente e garante que decisão partiu de tornar mais eficiente a estrutura camarária.

Apesar de a tomada de posse já ter sido realizada há mais de dois meses em São Brás de Alportel e dos pelouros terem sido atribuídos aos vereadores, eleitos nas eleições autárquicas de 1 de outubro, pouco tempo após a cerimónia, só agora a concelhia do Partido Social Democrata (PSD) se manifestou acerca das decisões tomadas pelo executivo.

Tanto, que apenas a 29 de janeiro, a estrutura social-democrata de São Brás de Alportel enviou um comunicado, datado de 3 de janeiro, no qual especula que o Partido Socialista (PS), com maioria naquele concelho, terá usado a distribuição de pelouros para pagamento de favores.

No documento enviado às redações, o PSD de São Brás de Alportel afirma que o Orçamento Camarário apresenta novidades e contempla uma verba de mais 1,1 milhão do que o anterior, sendo o valor total para 2018 de 12,2 milhões de euros.

O que está em causa é, porém, a novidade do executivo, «pela primeira vez na história democrática do concelho», ter colocado «quatro elementos do executivo a tempo inteiro (presidente mais três vereadores)», destacou a concelhia. Isto é, no atual executivo, David Gonçalves (ex-presidente da Junta de Freguesia de São Brás e agora eleito para a Câmara Municipal), será vereador a tempo inteiro, arrecadando, segundo os social-democratas «cerca de 40 mil euros anuais (ordenado mais despesas de representação), algo que nunca aconteceu no concelho de São Brás de Alportel».

Contactado pelo «barlavento» Vítor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal local, desmente as acusações de favores políticos e justifica esta decisão como um investimento. «Tem que ver com as necessidades face à transferência de competências do Estado para as autarquias locais, face às oportunidades que temos de recorrer a candidaturas de fundos comunitários e a necessitarmos de reforçar a equipa», defendeu o autarca sambrazense.

Por um lado, Vítor Guerreiro explicou que aquela autarquia apenas tem duas chefes de divisão, num concelho com 12 mil habitantes, e que cada vez mais há novas exigências, não se adivinhando tempos fáceis com a transferência de competências para as Câmaras Municipais por parte do Estado. Por outro lado, «os tempos são outros e a nossa população exige respostas mais céleres», considerou.

Estas razões levaram a que o executivo entendesse ser importante atribuir pelouros a David Gonçalves, porque será «uma mais valia para munícipes e para a Câmara Municipal», acrescentou. Será possível, segundo o presidente, a autarquia agilizar respostas, torná-las mais eficientes, acompanhar colaboradores com maior proximidade e apoiá-los de forma mais consistente.

«Por muito que nós nos esforcemos, e trabalhemos quase 24 horas por dia, nunca conseguimos dar o acompanhamento que queremos e, por vezes, também podemos perder a oportunidade de atempadamente realizar candidaturas para aproveitar fundos comunitários. Logo, este investimento vai melhorar em muito a resposta à população, o aproveitamento de fundos comunitários, melhorar a gestão da Câmara e aumentar a eficiência», enumerou ainda.

Ainda assim, o PSD local não «vê justificação para a nomeação, pois os pelouros atribuídos ao novo vereador já são na maioria da responsabilidade do vereador Acácio Martins, havendo uma dupla responsabilização, quando esse valor podia ser aplicado em investimento ou na redução de impostos como o IRS onde os Sambrasenses pagam a taxa máxima, ou do IMI que tem a taxa máxima no Algarve, excluindo os concelhos abrangidos pelo PAEL».

E usam como exemplo, o terceiro mandato de António Eusébio, anterior presidente de Câmara Municipal socialista, que apenas atribuiu pelouros a três vereadores, ainda que tivessem sido eleitos quatro elementos.

Vítor Guerreiro, que reconhece que o antecessor decidiu ter apenas três vereadores a tempo inteiro, desmente, contudo, esta questão de duplicação de pelouros. «Ficamos com menos pelouros os três, porque dividimos pelos quatro. E fomos buscar áreas de intervenção novas. Reorganizamos os pelouros e as responsabilidades», apontou ainda, ironizando acerca do atraso da nota de imprensa, quando estas decisões já foram tomadas há mais de dois meses.

O PSD termina a nota de imprensa questionando se estas «nomeações apenas e simplesmente» serão «o pagamento de favores políticos pelos resultados do Partido Socialista em São Brás de Alportel».

O presidente da Câmara Municipal contesta, dizendo que essa questão levantada pelo oposição é «uma irresponsabilidade e política baixa», até porque «irresponsabilidade» seria o edil «não aproveitar, com a falta de recursos, um vereador que é uma pessoa com uma larga experiência e conhecimento do território e da população e que esteve 12 anos como presidente de Junta». E assegurou que não há quaisquer «favores políticos», ainda mais porque «o vereador David certamente estaria mais descansado em retornar à carreira profissional, onde é quadro. Não está à espera de emprego». Ironizou ao concluir que esperava que estes ataques políticos tivessem chegado na altura a seguir às eleições e não agora.

10 de março há eleições no PS Algarve

A Federação do Partido Socialista (PS) do Algarve escolherá o novo presidente a 10 de março, conforme foi aprovado em reunião na quarta-feira, 24 de janeiro. Na mesma sessão foi ainda escolhida a Comissão Organizadora do Congresso Regional do PS, que é presidida por Paulo Morgado, antigo presidente da Assembleia Municipal de Lagos e à data presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve. Enquanto as eleições, tanto do líder socialista como dos delegados ao congresso, já estão agendadas para dia 10 de março, o Congresso Regional, cuja localização ainda não tinha sido decidida ao início desta semana, realiza-se a 24 de março, segundo fonte do partido.

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