«Venho para unir e fortalecer o PSD de Portimão»

Carlos Gouveia Martins.

Concelhia tem eleições marcadas para dia 3 de fevereiro, entre as 15 e as 18 horas, na Casa Manuel Teixeira Gomes. Carlos Gouveia Martins, secretário- -geral daquela estrutura, deputado municipal e presidente da Juventude Social Democrata (JSD) do Algarve é para já, o único candidato à liderança do núcleo portimonense.

barlavento: O seu nome é um dos apontados à liderança do PSD/Portimão. Confirma a candidatura à presidência da concelhia?
Carlos Gouveia Martins:
Nesta altura, após ouvir várias pessoas próximas e conhecer diversos apelos que me fizeram nesse sentido, mas sobretudo pela vontade e pelo conjunto de propostas que tenho debatido junto de militantes em que acredito bastante, sim. Já é oficial, junto dos militantes, que serei candidato a presidente do PSD/Portimão, no próximo dia 3 de fevereiro.

O PSD/Portimão ficou sem presidente há pouco tempo, na sequência de uma situação inesperada. A intenção é também seguir algumas das ideias ou propostas que Hélder Renato deixou?
O Hélder era um amigo que ia para além da política. Essa foi a maior perda que tive. O PSD continua sempre [a recordar], e caberá a todos nós honrar a sua memória. Naturalmente, a todos os companheiros que ajudaram este partido e esta cidade ao longo dos anos. Como partilhámos a mesma Comissão Política nestes últimos anos, é óbvio que há ideias a seguir por quem cá fica, mas cada liderança tem a sua forma de ser. Não quero ser melhor, ou dizer que qualquer outro é pior que eu. Serei seguramente diferente de todos os presidentes que o PSD/Portimão já teve.

Como explica que, neste momento, uma concelhia social-democrata como a de Portimão nem sede tenha? Além da saída de militantes por não concordarem com a coligação «Servir Mais Portimão» pela qual foi cabeça de lista à Assembleia Municipal… Estas são razões que mostram o enfraquecimento da estrutura?
Confesso que sinto, enquanto militante de Portimão, a consciência muito mais tranquila não tendo sede e sabendo que o meu partido não deve um euro a qualquer munícipe do que, ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, ter uma sede e andar com dívidas avolumadas aos proprietários. Hoje em dia, o PSD/Portimão não deve um cêntimo a ninguém. Saiu de forma digna da sede que utilizou nos últimos anos e deixou tudo em condições, graças aos militantes que temos. Estamos de consciência tranquila sobre esta matéria. A saída de militantes faz parte da vontade de cada um, respeito muito todos os que decidiram sair e, alguns até, entraram de imediato em projetos políticos dos quais foram adversários durante vários anos. A estrutura não enfraqueceu, de forma alguma! Ao nível do número de militantes, se saíram poucas dezenas, posso mostrar a centena de novos que aderiram nos últimos meses! Crescemos em militância. A nível de autarcas, comparativamente a 2013, temos também mais eleitos e o projeto que incluía o PSD aumentou a votação e recolheu cerca de 5000 votos de portimonenses. Aquilo que digo é simples: sei ao que vim e iremos fortalecer muito o PSD neste concelho.

Porque se candidata? Pelo desafio?
Candidato-me acima de tudo por entender que, neste momento, sou o militante que reúne melhores condições para liderar um projeto de revitalização desta secção, que seja intergeracional e dinâmico. O PSD precisa de renovar, e não falo em idade, porque há jovens de mais de 65 anos que serão importantíssimos neste caminho. A política mudou. Sei das capacidades da equipa que irei liderar para sermos o exemplo de proximidade intergeracional com todos os portimonenses. Queremos fazer e ter ação política de construção de ideias e não apenas disputar o estatuto de «maior oposição» e de quem mais consegue negar as ideias do executivo socialista. A minha vontade, e o grande desafio, é conseguir liderar as vontades de uma alternativa e construir um caminho diferente em Portimão. Construir e não apenas ver um PSD a ser mais um partido que só está na política para fazer oposição e desconstruir tudo o que seja apresentado por outras forças.

Há mais algum candidato confirmado ou com intenções de concorrer ou esta será uma lista única?
A democracia assim o permite e haja o que houver nada irá alterar a vontade e responsabilidade que assumi perante os militantes portimonenses. Saliento que, neste momento, sinto uma grande união, que é fundamental no PSD em Portimão, em torno da minha candidatura a presidente do PSD. Respeitarei todos e cada um dos que entenderem enveredar por outra candidatura, mas a partir de dia 3 de fevereiro contarei com todos. Venho para unir e fortalecer o PSD/Portimão.

Quais as principais ideias ou propostas para revitalizar a concelhia?
Tenho a felicidade de sentir muito orgulho no percurso que tenho construído nos últimos anos. Não cheguei hoje à concelhia do PSD. Já são aproximadamente 18 anos de militância e nunca me afastei, sob que liderança fosse, porque entendo que o partido e os portimonenses são muito mais importantes do que os meus interesses pessoais em determinado momento da minha vida. Nunca virei as costas ao PSD. Conheço muitíssimo bem estas pessoas, conheço como a palma da minha mão a história desta concelhia e sei o que é preciso mudar. Estamos afastados dos militantes, e embora tenha havido melhorias nos últimos dois anos sei que não estamos próximos e que não andamos a ouvir o PSD «real». Estes anos de militância ativa fazem com que tenha várias ideias que irão constar no nosso Manifesto Eleitoral. Refiro algumas: quero abrir a concelhia à sociedade, mas de forma objetiva, porque iremos nós ao encontro das empresas, dos comerciantes e dos sítios mais esquecidos de Portimão para falar cara a cara e ouvir as pessoas. Vamos trazer gente capaz para discutir temas do interesse da nossa terra em reuniões, jantares ou tertúlias, porque é fundamental pensar e debater ideias. Iremos honrar a História e vamos iniciar o Conselho de Opinião com todos os ex-presidentes, que são militantes do Partido, e tanto nos ajudaram ao longo de 40 anos. Iremos criar um Conselho Estratégico, com gente de várias áreas, para que trimestralmente apresentemos aos militantes relatórios que sirvam de base ao nosso dia a dia com propostas que defenderemos ao nível autárquico. Asseguro que irei procurar cada militante que temos hoje, falar com eles e conhecer as suas ideias, mas confio que todos eles irão perceber que estou cheio de vontade para partilhar o projeto que esta equipa terá. Vamos fazer ver que a força social-democrata neste concelho vai renascer. Connosco, todos juntos.

«Cidade de Portimão precisa de ser pensada a dez anos»

Ideias para valorizar o concelho e coligação «Servir + Portimão» são outros dos temas sobre os quais o candidato à concelhia do PSD responde em entrevista ao «barlavento». Carlos Gouveia Martins garante que não vai «discutir vírgulas e a espuma dos dias»

O que falta a Portimão e quais os seus objetivos para o concelho?
Há algo que é claro. Os munícipes estão desavindos de participar na decisão e nos destinos do nosso concelho. E não, não são eles que estão errados. Nós, que estamos na política e os partidos políticos, é que temos de assumir os erros que levam a este afastamento das pessoas e a taxas de abstenção elevadíssimas. Raros são os que têm interesse nas sessões públicas que existem no concelho. Portimão vive sem alma, com uma alegria escondida que temos de recuperar. Quero que o PSD contribua para recuperar o orgulho portimonense, que apresentemos propostas para viver num município mais intergeracional, integrador na vertente humana, mas também territorial ao longo de cada uma das três freguesias, inovador no sentido de não andar atrás de outros e consciencializar-se que estamos em 2018 e temos de evoluir.

Em termos concretos…
Apostar na mobilidade urbana a uma escala integrada, entre autocarros e bicicletas, tendo ciclovias para desfrutar da natureza incrível que temos, mas também para os automóveis com uma visão séria sobre os estacionamentos. Ser mais sustentáveis e pensar abertamente de que forma podemos acompanhar o futuro, conciliar porém, também e desde logo, com uma melhor área verde para as famílias. Atrair cultura para os centros urbanos e potenciar a história do concelho deve ser uma prioridade e não um acessório. É mesmo um dos pilares para a criação de riqueza humana e económica no município. Também dessa forma é que se impulsionará a economia local, criar dinamismo nos moradores, atrair turismo de qualidade e fazer crescer todo o concelho. Só pensando Portimão a uma década é que deixaremos de assistir, encolhendo os ombros, à preferência de jovens e várias famílias em escolher concelhos limítrofes que vai muito além das taxas municipais, mas que também contam na hora da decisão. Portimão precisa de ser pensado de forma diferente.

Os resultados eleitorais, apesar da coligação, deram a maioria absoluta ao Partido Socialista (PS). O PSD nunca foi poder em Portimão. Como acha que é possível reverter esta realidade?
Os portimonenses escolheram democraticamente e entenderam que o programa que queriam ver implementado era o do Partido Socialista. Respeito muito os atos eleitorais, não tenho o hábito de distribuir culpas ou encontrar desculpas. Prefiro reorganizar e recriar ideias que consigam, de futuro, ir ao encontro da vontade das nossas gentes e colher o seu apoio genuíno. Em outubro, não fomos capazes. Mas quero dizer que tenho muito orgulho no PSD em Portimão. Neste projeto de coligação, com tantos militantes do PSD, que foi coligado em 2017 e teve a preferência de 5000 portimonenses, mas também naqueles projetos que já venceram, por exemplo, a Junta de Freguesia de Portimão ou alternaram na presidência da Assembleia Municipal nos inícios da década de 90. O PSD já ganhou nesta terra e acredito, mais a cada dia que passa, que está a aproximar-se o dia em que teremos como presidente de Câmara alguém do PSD e com o nosso programa eleitoral.

Ainda acerca da saída de militantes. Como se entende que o CDS, uma força política com menor expressão no Algarve que o PSD, imponha condições diferentes ou pouco usuais a uma distrital/concelhia?
É um assunto que já não carece de nenhuma dúvida. Respeitei a decisão que superiormente foi transmitida em sede de concelhia do PSD. Gostei muito de trabalhar com o José Pedro Caçorino e serei sempre grato ao CDS-PP por termos trilhado esta página juntos, em conjunto com tanta gente boa que vive e sente Portimão a sério. Quisemos disputar a liderança dos destinos da Câmara Municipal e, muito bem na minha opinião, unimos esforços de quatro partidos políticos e personalidades independentes para procurar vencer e não, como aconteceria se fossemos separados, procurar quem seria «o melhor segundo». Não me arrependo de nada, foi uma jornada política enriquecida por diferentes perspetivas de que me orgulho muito pela postura irrepreensível do PSD. Terminou com laços reforçados entre todos, com muito respeito e devia ser sempre assim.

Consigo na liderança do PSD, como fica a coligação «Servir + Portimão»?
Enquanto presidente do PSD irei respeitar todos os que depositaram a sua vontade no programa político que a coligação «Servir + Portimão» apresentou nas eleições autárquicas. A política precisa de mais seriedade e respeito. Já neste mandato, em sessões de Assembleia de Freguesia e também Municipal de Portimão tive a preocupação de contactar os autarcas do CDS-PP que foram eleitos juntamente com o PSD nessa coligação. Para partilhar as nossas moções, para questionar as deles e continuar a defender o que nos propusemos fazer pelo concelho. O CDS terá em mim alguém que muito os respeita e que estará sempre disponível para debater propostas reais. Não vim para discutir vírgulas e a espuma dos dias. Essa política deixo para outros.

JSD prepara conjunto de propostas para o Algarve

Carlos Gouveia Martins é o presidente da Juventude Social Democrata até este ano e assegura que as últimas eleições autárquicas levaram a que esta estrutura atingisse «uma marca muito positiva e talvez a melhor das últimas duas décadas»

É também, entre outras funções, presidente da JSD do Algarve. O que está a ser feito nessa estrutura regional?
Em primeiro lugar é importante a questão, e agradeço, para clarificar. Irei cumprir até ao final o mandato, que os militantes da JSD em todo o Algarve me conferiram, cheio de vontade e ambição. Recentemente, tivemos um trabalho produtivo nas eleições autárquicas, com sessões de formação política para conferirem mais conhecimento aos nossos militantes e, embora já tenha transmitido a minha opinião sobre o resultado global do PSD na região, na JSD foi satisfatório visto que aumentamos de 5 para 20 autarcas até à data, sendo que diretamente eleitos colocamos 16. Nesse campo, saímos valorizados e atingimos uma marca muito positiva e talvez a melhor das últimas duas décadas. Temos um plano estratégico muito ambicioso para 2018 em que vamos continuar a apostar na formação, subindo a fasquia com uma nova iniciativa, além do «Formar Algarve» (que teremos em março). Iremos apresentar, antes do verão, numa convenção, um conjunto de propostas e ideias que temos defendido para a região e que será compilado para distribuir pelo distrito. Este mandato tem tudo para ser um dos melhores mandatos de sempre da JSD/Algarve e, sendo o meu último ano na estrutura, também ambiciono que seja o meu melhor ano de todos os 18 que levarei de JSD.

No panorama regional, da distrital, em que o PSD só conseguiu manter as Câmaras Municipais que já tinha nas últimas eleições autárquicas, considera que algo deveria mudar? O quê?
É fundamental percebermos que temos quatro anos para construir propostas que consigam ir ao encontro das necessidades dos algarvios, que os dirigentes têm responsabilidade diária de preparar e posteriormente escolher os melhores. Não é a meia dúzia de meses das eleições! O PSD não pode ficar satisfeito com a conquista de cinco de 16 Câmaras Municipais. Temos a responsabilidade de vencer de forma clara a maioria das Câmaras, das Juntas de Freguesia e Assembleias Municipais e ficámos muito longe disso. Não acredito que haja alguém no PSD/Algarve que esteja satisfeito pelos resultados globais nas Autárquicas de 2017 na região e, se houver, está a prejudicar o partido pela limitação de ambições.

A nível nacional, o PSD já escolheu o seu novo presidente. Acredita que será um bom líder? Concorda com as propostas dele?
Houve uma boa mobilização do partido em todo o país e a maioria escolheu o Dr. Rui Rio. Claro, a partir do Congresso Nacional do PSD (16 a 18 de fevereiro em Lisboa) será o presidente de todos nós, os militantes, e contará comigo também. Terei muito tempo para conhecer as propostas concretas do Dr. Rui Rio, e sobretudo serei mais um dos que irá trabalhar para e com esta direção do partido.

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