Socialistas em torno de «um Algarve mais forte»

Congresso Regional elegeu a nova Comissão Política do PS Algarve, consagrou Luís Graça como novo líder da estrutura e deixou objetivos concretos para o futuro da região.

Uma casa cheia de militantes elegeu a nova Comissão Política da Federação do PS Algarve, no sábado, 24 de março, no Centro de Congressos do Arade, em Lagoa. A única lista candidata foi eleita com 138 votos a favor, 16 brancos e um nulo, num total de 155 votantes. Foi ainda eleita a Comissão Federativa de Fiscalização Económica e Financeira e a Comissão Federativa de Jurisdição.

No final, Luís Graça, o novo presidente do PS Algarve, naquele que foi o primeiro discurso oficial enquanto líder da estrutura distrital num Congresso Regional, considera que aquela foi «uma jornada viva, com múltiplas intervenções, nem sempre concordantes, e muitas moções».

Graça apresentou vários desafios, sendo um deles a capacidade de apresentar soluções para os problemas estruturais da região, baseadas no estudo e ponderação, para reforçar a credibilidade.

«O Algarve é a nossa força e o nosso compromisso enquanto socialistas é termos esta capacidade de liderar a nossa região, de encontrar as bandeiras e as causas que motivem os cidadãos para a política e particularmente para o PS», afirmou. Afinal de contas, este é o maior partido no Algarve,com dez Câmaras Municipais e 45 Juntas de Freguesia. «Ganhámos as eleições legislativas há dois anos e meio e o nosso objetivo só pode ser ganhar as próximas eleições, sejam as europeias, sejam as legislativas. E sim, temos que ter a ambição para que, no Algarve, o PS tenha o resultado acima da média nacional», reforçou. «Queremos um Algarve mais forte e isso faz-se com todos», sublinhou.

Luís Graça e Jorge Botelho.

«Hoje votámos uma nova Comissão Política da Federação. O presidente não escolheu os membros que a compõem e isso é bom, porque o pior que pode haver para a dinâmica da política é não haver contraditório. É termos uma Comissão dos amigos e daqueles que concordam com o presidente da Federação», afirmou.

O líder da estrutura desvinculou-se da ideia de convidar amigos e resolveu criar uma lista após o diálogo com as estruturas concelhias, tendo a representatividade de todas elas.

«Temos que, a partir deste ponto, mostrar que estamos unidos na diversidade, que a forma divergente que temos que pensar é aquilo que nos dá força. Se formos capazes de o fazer, de estudar as nossas propostas, de as debatermos e de mobilizarmos os algarvios para o novo quadro comunitário de apoio (que região queremos para 2030), estamos não só a fazer um serviço positivo à região, mas também à democracia», concluiu.

Regiões Administrativas na ordem do dia

É um tema antigo, mas que volta a estar na ordem do dia, com a oportunidade que o governo está pronto a dar. «O PS Algarve é a favor da criação das regiões administrativas. Somos a favor da regionalização do país e a favor da criação da região administrativa do Algarve», disse. No entanto, este não será um processo fácil, mas a oportunidade está aí, avisou. «É o momento da descentralização de competências para as Câmaras e para as Juntas de Freguesia e pela democratização da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR). No entanto, a democratização da CCDR não é a região administrativa do Algarve. Esse combate está por vencer, mas nós temos de fazer desta oportunidade, que o primeiro-ministro nos dá, de democratizarmos [aquela entidade], num novo quadro de competências e de relação entre a região e o poder central», defendeu o socialista. A reforma deve ser, segundo o líder do PS Algarve, um meio caminho para a criação efetiva dessa região administrativa. Por isso, há que não ficar expectante em relação ao que o governo dará à CCDR e cruzar os braços. Luís Graça já contactou Adriano Pimpão, Jorge Botelho, presidente da AMAL, e Francisco Serra, presidente da CCDR, para incentivar a reflexão conjunta e para propor ao governo, nos próximos meses, um quadro de transferência daquilo que o PS Algarve quer e acredita que deve ser a CCDR do futuro.

José Apolinário.

PS Algarve rejeita abastecimento de água em baixa pela Águas do Algarve

Luís Graça, ainda durante o discurso no Congresso Regional, afirmou que a discussão da passagem da gestão do abastecimento de água em baixa dos municípios para a empresas Águas do Algarve não é prioritária. «Temos no Algarve uma empresa que está a discutir com os municípios se pode ficar com a capacidade de distribuir a água em alta, a partir das barragens, mas também em baixa. Ou seja, aquilo que as Câmaras Municipais hoje fazem, levar a água à torneira de cada uma das casas. O PS Algarve entende que esta discussão não é prioritária e não vê vantagem em que a Águas do Algarve se torne num grande monopólio, controlando toda a fileira da água, desde a barragem até à casa do cidadão», defendeu. Em vez dessa discussão, deveria haver outra em torno das alterações climáticas. «Temos um problema no Algarve com dez meses de seca e temos que ter a garantia de que aquilo que aconteceu no último verão em Viseu, nunca vai acontecer na região», disse ainda. O desafio será encontrar um modelo que garanta autonomia e sustentabilidade na região, que pode passar pela construção de muitas barragens no interior, na serra, de uma nova média barragem na zona central (São Brás de Alportel, para servir a Campina de Faro e regular cheias), onde não existe nenhuma para servir o abastecimento público no centro.

Hospital Central de novo na agenda

Um dos desafios que Luís Graça voltou a colocar em cima da mesa é a necessidade de um Hospital Central, ainda que com mais de dez anos de atraso. «Temos que pedir ao governo, porque o projeto tem de avançar. O governo do Partido Socialista definiu que esta seria a segunda prioridade nacional, em termos de investimento público, na área da saúde», afirmou, acrescentando que há o compromisso de, até ao final da legislatura, o projeto do Hospital Central do Algarve, já com uma década, ser atualizado. O presidente do PS Algarve exige um cronograma do projeto, que inclua prazos de concurso e da obra, porque «todos os algarvios merecem saber quando» é que a infraestrutura será uma realidade.

Cidades Saúde a Barlavento e Sotavento

Duas pequenas cidades saúde no Algarve, uma a Barlavento e outra a Sotavento, que possam servir para retirar fluxo, menos grave, das unidades hospitalares naquelas duas zonas. A ambição é reivindicar «dois pequenos centros de saúde de nova geração, com internamento, capacidade de diagnóstico e medidas de diagnostico complementar», avançou durante o primeiro discurso após a eleição da nova Comissão Política no Congresso Regional, em Lagoa, no sábado, 24 de março. Destacando o trabalho do socialista Paulo Morgado, presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve, sobretudo na conclusão do estudo do fecho da malha dos cuidados de saúde primário, Luís Graça adiantou ainda que está, «neste momento, a ser fundamentado do ponto de vista técnico» essa possibilidade. Essa solução poderia permitir que os utentes de cada uma zonas não tivessem que se deslocar para as unidades hospitalares, deixando «capacidade às duas grandes unidades de saúde hospitalar (CHUA) de respirar e tratar melhor os casos agudos», acrescentou. Estas deveriam avançar ao mesmo tempo que o Hospital Central.

Homenagem a Santos Serra

O Partido Socialista (PS) do Algarve aproveitou o Congresso Regional, no sábado, 24 de março, em Lagoa, para homenagear o médico Manuel Santos Serra, um dos fundadores do partido na região, presidente da Assembleia Municipal durante vários mandatos. Num pequeno vídeo, António Costa, primeiro-ministro, destacou a «grande figura de Albufeira, o grande médico e o grande cidadão», que teve oportunidade de conhecer em criança, quando passava férias naquela cidade. «Foi sempre com grande carinho que ele me tratou, foi com grande admiração que lá cresci e é com grande amizade e estima que tenho por ele, por ser um grande profissional e também um grande camarada», terminou. Santos Serra foi o presidente da Comissão de Honra do Congresso Regional, composto sobretudo por médicos e profissionais de saúde, gestores hospitalares e pelo ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes. Foi uma declaração política da estrutura federativa algarvio, em jeito de bater o pé, reforçando a ideia de que «os socialistas do Algarve não desistem do Serviço Nacional de Saúde».

Política de habitação social, precisa-se

Apesar do dinamismo económico da região, será necessário, de acordo com Luís Graça, garantir acesso à habitação. Os preços das casas estão hoje «inacessíveis para grande parte dos algarvios, para grande parte dos nossos filhos e netos que se estão a afastar das cidades, que não conseguem comprar ou arrendar», alertou. Por isso, alerta os autarcas que há que olhar para o problema para encontrar uma solução. E a oportunidade de garantir melhores respostas pode até surgir com a nova alteração dos Planos Diretor Municipais (PDM).

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